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Mercados em destaque: Zona euro, Estados Unidos, China e Turquia

Há 10 dias - quarta-feira, 9 de janeiro de 2019
Índice ISM aponta para desaceleração da indústria norte-americana. Na China espera-se mesmo uma contração nesse setor.

Zona euro: inflação recua

Em dezembro, de acordo com uma primeira estimativa, a taxa inflação na área do euro caiu para o nível mais baixo dos últimos oito meses: 1,6% contra 1,9% em novembro e 2,2% no pico de outubro. Este rápido declínio nas pressões inflacionistas deve-se principalmente ao colapso dos preços do petróleo.

De facto, a cotação do barril Brent terminou 2018 em menos de 55 dólares quando, no início de outubro, estava perto da fasquia dos 90 dólares. Excluindo o efeito dos bens energéticos, a taxa de inflação é ainda mais baixa e também recuou ligeiramente: 1,1% em dezembro, contra 1,2% no mês anterior.

Em Portugal, segundo o INE, a taxa de inflação homóloga terá terminado 2018 em 0,6% (em novembro foi 0,9%). A taxa média de 2018 ficou em 1,2%.

Estados Unidos: desaceleração

Em dezembro, o índice ISM, que mede a atividade industrial norte-americana, registou a maior queda mensal desde outubro de 2008, tendo recuado para o nível mais baixo desde novembro de 2016. Todos os subíndices caíram, principalmente os relativos às novas encomendas, emprego e produção. Claramente, a indústria dos Estados Unidos sofreu uma forte desaceleração no final do ano passado.

Porém, em 54,1 pontos, o índice ISM permanece bem acima da fasquia dos 50 pontos, que marca a fronteira entre a expansão e a contração da atividade. Ou seja, a indústria ainda está a crescer, mas agora num ritmo mais lento. O índice ISM de dezembro não anuncia o fim da expansão económica nos Estados Unidos, mas é um sinal de que o crescimento deverá desacelerar nos próximos trimestres. O dinamismo do mercado de trabalho continuará a estimular o consumo das famílias e a atividade económica.

Em dezembro, foram criados mais 312 mil postos de trabalho. Para o conjunto de 2018, o número de novos empregos atingiu 2,6 milhões em comparação com 2,2 milhões em 2017. Com o aumento de 3,2% nos salários por hora, nos últimos doze meses, e uma taxa de inflação de apenas 2,2%, o poder de compra das famílias sai reforçado, sobretudo na reta final do ano passado. A taxa de desemprego subiu ligeiramente para 3,9% (3,7% em novembro), após o influxo de novos trabalhadores ao mercado de trabalho, mas continua extremamente baixa.

Contração na China

O índice PMI, que capta a evolução da atividade na indústria chinesa, caiu em dezembro pelo quarto mês consecutivo. O índice está agora no nível mais baixo desde fevereiro de 2016. Além disso, o PMI caiu abaixo dos 50 pontos, ou seja, indicia uma contração na atividade no último mês de 2018. O subíndice relativo às encomendas também baixou, o que não permite esperar uma recuperação nos próximos meses. Esta estatística é a mais recente de uma longa série que revela a desaceleração do crescimento na China.

A guerra comercial afeta mais a economia do que as autoridades de Pequim querem admitir. Como a China é a “fábrica do mundo”, a desaceleração do comércio mundial penaliza sobretudo a indústria. Se continuarem as dificuldades deste grande provedor de emprego, toda a economia chinesa será afetada. Um acordo abrangente com os Estados Unidos continua a ser improvável após o fim da trégua de 90 dias, em vigor desde 1 de janeiro.

Como o diferendo comercial continuará a penalizar a China, Pequim usará as receitas antigas do estímulo ao crédito e das despesas públicas. Essas soluções permitirão manter um elevado crescimento em 2019, mas agravam o problema da dívida e adiam as reformas indispensáveis para economia chinesa entrar num modelo sustentável a longo prazo.

Turquia: baixa da inflação

No último mês de 2018, os preços ao consumidor caíram 0,4% depois de já terem recuado 1,4% em novembro. A queda dos preços é generalizada e resulta da recuperação da lira turca no mercado cambial, o que reduz automaticamente o custo das importações. Em termos homólogos, a taxa de inflação caiu para 20,3%, face a 21,62% em novembro e 25,2% no pico de outubro.

Apesar da queda dos últimos dois meses, as pressões inflacionistas permanecem muito altas, deterioram o poder de compra das famílias, limitam o consumo e desestabilizam a economia turca. Após ter contraído 1,1% no terceiro trimestre, a atividade económica também deverá ter recuado nos últimos três meses de 2018. Em suma, levará tempo para a Turquia sair desta recessão.

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