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Mercados em destaque: zona euro, Alemanha e Estados Unidos

Há 4 meses - terça-feira, 15 de janeiro de 2019
Menos desemprego na zona euro, mas com a Alemanha à beira de uma recessão.

Zona euro: desemprego em baixa

Em novembro, a taxa de desemprego caiu para 7,9%, o nível mais baixo desde outubro de 2008. É uma boa notícia porque o consumo das famílias é o principal motor das economias e, uma vez que a procura mostra sinais de enfraquecimento, o menor desemprego permite mais otimismo. Portanto, consideramos que o cenário de abrandamento suave da economia é o mais provável.

No entanto, não há motivos para regozijo. As economias europeias passaram por um período único, marcado por taxas de crescimento pouco sustentáveis a longo prazo. Apesar de a taxa de desemprego ter caído abaixo de 8% é muito superior à das outras grandes economias, indicando que persistem problemas na Europa. O desemprego também está acima do pico anterior à última crise no final de 2007 e início de 2008 (era de 7,3%).

A demografia europeia é desfavorável e o envelhecimento da população é uma realidade. Perante estes dois fatores, o aumento da produtividade (formação dos trabalhadores, utilização de novas tecnologias) e da taxa de participação no mercado de trabalho são cruciais para assegurar o potencial de crescimento. Neste campo, a Europa pouco tem feito.

Acresce ainda o problema de muitos países europeus não ter realmente saneado as contas públicas nos últimos anos e, portanto, terem uma margem orçamental muito limitada. Perante esta incapacidade, o Banco Central Europeu fará, mais uma vez, tudo o que puder para suportar as economias e o euro. Esta premissa permite que continuemos a dedicar uma parte das nossas carteiras às ações e às obrigações da zona euro.

Alemanha: a caminho da recessão?

A indústria automóvel alemã está com dificuldades em adaptar-se às novas regras ambientais, penalizando a produção industrial e levando a economia germânica a contrair-se no terceiro trimestre. Na altura estimava-se que era um problema temporário. Contudo, os números de novembro não foram tranquilizadores. A produção industrial caiu 1,9% face ao mês anterior e 4,7% em termos homólogos. Ou seja, a indústria não recuperou e até acentuou o seu declínio.

Além disso, o fenómeno não está relacionado apenas com o setor automóvel, mas afeta toda a indústria, a construção e a produção de energia. Em suma, mais do que um simples desajustamento de um setor à evolução dos padrões europeus, é a desaceleração da procura privada e do comércio mundial que pesam sobre a indústria alemã. Como resultado, uma contração na economia no quarto trimestre (que após a queda do terceiro seria sinónimo de recessão) não é implausível.

No entanto, há elementos positivos. Em termos absolutos, a produção continua em níveis elevados e a carteira de encomendas do setor continua bem preenchida. Como a normalização da política monetária parece muito lenta, o crédito está barato, apoiando o investimento e a procura.

EUA: Fed será paciente

Jerome Powell reafirmou que a Reserva Federal irá esperar para ver, antes de subir novamente as taxas de juro diretoras. A afirmação não traz nada de novo: desde o início da normalização da política monetária, a Fed sempre insistiu que continua atenta à evolução dos indicadores e dos mercados. O facto é que, agora, estes últimos têm estado agitados e a Fed foi forçada a agir. A priori, o aumento das taxas previsto para março não acontecerá.

Perante o shutdown do governo dos Estados Unidos e da incerteza das decisões tomadas na Casa Branca e no Congresso, a Fed afirma-se, uma vez mais, como uma referência para os investidores. Até agora, esperava-se que o diferencial de juros entre os EUA e a zona euro continuasse a crescer, mas a nova retórica da Fed alterou essa expectativa. O euro recuperou terreno em relação ao dólar americano e regressou a níveis superiores a 1,15 dólares.

Nesse patamar, a taxa de câmbio EUR/USD está um pouco mais próxima do seu nível de equilíbrio. Mantemos a aposta nos Estados Unidos, sobretudo na dívida denominada em dólares.

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