Em bolsa, a construtora Mota-Engil tem atravessado semanas difíceis, que culminaram numa queda superior a 20% no dia 18, tendo a CMVM inclusivamente suspendido a negociação dos títulos (embora tenha terminado a semana a perder apenas 1,9%).
No difícil contexto económico atual, existem de facto riscos a assinalar. Com referência ao final do 3º trimestre de 2015, a Mota-Engil tinha 790 milhões de euros de dívida com um prazo de vencimento inferior a um ano. Possuía no final de setembro 260 milhões de euros em tesouraria e nos últimos 9 meses gerou 100 milhões de euros em cash-flows da sua atividade operacional. Por outro lado, o endividamento elevado (autonomia financeira em torno de 15%) desaconselha novos empréstimos. Dada a sua forte exposição a África, em particular Angola, a queda acentuada do petróleo preocupa porque um aumento dos prazos de pagamento (ou falhas nos pagamentos) dos clientes pode complicar ainda mais a situação de liquidez da empresa.
Mas consideramos que o pânico foi exagerado. Atualmente, já é na América Latina que a Mota-Engil obtém a maioria das suas receitas. O grupo emitiu um comunicado reiterando que os recebimentos se mantêm num fluxo saudável, inclusivamente em Angola, e que está a negociar operações (algumas já concluídas) que lhe permitam aumentar a maturidade média da sua dívida. E sobretudo, conta com as vendas de ativos para obter liquidez. A venda dos negócios portuários deve trazer cerca de 275 milhões de euros aos cofres da construtora, e esperam-se mais alienações (Ascendi, Indaqua). Sem esquecer o risco elevado ( 4 em 5), pode manter as ações da Mota-Engil em carteira.