Artigo
Jorge Duarte

Economista

Quer esperar quase 700 anos para duplicar as poupanças com depósitos?

Há 2 meses - segunda-feira, 15 de abril de 2019
Jorge Duarte

Economista

Esperar séculos para as poupanças duplicarem com depósitos está só ao alcance do mestre Yoda ou do bíblico Matusalém. Há melhores investimentos.

Se hoje investir as suas poupanças, sabe quantos anos vai demorar para duplicar o capital? Se escolher depósitos, cujo rendimento médio ronda os 0,1%, pode ter de esperar quase 700 anos. Se for apenas ligeiramente mais seletivo, indo para os melhores depósitos do mercado, a eternidade recua para uns meros 70 anos. É um passo na direção certa, mas muito insuficiente.

Se quer multiplicar efetivamente as poupanças em tempo útil terá de ser mais exigente e não se cingir aos depósitos, embora não precise de ser muito ambicioso. A nossa escolha acertada para os seguros de capitalização rendeu 2,7% líquidos nos últimos anos. Ainda que essa rentabilidade não esteja garantida para o futuro, se se mantiver, permite ter a expectativa de duplicar o capital em “apenas” 26 anos.

Anos para duplicar investimento

Depósitos ou fundos: qual o melhor teste à sua paciência?

Só seguindo uma estratégia de investimento amplamente diversificada pelos mercados financeiros, semelhante às nossas carteiras de fundos, é que poderá esperar rendimentos médios anuais atrativos. 

Nos últimos cinco anos, a nossa carteira base valorizou 4,8% líquidos ao ano. A manter-se esse ritmo, para duplicar o capital precisaria de 15 anos. Esta rentabilidade não está garantida, mas também não é excessivamente otimista. Nos últimos dez anos, essa mesma estratégia conseguiu atingir 7,5% líquidos ao ano.

As taxas de juro vão continuar, como prometido pelo Banco Central Europeu, pelas ruas da amargura. Portanto, a maratona dos 700 anos não vai sofrer alterações se permanecer inerte.

Também não há motivos para desesperar. Mesmo uma simples mudança para uma conta a prazo mais bem remunerada será um passo importante. Claro que o ideal será limitar a aposta nesses produtos ao mínimo necessário para enfrentar imprevistos. O restante das poupanças deve ser encaminhado, por exemplo, para uma carteira diversificada de fundos.

 

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