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Portugueses já não gostam dos certificados

Há 8 meses - segunda-feira, 22 de outubro de 2018
A subscrição dos Certificados de Aforro tem vindo a cair. Agora os Certificados de Tesouro também começam a perder interesse. Dois indicadores que demonstram que os portugueses estão a diminuir o investimento nos produtos de dívida pública.
Os Certificados de Aforro poderão vir a ser interessantes num contexto de subida da Euribor

Os Certificados de Aforro poderão vir a ser interessantes num contexto de subida da Euribor

O montante aplicado em Certificados de Aforro está em queda desde final de 2016. Os Certificados do Tesouro, todas as versões desde 2010, acumulam já um montante que ultrapassa o dos Certificados de Aforro, mas também têm vindo a perder interesse junto dos aforradores.

Os Certificados do Tesouro Poupança Crescimento não agradaram, aliás, desde o seu lançamento, já que se registou uma acentuada redução acentuada das subscrições, após o mês de outubro de 2017. Nesse mês verificou-se uma corrida à subscrição dos Certificados do Tesouro Poupança Mais, pois foi o último mês em que estiveram disponíveis. 

A partir de novembro deste ano poderá registar-se uma descida do montante aplicado em Certificados do Tesouro, pois os primeiros Certificados do Tesouro Poupança Mais, que foram lançados em outubro de 2013 pelo prazo de cinco anos, atingem a maturidade.

Certificados do Tesouro: uma história em 3 atos

Os Certificados do Tesouro têm já três formas distintas. Os primeiros foram lançados em 2010 e designados apenas de Certificados do Tesouro pelo prazo máximo de dez anos:eram os mais rentáveis, com a taxa de juro fixada em função das yields das Obrigações do Tesouro para o mesmo prazo que existiam no momento da emissão (o rendimento máximo varia entre 5,5% e 7,1% bruto), mas estiveram apenas em subscrição durante dois anos. 

Seguiram-se os Certificados do Tesouro Poupança Mais (CTPM) entre 2013 e 2017, com uma taxa de juro anual crescente e pelo prazo máximo de cinco anos.

No final de outubro do ano passado, e Dia Mundial da Poupança, foram suspensos os Certificados do Tesouro Poupança Mais e lançados os Certificados do Tesouro Poupança Crescimento (CTPC), com rendimento bem menos interessante e um prazo um pouco superior (máximo de sete anos).

Se até ao ano anterior os CTPM eram um produto que se destacava no panorama das aplicações de capital garantido, atualmente nem os substitutos Certificados do Tesouro Poupança Crescimento, nem os Certificados de Aforro (CA), rendem mais de 0,5% líquidos no primeiro ano. Se tivermos em conta que a inflação estimada para 2018 e 2019 é de 1,5%, ambos vão proporcionar rendimento real negativo.

Certificados de Aforro a cair desde 2016

Atualmente está em comercialização a série E (igual à D) e cujo rendimento depende da Euribor a 3 meses acrescida de 1%. Com a Euribor negativa, este produto rende muito pouco (0,5% de taxa base líquida).

Depois de um período em que o montante total aplicado em Certificados registou alguma estabilidade, foi precisamente após o mês de outubro do ano passado que se inverteu novamente a tendência e o montante aplicado em Certificados de Aforro voltou a diminuir. Já o montante aplicado em Certificados do Tesouro (acumulado nas várias emissões) tem aumentado. 

CERTIFICADOS DE AFORRO vs. CERTIFICADOS DO TESOURO
(montante total aplicado em milhões de euros)


Certificados de Aforro e do Tesouro
O montante aplicado em Certificados de Aforro está em queda desde final de 2016. Os Certificados do Tesouro, todas as versões desde 2010, acumulam já um montante que ultrapassa o dos Certificados de Aforro. Fonte: IGCP.


Para os próximos anos, os resgates devem continuar, pois a série C, disponível entre 2008 e 2015 pelo prazo máximo de 10 anos, está a atingir a maturidade a partir deste ano.

O nosso conselho: subscrever ou não certificados?

 • A série atual dos Certificados de Aforro (série E) poderá vir a ser interessante num contexto de subida da Euribor. Mas como esta ainda não descolou, opte pelos melhores depósitos de curto prazo. Se tem as séries anteriores, nomeadamente as série A e B, mantenha, pois estão a render 2% líquidos. Relativamente à série C, as taxas variam entre 1% e 2,5% brutas, ou seja, entre 0,7% e 1,8% líquidas (incluindo o prémio de permanência): poderá manter.

• Relativamente aos Certificados do Tesouro, se é dos felizardos que subscreveu as primeiras versões (Certificados do Tesouro e Certificados do Tesouro Poupança Mais), deve mesmo manter, de preferência até ao vencimento. Atualmente não encontra taxas superiores em produtos e capital garantido. Quanto aos Certificados do Tesouro Poupança Crescimento, são uma opção menos interessante. Ainda assim, no contexto atual, podem ser uma opção se o seu objetivo é aplicar a longo prazo sem risco. As taxas anuais são crescentes, variando entre 0,75% e 2,25% brutas e, a partir do segundo ano, pode acrescer um prémio em função do PIB. Ainda assim, não espere rendimentos surpreendentes (TAEL mínima de 1%, se mantiver pelo prazo máximo de sete anos).

 

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