O Estado escolheu a véspera do Dia Mundial da Poupança para anunciar o novo produto de aforro de dívida pública para os particulares: os Certificados do Tesouro Poupança Crescimento (CTPC). Com o início das subscrições dos CTPC suspendem-se as novas subscrições dos anteriores Certificados do Tesouro Poupança Mais. Mas se já tem CTPM deve mantê-los. Quanto ao novo produto, o seu interesse diminuiu bastante relativamente aos CTPM, como vamos ver detalhadamente na análise seguinte.
Prazo de 7 anos e a partir de 1000 euros
Os CTPC são emitidos por prazos de sete anos e o mínimo de subscrição é de 1000 euros (nos anteriores CTPM o montante mínimo era igual, mas o prazo era de cinco anos).
Cada subscrição vence juros com uma periodicidade anual (não há capitalização de juros) e o resgate só é possível um ano após a data de subscrição. Assim, decorrido o primeiro ano, poderão ser efetuados resgates, em qualquer altura, acarretando a perda total dos juros decorridos desde o último vencimento de juros até à data do resgate.
Juros anuais a taxa crescente até 2,25%
As taxas de juro fixadas para as subscrições a realizar a partir de 30 de outubro variam entre 0,75% e 2,25% bruta, como se pode ver no gráfico. Nesse mesmo gráfico comparamos também com as taxas que existiam nos anteriores Certificados do Tesouro Poupança Mais.
Em termos efetivos rende apenas 1%
Se calcularmos a taxa anual efetiva, com base nas taxas brutas anuais, este produto rende apenas 1% líquidos ao ano, bastante menos do que os 1,6% garantidos pelos CTPM. Há assim uma clara diminuição do rendimento.
Prémio em função do PIB a partir do 2.º ano
Mas, além das taxas fixas, há ainda um fator adicional a ter em conta no rendimento anual: a partir do segundo ano é acrescido um prémio correspondente a 40% do crescimento médio real do PIB a preços de mercado nos últimos quatro trimestres conhecidos no mês anterior à data de pagamento de juros.
O prémio apenas tem lugar no caso do crescimento médio real do PIB ser positivo e fica limitado a um máximo de 1,2% em cada ano (que é atingido se o crescimento do PIB for de 3%).
Fizemos uma simulação em que supomos uma taxa de crescimento do PIB anual de 2%, sempre, durante os próximos anos. É uma simulação bastante otimista e, mesmo nesses caso, o rendimento que iria obter com os CTPC (TAEL de 1,5%) é inferior ao mínimo garantido pelos anteriores CTPM (TAEL de 1,6%). Pelo que não se deixe impressionar pelo bónus em função do PIB a partir do segundo ano. Para igualar o rendimento mínimo dos CTPM, o crescimento do PIB teria que ser de 2,5% ao ano, em todos os anos! Coisa que, infelizmente, nos parece muito pouco provável de acontecer. Os CTPC são pouco interessantes e há depósitos com rendimento superior.
No contexto atual, em que os depósitos a prazo rendem praticamente nada (para o prazo de um ano, um depósito rende 0,2%, em média) e os Certificados de Aforro rendem 0,5% líquidos, os CTPC garantem uma TAEL de 1% ao ano mas apenas se aplicar durante os sete anos. Não é um rendimento surpreendente e se aplicar por prazos inferiores é ainda mais dececionante, como pode ver na tabela em baixo.
Apresentamos dois cenários:
No cenário 1 apenas consideramos a taxa base e no cenário 2 supomos que acresce o prémio do PIB supondo uma taxa de crescimento de 2% ao ano. São suposições otimistas, mas conclui-se que a diferença de rendimento entre este produto do Estado e os produtos bancários é agora bastante menor. Por exemplo, para o prazo de um ano, o Banco Invest oferece 1,3% num depósito para novos montantes; o BNI Europa tem depósitos a 5 anos, com e sem mobilização antecipada, que rendem 1,1% e 1,4% líquidos ao ano respetivamente, sendo mais rentáveis que os CTPC. Se tem qualquer um dos Certificados do Tesouro anteriores, deverá manter.
Por exemplo, quem subscreveu logo no lançamento dos CTPM, em 2013, está neste momento a receber um rendimento bruto próximo dos 7%.
N.º de anos de investimento |
Cenário 1 |
Cenário 2 |
1 ano |
0,5 |
0,5 |
2 anos |
0,5 |
0,8 |
3 anos |
0,6 |
1,0 |
4 anos |
0,7 |
1,1 |
5 anos |
0,8 |
1,3 |
6 anos |
0,9 |
1,4 |
7 anos |
1,0 |
1,5 |
TAEL: taxa anual efetiva líquida. Cenário 1: tendo em conta apenas a taxa base. Cenário 2: além da taxa base supomos ainda a taxa de crescimento do PIB de 2% em cada ano.