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Apostar na blockchain com ETF?

Data da publicação: 27/02/2018

Como investir na tecnologia que está por trás da Bitcoin? Foram lançados dois fundos cotados que prometem selecionar as empresas mais promissoras.

A PROTESTE INVESTE tem desaconselhado o investimento na Bitcoin e outras criptomoedas. De facto, sem prejuízo do potencial da tecnologia que está subjacente — a blockchain — as criptomoedas são um investimento especulativo de risco muito elevado.

Mas, se a blockchain tem tanto potencial, como obter lucro a partir dela? É de facto um investimento difícil de concretizar. Desde logo porque o sucesso inicial da Bitcoin (e a facilidade de embolsar milhões com criptomoedas alternativas ou tokens) concentrou todas as atenções. No entanto, o que pouca gente sabe é que a blockchain pode servir de plataforma para muitas outras aplicações além das criptomoedas. Muitas empresas e organizações estão já ocupadas a estudar como usar esta tecnologia para resolver problemas do mundo real.

 

Em janeiro de 2018, foram lançados dois fundos cotados em bolsa (ETF) focados em empresas líderes no desenvolvimento de iniciativas relacionadas com a blockchain: o Reality Shares Nasdaq NexGen Economy (BLCN; ISIN US75605A7028) e o Amplify Transformational Data Sharing (BLOK; ISIN US0321086078). Finalmente uma forma razoável de investir nesta tecnologia promissora?

 

Quem lucra com a blockchain?

 

As vantagens da blockchain estão na segurança da criptografia e no facto de funcionar como um registo distribuído sem depender de uma única autoridade central. A blockchain da Ethereum introduziu ainda smart contracts, uma espécie de aplicações que se auto executam mediante condições estipuladas previamente.

 

Portanto, em termos gerais, todas as áreas onde é necessário registar com elevada segurança e transparência propriedade de bens, transações ou conhecer um percurso numa cadeia de movimentos podem ganhar com a aplicação da blockchain. Naturalmente o setor financeiro é o principal candidato, sobretudo em processos como a validação de transferências de dinheiro e bens ou registos de propriedade, que podem ser morosos e exigir a intervenção de várias partes, nos moldes atuais. Mas não é só o setor financeiro que poderá beneficiar desta plataforma. A IBM e a Intel estão a testar o uso da blockchain na segurança alimentar, permitindo por exemplo acompanhar o percurso do peixe desde que é pescado até ao prato do consumidor.

 

Sendo assim, os investimentos nesta área tendem a ser de 3 tipos. Desde logo, os gigantes da tecnologia com os meios e know-how técnicos necessários. Depois, os setores que mais podem beneficiar ou sofrer disrupção, como o setor financeiro. Finalmente, os fabricantes de chips e material informático. Neste último caso, pode-se mencionar o exemplo das fabricantes de placas gráficas, a NVIDIA e AMD, que registaram um grande aumento de procura pelos seus produtos da parte de “mineiros” de criptomoedas

 

O modelo de negócio pode variar: não só criar novas alternativas a produtos atuais, mas também controlar o desenvolvimento das plataformas que vão servir de base a produtos futuros, ou simplesmente conseguir reduções de custo.

 

Várias empresas têm já produtos numa fase avançada de desenvolvimento ou mesmo prontos para utilização. A Intel tem parceiros de peso (Huawei, Amazon) na sua iniciativa Sawtooth (cujo protocolo tem como fator diferenciador dispensar o uso de mineiros na validação de transações, com evidentes vantagens a nível da eficiência energética).

 

O banco JP Morgan Chase, cujo CEO Jamie Dimon é um crítico ruidoso da Bitcoin, foi um dos primeiro a apostar na área e tem o seu projeto Quorum, baseado na tecnologia da Ethereum mas com as adaptações e melhorias necessárias à indústria financeira, nomeadamente a nível da segurança.

 

Já a Microsoft procura integrar esta tecnologia na sua solução de cloud Azure, com o sistema Coco, que já é compatível com o protocolo da Ethereum (e com outros, no futuro). Isto permitirá às empresas mais facilmente criar e manter versões próprias de blockchains. A dona do Windows anunciou que, entre outros, o JP Morgan e a Intel se comprometeram a integrar as suas soluções no Coco.

 

Contudo, há que relativizar: estas atividades têm um peso praticamente irrelevante nos resultados atuais das empresas, pelo que os benefícios desta aposta só se irão materializar a prazo e de forma algo diluída entre as restantes atividades.

 

Onde investem os ETF da blockchain?

 

Na lista de constituintes dos dois ETF encontramos muitas semelhanças, contendo alguns dos maiores nomes do setor tecnológico e financeiro. Nada surpreendente, se considerarmos o que foi dito acima.

 

CARTEIRA DOS ETF

BLCN

BLOK

Cisco Systems

Taiwan Semiconductor

Intel

Digital Garage

Overstock.com

Nvidia

SBI Holdings

Overstock.com

IBM

Square

Microsoft Corp

GMO Internet

Nvidia

IBM

Deutsche Boerse

SBI Holdings

Hitachi

Red Hat

Barclays

Intel

Principais posições a 21 de fevereiro

 

Entre os dois, o BLOK tem uma estratégia mais direcionada, menos diversificada. As 10 maiores posições representam quase metade (49%) do património do ETF, contra apenas um quarto (25%) no BLCN. Além disso, aposta de forma mais clara no hype das criptomoedas, o que pode não ser uma vantagem. Detém em carteira nomes que nos levantam dúvidas, como por exemplo a Eastman Kodak (que já comentámos anteriormente), Riot Blockhain ou a Hive Blockchain Tecnologies. Estas duas últimas são exemplos de empresas que subitamente anunciaram projetos na área da blockchain (e alteraram o nome) sem que o seu negócio tivesse qualquer relação significativa com a área.

 

No caso da Riot Blockchain, é uma empresa de biotecnologia que até outubro do ano passado se chamava Bioptix. A Hive era uma antiga mineira de ouro chamada Leeta Gold. Mais significativo, a informação disponível sugere que são sobretudo “mineiros” de criptomoedas, sem apostar em desenvolvimentos tecnológicos da blockchain propriamente dita. Trata-se apenas de criar espaços físicos onde se instala o hardware necessário para processar os algoritmos da Bitcoin (e outras moedas virtuais). É um modelo que está vulnerável a 2 grandes riscos específicos: em primeiro lugar, disrupção tecnológica. Por exemplo, evoluir para modelos diferentes de validação e segurança das transações, que reduzem bastante o papel dos “mineiros”. Em segundo lugar, se o modelo de negócio vingar, qualquer investidor com bolsos fundos poderá replicar a atividade destas empresas – não há barreiras à entrada.

 

Por outro lado, a maior diversificação do BLCN tem também algumas desvantagens. Sendo que as principais posições do BLCN são as principais empresas do setor tecnológico (ainda que com uma “pitada” do setor financeiro), os resultados provavelmente não serão dramaticamente diferentes do que poderá obter com um ETF ou fundo do setor tecnológico eficientes.

 
 

Conselho: perto, mas não o suficiente

 

Estes ETF, ainda sem histórico, não nos parecem suficientemente interessantes para recomendar a compra. Com efeito, acabam por se distinguir pouco dos ETF do setor tecnológico, com a agravante de possuírem custos superiores: o custo anual de gestão (TER) destes ETF é de 0,70% no BLOK e 0,68% no BLCN. Por comparação, dois dos maiores ETF do setor tecnológico, Technology Select Sector SPDR e Vanguard Information Technology têm custos anuais de apenas 0,14% e 0,10%, respetivamente. Se já os tem em carteira, pode manter.

 

Uma alternativa para beneficiar da blockchain é apostar em empresas específicas. A IBM e Intel, detidas por ambos os ETF, são ações que têm o nosso conselho de compra. Assim, junta os benefícios potenciais que a liderança na blockchain poderá trazer no futuro, às suas qualidades do presente.


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