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Media Talks: Comunicar (com) Liberdade & Responsabilidade

27 abr 2018

A DECO associa-se à Plataforma Portuguesa das ONGD e à Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa (ESCS) para promoverem uma reflexão sobre a liberdade de expressão, a liberdade de informação e a promoção de uma utilização responsável dos meios e dispositivos que temos, hoje, à nossa disposição, para comunicar.

 

 

 

O Encontro Comunicar (com) Liberdade & Responsabilidade insere-se no âmbito de um ciclo de media talks, que serão realizadas pelos promotores, e destina-se a Estudantes e Profissionais de todas as áreas da Comunicação.

 

Recordemo-nos que a liberdade de expressão é um direito humano inalienável e estabelecido pelo artigo 19º da Declaração Universal dos Direitos Humanos e que só a liberdade de informação permite garantir ao público a possibilidade de fazer escolhas esclarecidas e tomadas de decisão autónomas, que visem a prossecução da paz e do desenvolvimento sustentável.

 

Num momento em que expressões como o de “fake news” ou de “post-truth” invadem o nosso quotidiano urge discutir com os jornalistas e profissionais de comunicação mais jovens, bem como com os estudantes dos diversos cursos que hoje podemos acolher sob a designação de “Jornalismo” ou “Comunicação Organizacional” como garantir o acesso informado e responsável à informação.

 

Por fim, esta iniciativa permitirá conhecer as motivações das novas gerações de comunicadores, através da aproximação das organizações da sociedade civil aos interesses daqueles que começam hoje a construir o mundo da informação e a comunicação do futuro.

 

 Data: 2 de maio de 2018

Local: Escola Superior de Comunicação Social - Instituto Politécnico de Lisboa

  

PROGRAMA

 

14h00 - Receção dos participantes

 

14h15 - Abertura das Media Talks

 

14h45 - 15h45 - 1º Round de Workshops

 

  1. Sociedade Civil e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
  2. Liberdade de Informação e Liberdade de Expressão

 

15h45 - 16h00 - Pausa Justa

 

16h00 - 17h00 - 2º Round de Workshops

 

       3. Consumo (jovem) responsável

       4. Literacia Mediática

 

17h00 - 17h30 - Apresentação e Discussão das Conclusões dos Workshops

 

17h30-18h00 - Pausa Justa

 

18h00 - 19h00 - Conferência

“A verdade dos factos na era da pós-verdade”, Prof. Doutor Diogo Pires Aurélio

 

Inscrição:

 

Gratuita, mas limitada aos lugares disponíveis. Deverá inscrever-se através do formulário disponível em: https://goo.gl/forms/dd0A78hiNXNW5D9F2

 

 

APRESENTAÇÃO DOS WORKSHOPS

 

1. Sociedade Civil e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

 

Há muito que se sabe que o Desenvolvimento é um processo complexo e um desafio multidimensional, com interligações entre as diversas variáveis económicas, sociais e ambientais. Há muito que se diz que o crescimento económico não resulta necessariamente num desenvolvimento inclusivo, ou que o desenvolvimento não poderá ser sustentável sem a preservação e defesa ambiental do planeta em que vivemos, nem sem assegurar a satisfação de direitos sociais básicos das populações. No entanto, só em 2015 foi possível conceber uma agenda global com 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), aprovados ao mais alto nível político e que integram estas 3 dimensões numa visão comum e universalmente partilhada do que queremos para a humanidade nos próximos anos.

 

O conceito de Sociedade Civil é complexo e pode ser utilizado de forma mais ou menos alargada. No contexto desta reflexão entendemos que a “Sociedade Civil” abarca todos os diferentes tipos de organizações que não têm fins lucrativos e que, não pertencendo ao setor público e setor privado, fazem parte do que se denomina normalmente de 3º Sector. A vitalidade e relevância das Organizações da Sociedade Civil (OSC) é uma das marcas que identificam democracias saudáveis e consolidadas, funcionando como elemento de equilíbrio de poderes públicos e privados e como instrumentos de exercício de uma cidadania responsável, informada e participativa.

 

Deste modo, considerando a complexidade de implementação de 17 ODS e a importância que as OSC assumem na promoção de um modelo de desenvolvimento verdadeiramente sustentável, é clara a multiplicidade de papéis que a Sociedade Civil assume no âmbito da implementação dos ODS. Desde logo, apresentando uma visão crítica sobre estes Objetivos globais, sublinhando a sua relevância, mas mostrando também as suas contradições e omissões.

 

Para a Sociedade Civil é, pois, absolutamente necessário que a interligação das 3 dimensões do desenvolvimento sustentável resulte numa complementaridade real entre as intervenções de governos (centrais e locais), OSC e empresas. Esse é dos maiores desafios, mas também uma das maiores potencialidades dos ODS. E é fácil também perceber a importância que media, jornalistas e comunicadores terão nesta missão global que a todos nos envolve e implica.

 

 

2. Liberdade de Informação e Liberdade de Expressão

 

25 anos depois de a Assembleia Geral da ONU ter instituído um dia Mundial da Liberdade de Imprensa, celebrado a 3 de maio, muito mudou no jornalismo. As redações modernizaram-se, os jornais impressos vão migrando para o online, o público tornou-se ator do processo noticioso.  Cada vez mais escrutinado, o jornalismo continua a ser um palco privilegiado de disputa pela liberdade de expressão no quadro da liberdade de imprensa.

 

A partir do manuseamento, análise e discussão de um conjunto de dados sobre as condições de exercício da profissão e de trabalhos jornalísticos diversos, pretende-se que cada um dos participantes construa o seu próprio quadro mental sobre a responsabilidade social dos media e o papel do jornalismo na preservação dos valores da democracia.

Que temas dominam a noticiabilidade diária? Quem decide o que é notícia hoje? Com que constrangimentos operam os jornalistas no terreno? Até que ponto as redes sociais e os espaços de comentário ampliam a liberdade de expressão? Há limites desejáveis ou aceitáveis à liberdade de informação? Estas e outras questões servirão de contexto às atividades desenvolvidas durante o workshop.

 

Promover-se-á ainda a discussão sobre o conceito de liberdade de expressão, questionando os seus limites no quadro da defesa do interesse comum.

 

 

3. Consumo (jovem) responsável

 

Quando em 1962, o presidente norte-americano John Kennedy proferiu a célebre frase CONSUMIDORES SOMOS TODOS NÓS, certamente, não previa o extraordinário desenvolvimento mundial da causa da defesa do consumidor.

 

Todos somos consumidores! Todos temos direito à informação para que possamos efetuar escolhas livres, seguras e adequadas às nossas expectativas. Todos precisamos de formação, educação para viver num mundo melhor, mais sustentável! Todos devemos adotar comportamentos de consumo conscientes, efetuar escolhas mais responsáveis, reduzir os consumos e usar os recursos de forma eficiente.

 

Acreditamos que as novas gerações são mais sensíveis aos desafios ambientais emergentes como as alterações climáticas, a sobre-exploração dos recursos, mas enquanto consumidores precisam ter maior consciência do impacte coletivo e ambiental dos seus atos individuais de consumo.

Os consumidores podem e devem consumir melhor e consumir menos, tendo em consideração os impactes ambientais, sociais e económicos das empresas e dos seus produtos. O consumo sustentável é basicamente um conjunto de práticas relacionadas com a aquisição de produtos e serviços que visam diminuir ou até mesmo eliminar os impactes no ambiente.

 

Foi também Kennedy, e ainda nesse discurso, realizado a 15 de março, hoje celebrado mundialmente como o DIA DOS DIREITOS DO CONSUMIDOR, quem, sem rodeios ou pudores, proclamou outra grande verdade da sociedade de consumo: os consumidores são o único grupo importante na economia que não é efetivamente organizado, cujas opiniões muitas vezes não são ouvidas.

 

Todos temos o DEVER de nos associar-nos, de agirmos, de sermos o “único grupo importante na economia” que faz ouvir a sua voz e que faz toda a diferença! SOMOS O QUE FAZEMOS!

 

4. Literacia(a) Mediática(a)

 

A literacia mediática fortalece a capacidade das pessoas de usufruírem dos seus direitos humanos fundamentais, em especial os expressos no artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos: “Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão.” Agora, se há mais de já 40 anos que os processos da literacia mediática fazem parte da agenda de políticos, investigadores e profissionais da comunicação e da educação, é inegável que nos últimos 25 anos a esfera mediática sofreu um processo acelerado de mutação e que, nos últimos tempos, as questões das competências críticas das mensagens mediáticas se tornaram centrais para a vida dos cidadãos.


Este workshop sobre literacias mediáticas sublinha a forma como os meios de comunicação de hoje estão a condicionar a relação dos cidadãos com o mundo e, ao mesmo tempo, a ampliar o papel que o cidadão responsável tem na democracia. Se a literacia mediática propõe dotar os sujeitos de conhecimentos e ferramentas que lhes permitam funcionar como cidadãos autónomos e capazes de realizar um consumo crítico dos meios de comunicação social, ela torna-se uma competência fundamental, na medida em que evita a autonomização da receção do discurso mediático e ativa uma interpretação crítica do mesmo, tornando-se um antídoto que neutraliza ou evita possíveis efeitos negativos de estratégias preconceituosas.


A partir de alguns exercícios práticos, os participantes deste workshop poderão concluir que a literacia mediática:


1.  não se limita a um só meio e que se ocupa de vários meios de comunicação;
2. lida com um conjunto variado de competências, atividades ou práticas;
3. o seu objetivo de atuação é a melhoria da vida dos indivíduos;
4. protege contra os efeitos negativos trazidos pelo discurso mediáticos;
5. em constante desenvolvimento e atualização;
6. num espaço multidimensional que implica domínios cognitivos, emocionais, estéticos e morais

 

Organização:

  • DECO - Associação Portuguesa para Defesa do Consumidor
  • Escola Superior de Comunicação Social - Instituto Politécnico de Lisboa
  • Plataforma Portuguesa das ONGD