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Frutas e legumes a preço justo

27 janeiro 2014

27 janeiro 2014

As grandes cadeias compram fruta e legumes no mercado global, como abacaxi da Costa Rica, feijão-verde de Marrocos e espargos do Peru. Mas em muitos países trabalha-se em condições muito duras, sem direitos laborais, em troca de salários míseros. Os consumidores são fundamentais no apoio ao comércio justo.

Sem um preço justo, os direitos ressentem-se. Os principais grupos de distribuição e supermercados apresentam políticas de compra ética bastante detalhadas, mas nem sempre as aplicam. As negociações centram-se sobretudo no preço. Forçados a oferecer o preço mais baixo possível, os produtores têm pouca margem para pagar melhor aos trabalhadores, investir mais em segurança ou em melhorias ambientais.

Criar uma entidade reguladora
Adela Torres, representante dos sindicatos dos produtores de bananas Colsiba, apresentou mais de 40 mil assinaturas junto de outros representantes de Organizações Não Governamentais, associações de consumidores e de comércio justo. Objetivo: pedir à Comissão Europeia que diminua os abusos de poder praticados pelos supermercados. Através desta iniciativa “estamos a dizer que nós (trabalhadores das plantações) não concordarmos com o estado de coisas e exigimos o pagamento de um preço justo pelos produtos que exportamos”, explica Torres. A principal exigência que endereçam à Comissão de Mercado Interior e Proteção do Consumidor da União Europeia é a criação de uma entidade reguladora, com capacidade para sancionar os hipermercados que persistem em práticas abusivas. Alguns exemplos: comprar abaixo do preço de custo, pedir descontos retroativos, pagar com atraso, exigir ofertas de produtos ou impor embaladores e distribuidores. Devido à pressão sobre o preço e outras exigências, “o empresário tem dificuldade em cumprir e, então, enfrentamos despedimentos, encerramento de plantações e situações como o não pagamento à segurança social”.

Compromisso de maior alcance
Na opinião de Alistair Smith, coordenador de Banana Link, outro dos grupos envolvidos na promoção de acordos comerciais mais justos, conseguir este objetivo não é uma quimera. Um grande passo em frente é o facto de um dos maiores supermercados do mundo, Tesco, ter anunciado melhorias para 2015. Um compromisso destes “está a colocar na mesa o tema da produção sustentável” e a “lançar um sinal às outras cadeias de distribuição mundiais de que as coisas têm de mudar”.

O que podem fazer os consumidores?
• Informar-se: conhecer esta realidade e entender que os produtos têm um custo social e ambiental.

• Segundo Alistair Smith, podemos “perguntar nas lojas a origem da fruta e o que sabem sobre as condições de trabalho em que são produzidas e insistir para obter uma resposta”. Segundo Anna Cooper, também da Banana Link, existe um site com informação em primeira mão sobre alguns dos problemas sociais e laborais destes trabalhadores e ações e petições no setor: www.frutasjustas.org.

• Participar em campanhas organizadas por associações de consumidores e Organizações Não Governamentais.
Trata-se de demonstrar o interesse e a preocupação pela origem do que compramos: só com uma pressão persistente e sustentada no tempo se conseguem mudanças empresariais e legislativas relevantes.


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