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Desperdício: mais de 20% afirmam deitar fora mais de 10% dos alimentos

20 janeiro 2014 Arquivado

20 janeiro 2014 Arquivado

O reaproveitamento de alimentos ou refeições está nas mãos de consumidores, restaurantes e supermercados. Mas há muito a explorar quanto a cuidados e procedimentos caseiros para evitar o desperdício alimentar.

A Europa inutiliza todos os anos milhões de toneladas de alimentos. Além das implicações económicas, colocam-se também questões ambientais e sociais. Em Portugal cerca de 1 milhão de toneladas de alimentos, 324 mil das quais em casa dos consumidores, vai para o lixo, revela o Projeto de Estudo e Reflexão sobre Desperdício Alimentar (PERDA). A este propósito, realizámos um inquérito, do qual obtivemos 1721 questionários. Cerca de um terço dos inquiridos, por não ter tido cuidado em ajustar a quantidade de alimentos a comprar ou a cozinhar, deita fora restos de comida. Além disso, quase metade compra demasiados géneros alimentícios por estarem em promoção. Assim, o que, à partida, é mais barato, acaba por ser mais caro, pelo facto de não se conseguir consumir a totalidade do que se compra. Com a data de validade quase no final, os preços descem em muitos hipermercados e supermercados.

Mas alguns sinais demonstram haver mudanças na forma de encarar a alimentação. Uma peça de fruta com uma forma menos uniforme não é menos nutritiva ou saudável do que outra que segue as normas de tamanho estabelecidas. É isso que pensam os 19% dos inquiridos que afirmaram comprar comida a preços mais em conta por ter alguns “defeitos” na aparência. Pedir para embalar as sobras nos restaurantes permite restringir o desperdício e que, nos últimos 12 meses, foi tomada por metade dos que responderam ao nosso inquérito. Prazos de validade mais alargados, compras restringidas ao necessário e doação de alimentos a instituições por restaurantes e supermercados são gestos que os nossos inquiridos apontam como contributos para a redução do desperdício na área alimentar.

O desaproveitamento de comida nos países industrializados (222 milhões de toneladas) é quase tão elevado como a produção total líquida de alimentos na África Subsariana (230 milhões de toneladas), segundo um estudo da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). Numa altura em que, de acordo com este organismo, se estima ser necessário aumentar a produção alimentar em 70%, para dar de comer aos 9 mil milhões de habitantes que se prevê existirem em 2050, como lidar com tanto desperdício? O Parlamento Europeu propõe-se reduzir para metade, até 2025, o desperdício alimentar no seio da União Europeia.