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Compras alimentares: preço comanda escolha

24 março 2015

24 março 2015

A maioria dos consumidores opta pelas compras nos hipermercados, em busca de preços mais baixos, revela-nos um inquérito que realizámos a quase 2 mil consumidores. O excesso de químicos e o receio de doenças transmitidas pelos alimentos são as principais preocupações em matéria de segurança alimentar.

Sete em cada dez inquiridos optam pelo hipermercado para fazer as suas compras. O preço é de longe o fator que mais contribui para a escolha deste tipo de estabelecimento (80% dos casos), seguido da proximidade, da variedade e da maior oferta de produtos mais baratos. Dois terços dos participantes no estudo afirmaram usar com frequência cupões de descontos. Apenas 4% dos inquiridos têm o hábito de fazer as compras online.

O preço sobrepõe-se a outros aspetos como a procura de produtos biológicos ou de comércio justo. Um quinto dos consumidores opta com frequência por produtos em promoção, de venda rápida (perto do fim do prazo), e dois terços têm o hábito de comprar grandes embalagens, com várias unidades. Logo após o preço, procuram um alimento saudável e saboroso (79% e 74%, respetivamente).

Entre setembro e novembro de 2014, realizámos um inquérito junto de uma amostra aleatória de consumidores entre os 25 e os 74 anos. Principal objetivo: perceber como escolhem o local das compras e os alimentos que consomem. Ao todo, participaram no estudo 1725 consumidores.
Muito desperdício alimentar
Mais de metade dos inquiridos confessa deitar para o lixo alimentos fora de prazo. Esta atitude é prudente no caso de produtos perecíveis (cujo embalagem refere “Consumir até”), como carne ou peixe frescos, carnes frias e enchidos, ovos, leite do dia, bolos com creme ou queijo fresco. Mas os produtos com indicação “Consumir preferencialmente antes de” podem ser consumidos findo o prazo de validade, desde que a embalagem esteja fechada e o alimento bem guardado, segundo o modo de conservação aconselhado. Mas cerca de dois terços dos inquiridos não sabem distinguir entre estas designações, o que explica que 40% deitem fora produtos cujo prazo preferencial de consumo foi ultrapassado. Por exemplo, a massa ou o café poderão ter textura e sabor um pouco alterados após o prazo indicado, mas não há risco de intoxicação alimentar. Siga as nossas dicas.

Antes de comprar produtos em promoção, verifique o prazo e assegure-se de que dispõe do tempo adequado para os consumir. Ora, 10% dos inquiridos admitem que os guardam, por vezes, mais do que uma semana no frigorífico. Se acabarem no lixo, terá desperdiçado comida e dinheiro. Deitar fora porque se cozinhou comida em excesso é apontado por 14% dos inquiridos.
Químicos, pesticidas e ambiente
Em que se traduzem as escolhas por produtos mais saudáveis e amigos do ambiente? Tal passa sobretudo por tentar escolher, sempre que possível, frutas e vegetais avulsos (71%) e cuja forma e aparência não sejam perfeitas (36 por cento). Justificação: serem, geralmente, mais baratos e os inquiridos acreditarem que contêm menos químicos, como pesticidas. O nosso inquérito revela que os químicos e pesticidas nos alimentos estão entre as principais preocupações em matéria de segurança alimentar. Quase um terço opta também, de preferência, por produtos locais, outra medida em prol do ambiente. Ao comprar bananas da Costa do Marfim ou mangas de África do Sul, está a pagar o transporte, a embalagem e a refrigeração destes bens e a contribuir para a emissão de CO2 e de outros gases com efeitos de estufa.
Menos carnes vermelhas
Muitos consumidores têm consciência de que é aconselhável comer menos carnes vermelhas por uma questão de saúde e devido ao impacto ambiental provocado pela criação intensiva de gado. A carne de bovino é a que mais recursos naturais, energia, terras, fertilizantes e pesticidas consome e a que mais contribui para o aquecimento global do Planeta e para a poluição das águas, segundo um estudo da Autoridade Sanitária Veterinária do Reino Unido. No polo oposto está a criação de frango e peru e 61% dos inquiridos têm essa noção. Mais de um terço dos inquiridos afirma já ter comprado menos carne nos últimos dois anos e diminuído o consumo de proteínas animais. Quase metade tenciona começar a comer mais peixe em vez de carne e um quinto pensa reduzir o consumo de proteínas animais e optar por substitutos vegetais, como grão, feijão, soja ou tofu.
Rótulos mais claros e diretos
Cerca de 6 em cada 10 inquiridos têm o cuidado de ler os rótulos, sobretudo as mulheres, para ver o prazo de validade, saber como bem conservar o alimento, conhecer a origem do produto e os ingredientes.

A maioria dos consumidores reivindica informações mais claras e fáceis de ler e perceber: 44% gostariam que os rótulos fossem diferentes, por exemplo, com um código de cores relacionado com o benefício para a saúde.

Em matéria de ambiente, o logótipo biológico europeu, usado, por exemplo, em fruta, legumes, carne e ovos, é uma excelente iniciativa, já que se pode identificar facilmente alimentos produzidos segundo critérios ecológicos precisos e fazer uma escolha informada. Esta certificação é uma garantia de que o alimento respeita o ambiente e o bem-estar animal.