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Um ambiente de justiça para os consumidores

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A Alfândega do Porto recebeu uma conferência internacional sobre os consumidores e a justiça ambiental, numa organização conjunta da DECO e do BEUC, a Organização Europeia dos Consumidores.

  • Texto
  • Ricardo Nabais e Cláudia Maia
22 outubro 2018
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  • Ricardo Nabais e Cláudia Maia
conferencia Deco

José Pedro Tomaz

As perguntas podem não valer um milhão de euros, mas a conta andará lá perto: depois de uma catástrofe natural de grandes proporções, quem paga os estragos? E se esses fenómenos extremos forem cada vez mais frequentes? E se afetarem a saúde pública? Quais as consequências das alterações climáticas na vida e nos bolsos dos consumidores? Quem paga a fatura da transição energética e as novas formas de mobilidade? Estas foram apenas algumas das questões em debate.

De uma forma direta ou indireta, os participantes na conferência internacional Os Consumidores e a Justiça Ambiental, que animou, a 12 de outubro, a Alfândega do Porto, foram dando algumas respostas. As questões das alterações climáticas e o consumo sustentável formam o novo horizonte da cidadania. Daí que o presidente da DECO, Vasco Colaço, tenha sublinhado, logo na intervenção de abertura: “É preciso promovermos, sem mais hesitações, a transformação da economia em grande escala, sermos mais ambiciosos na redução das emissões, no reordenamento dos usos do solo e do espaço urbano. É uma tarefa esmagadora que nos convoca a todos, na nossa dimensão individual, mas também na nossa dimensão coletiva”.

A dimensão da tarefa é enorme, já que a justiça será um conceito que atravessa quase todos os campos da vida dos cidadãos. “A justiça ambiental apela ao reconhecimento da dignidade humana, à garantia do acesso por todos aos bens essenciais, e à redução das iniquidades na saúde e na qualidade de vida”, reconhece Colaço.

João Matos Fernandes, ministro do Ambiente, também acentua o papel dos consumidores como algo fundamental para a adaptação aos tempos que aí vêm. A começar pelos hábitos de consumo, que têm de passar por uma adaptação que pode ser percebida como algo doloroso: “Há uma dissonância entre aquilo que preocupa o consumidor e aquilo que ele faz ou está disposto a pagar”, defendeu, também na sessão inaugural. Pagar um pouco mais em nome de uma causa maior é uma via. Mas a mudança de atitudes poderá passar uma atitude muito simples: “mais do que tudo, temos que, continuando a usar o mesmo, comprar menos”, resume Matos Fernandes.   

Esta adaptação passa por áreas tão diversas quanto as comunidades sustentáveis, a saúde pública, a justiça económica aliada à ambiental ou a mobilidade.

 

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