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Três quartos dos seniores estão satisfeitos com a vida

Com autonomia e boas relações com a família, os seniores que vivem em casa precisam, sobretudo, de objetivos para o futuro. As condições económicas e a qualidade de vida, por cá, são piores do que na Bélgica, em Espanha e em Itália.

  • Dossiê técnico
  • Ana Almeida
  • Texto
  • Fátima Ramos
01 abril 2021
  • Dossiê técnico
  • Ana Almeida
  • Texto
  • Fátima Ramos
Casal de idosos sentado no sofá com um cão

iStock

Envelhecer em casa, no conforto das memórias e com ligação aos que foram dando significado à vida, se possível, com mobilidade e qualidade de vida, é certamente o sonho da maioria dos portugueses. Mas permanecer em casa será sinónimo de felicidade? Fomos à procura da resposta dos protagonistas, e descobrimos que o País com mais de 65 anos não é tão deprimente como, por vezes, transparece. O nosso inquérito a 1120 portugueses mostra que grande parte está satisfeita com a vida, em particular, no que respeita à liberdade para tomar decisões, ao respeito que sente da parte dos outros e à forma como ocupa o tempo. O envelhecimento é encarado pela grande maioria como algo positivo.

Experiência de 1120 seniores não institucionalizados

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As alterações físicas próprias da idade não atingem ou são consideradas positivas pela maioria dos inquiridos. Apenas cerca de um quinto as vê como desvantagem. Sensivelmente a mesma proporção revela ter problemas de audição e/ou de visão e má condição física.

Nos casos em que há falta de autonomia (26%), a ajuda é necessária, sobretudo, em deslocações para fora da zona de residência, tarefas domésticas e compras. No caso de precisarem de apoio para irem a uma consulta médica, os filhos ou netos podem faltar ao trabalho para acompanhá-los, desde que apresentem a justificação. Todavia, perdem a remuneração e não têm direito a nenhum subsídio.

Autonomia para as tarefas diárias

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Tarefas em que é preciso ajuda

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O privilégio de avançar na idade

Com mais ou menos maleitas e limitações, a grande maioria sente-se privilegiada por envelhecer, preocupando-se em dar bom exemplo e transmitir experiências aos mais novos. 

Três quartos dos inquiridos sentem-se realizados com o que conseguiram obter durante a vida e 67% louvam o reconhecimento que receberam. Contudo, cerca de um quinto mostra insatisfação com o seu nível de atividade atual e 23% estão desagradados com a falta de oportunidades para perseguirem objetivos.

A questão de a idade madura ser ou não uma fase particularmente depressiva da vida divide opiniões: cerca de 40% dizem que sim e outros tantos estão convencidos do contrário. Há ainda os que a veem, sobretudo, como um período de perdas (57%) e os que conseguem discernir muitos aspetos agradáveis. Porém, no fim das contas, são muitos mais os que percebem a doçura (82%) do que a amargura (2%) da idade.

A maioria sente-se psicologicamente bem, mas cerca de um terço revelou cansaço frequente no mês anterior ao inquérito, e um pouco mais de um quarto teve dificuldades em dormir. Tristeza, ansiedade, medo de morrer e solidão foram também comuns para cerca de um quinto dos inquiridos. Estas reações podem dever-se às restrições impostas pela pandemia, já que muitos reduziram ou deixaram de fazer certas atividades, além de verem adiados cuidados de saúde.

Qualidade de vida nacional sem brio na Europa 

Dos inquiridos portugueses, 68% afirmam uma boa ou muito boa qualidade de vida, e só 8% a classificam de má ou muito má. Estas avaliações são influenciadas sobretudo pelas relações sociais e pela condição física.

Em absoluto, os números são positivos, mas ficam muito aquém dos registados nos restantes países do estudo – Espanha, Bélgica e Itália –, onde 76% (Bélgica) e 80% dos inquiridos (Espanha e Itália) apontaram a boa ou muito boa qualidade de vida.

Qualidade de vida em quatro países

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É também por demais conhecido que a situação financeira dos portugueses é mais difícil do que a da generalidade dos países da União Europeia. Neste estudo, a questão volta a ser evidente. Quase oito em cada dez inquiridos em Portugal estão reformados, mas 8% ainda exercem atividades remuneradas. Em 42% dos casos, os ganhos dão para os gastos, sem grande conforto, e 28% revelam uma situação económica difícil ou muito difícil. Lá fora, a realidade é menos dramática: só 7% (italianos) a 19% (espanhóis) revelaram escassez de recursos.

Portugal em situação financeira mais difícil

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Como fizemos o estudo

Em setembro e outubro de 2020, enviámos um questionário pelo correio a uma amostra da população sénior não institucionalizada. Objetivo: saber como convive com o avançar da idade, a avaliação que faz da sua qualidade de vida e a forma como a pandemia se refletiu no quotidiano.

Obtivemos 1120 respostas válidas de indivíduos entre os 65 e os 84 anos. Os dados foram ponderados, de forma a representarem a população nacional em termos de idade, género, nível educacional e área de residência.

 

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