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Sobre-endividamento: famílias pedem ajuda tarde demais

09 fevereiro 2015
Insolvência

09 fevereiro 2015

Estabilizou o número de pedidos de ajuda ao Gabinete de Apoio ao Sobre-endividado, da DECO, mas a associação consegue ajudar cada vez menos famílias a reestruturar as suas dívidas. Motivo: já estão em incumprimento quando pedem a intervenção. Reaja aos primeiros sinais de dificuldade.

Pela primeira vez desde 2000, a causa do endividamento excessivo não é o desemprego, mas os cortes nos salários e nas pensões. O sobre-endividado que pede ajuda à DECO tem mais de 40 anos, é casado, tem um filho a cargo, frequentou o ensino secundário e trabalha. Porém, "o seu rendimento não é suficiente para honrar os compromisso assumidos, apesar de ter tomado as decisões de consumo de forma responsável". O retrato é traçado por Natália Nunes, responsável pelo Gabinete de Apoio ao Sobre-endividado.

Mais de 29 mil famílias pediram ajuda à DECO, em 2014, mas só 2800 tinham condições para reestruturar as dívidas. Ou seja, só 1 em cada 10 famílias consegue renegociar os seus créditos. Em primeiro lugar, porque 63% já estão em incumprimento quando contactam a associação. Em segundo lugar, os encargos com o crédito ultrapassam, em média, 73% do rendimento. Cada família que está a ser acompanhada pela DECO tem, em média, um rendimento mensal de cerca de € 1000 euros e paga, todos os meses, € 778 por 4 créditos. Sobram € 222 para as restantes despesas: alimentação, água, luz, gás, habitação comunicações, entre outros. Mesmo assim, o cenário não é tão negro como o registado em 2013, quando a taxa de esforço chegou aos 98 por cento. Para pôr um travão ao sobre-endividamento, a associação aconselha que os encargos com o crédito não ultrapassem 40% do rendimento líquido mensal da família. 

Os créditos pessoais e o cartão de crédito estão no topo do incumprimento. Natália Nunes alerta: "quando uma família pondera recorrer a um crédito pessoal, deve  fazer uma avaliação prévia sobre a sua real necessidade e ponderar se não é mais vantajoso tentar poupar pelo menos uma parte; a seguir tem de analisar se o orçamento familiar suporta uma nova prestação mensal do crédito". Caso digam "sim" ao crédito pessoal, Natália Nunes sublinha a importância de pesquisar a melhor oferta do mercado. "Faça diversas simulações para diversos montantes, para vários prazos de pagamento e recolha informação sobre as condições de financiamento (comissões, seguros exigidos, impostos, penalizações por reembolso antecipado)". Esta responsável lembra ainda que o principal dado a comparar é a taxa anual de encargos efetiva global (TAEG).

Em 2014, a associação conseguiu reestruturar os contratos de crédito em 71% dos casos e em 11% reestruturou a dívida. Se está numa situação de sobre-endividamento ou de dificuldades financeiras, consulte o nosso simulador sobre reeestruturação da dívida do crédito à habitação. Assim, obterá uma primeira análise. Se o seu caso já se encontrar em tribunal, o Gabinete de Apoio ao Sobre-endividado já não pode intervir e deverá recorrer aos serviços de um advogado. Caso não tenha meios que lhe permitam custear os honorários deste profissional, pode recorrer ao apoio judiciário, a solicitar nos serviços da Segurança Social.




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