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Ricardo Paes Mamede na estreia de debates Parar para Pensar

O primeiro debate Parar para Pensar, iniciativa da DECO PROTESTE e do Expresso, é sobre economia. Ricardo Paes Mamede, economista e professor no ISCTE, é um dos protagonistas a entrar em ação esta 5.ª feira, às 17 horas.  

  • Texto
  • Deonilde Lourenço e Nuno César
17 junho 2020
  • Texto
  • Deonilde Lourenço e Nuno César
Estátua homem a pensar debates Parar para pensar

Antes do debate de 18 de junho, ao qual todos os consumidores podem aceder, desafiámos Ricardo Paes Mamede para traçar cenários para sair da atual crise. Antecipamos os principais momentos da entrevista exclusiva que vamos publicar na investigação da revista PROTESTE n.º 425, de julho, sobre o impacto financeiro da pandemia.

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“Duração da crise depende da resposta das autoridades”

“Teremos várias centenas de milhares de pessoas a enfrentar situações financeiras difíceis”, alerta o especialista.

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Ricardo Paes Mamede, economista e professor no ISCTE.

Como vê a recuperação desta crise ao nível nacional e internacional?

A pandemia tem vários custos associados: despesas com equipamento e serviços de saúde, redução mais ou menos total e mais ou menos duradoura da produção em vários setores, redução do consumo e do investimento devido à perda de rendimentos e à incerteza, acumulação de dívidas das empresas, das famílias e dos Estados e aumento do crédito malparado junto da banca. A duração e a intensidade vão depender da resposta das autoridades, bem como da evolução da pandemia.

Os portugueses estão mais bem preparados para lidar com esta nova crise do que estavam em 2008?

A fragilidade da economia portuguesa não é hoje menor do que era há 10 anos. Além dos défices estruturais que já existiam, temos mais endividamento público e privado, e uma dependência acrescida do turismo, que está, e vai ser, dos setores mais afetados. O que parece haver de novo, e que pode ser positivo, é a disponibilidade das lideranças europeias para lidar de modo diferente com problemas comuns a outros países.

Qual o impacto da recessão sobre o orçamento das famílias?

A sociedade portuguesa é muito desigual. Estudos sugerem que os mais penalizados pela perda de emprego e pela quebra de rendimentos são segmentos da população que eram já mais desfavorecidos, sobretudo trabalhadores com contratos precários e do setor informal. Teremos várias centenas de milhares de pessoas a enfrentarem situações financeiras difíceis.

Prevê-se uma taxa de desemprego de 10 por cento. Que mecanismos serão necessários para atenuar este risco?

Não é de excluir que a taxa seja superior. A incerteza afeta as intenções de consumo e de investimento. O combate ao desemprego tem de passar pela intervenção pública, através do investimento em atividades intensivas em mão-de-obra, e por apoios seletivos e condicionais a alguns setores e empresas.

Os apoios sociais em discussão, como a prestação social de apoio extraordinário, de 348 euros, são suficientes?

Tanto pelos montantes envolvidos, como pela sua abrangência, os apoios anunciados não asseguram os mínimos de subsistência para todas as situações. Mas são uma ajuda importante em muitos casos.

A hotelaria e a restauração foram bastante afetadas. Que áreas podem substituí-las na criação de empregos?

Não sabemos a duração da crise do turismo. A resposta terá de passar pelo estímulo do alojamento e da restauração (promoção da procura interna e adoção de regras e certificações de segurança sanitária), combinado com o lançamento de iniciativas públicas em diferentes áreas, que ajudem a absorver parte da mão-de-obra desempregada daqueles setores. O esforço tem de ser muito diversificado.

Os Estados, incluindo o português, estão a mobilizar recursos para acudir aos cidadãos e às empresas. É inevitável subir impostos?

A subida de impostos poderia ser maior no futuro próximo, caso o Estado não fizesse nada e a economia entrasse numa recessão profunda. Tudo vai depender de como a economia evolui e das medidas que forem adotadas à escala europeia.

Como avalia a proposta de Bruxelas de um Fundo de Recuperação de 750 mil milhões de euros?

Uma medida inédita e importante, que reduz muito as dificuldades de financiamento do Estado português. Por si só, não elimina o risco de assistirmos a uma forte pressão para a contenção das despesas públicas logo que a emergência sanitária passar.

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