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Ementa das cantinas escolares deixa a desejar

A comida servida nas cantinas das escolas dos filhos só convence 39% dos pais. A variedade da ementa, a qualidade dos alimentos e a apresentação das refeições recebem as maiores críticas dos encarregados de educação.

  • Dossiê técnico
  • Carlos Morgado e Dulce Ricardo
  • Texto
  • Maria João Amorim
29 setembro 2021 Exclusivo
  • Dossiê técnico
  • Carlos Morgado e Dulce Ricardo
  • Texto
  • Maria João Amorim
comida a ser servida numa cantina

iStock

A maior parte dos pais avalia medianamente as refeições que os filhos comem na cantina da escola. Apenas 39% dão nota muito positiva. Um em cada dez encarregados de educação considera mesmo que a ementa escolar é má. 

Os aspetos que mais desagradam aos pais, no geral, são a variedade da ementa, a qualidade dos alimentos e a apresentação das refeições. Estes três pontos recebem uma negativa redonda de 15% dos encarregados de educação.

Estas conclusões resultam de um questionário online que endereçámos a encarregados de educação de alunos do ensino público, setor social (IPSS) e privado, que, no último ano letivo, frequentaram a escola entre os 1.º e 12.º anos. Enviámos as questões entre 10 e 15 de setembro e, no total, obtivemos 1042 respostas válidas.

A satisfação com a ementa da cantina é significativamente menor nas escolas públicas, para todos os parâmetros analisados: “variedade/opções da ementa”, “qualidade da comida”, “quantidade de comida (tamanho da dose)", “apresentação/condição da comida (quente, sem espinhas ou ossos pequenos, etc.)” e “satisfação geral com a ementa”.

No ensino público, a percentagem de encarregados de educação que classificam como má a ementa escolar é de 14 por cento. Nas escolas privadas e do setor social, este valor é residual, 3% e 2%, respetivamente.

No extremo oposto, a proporção de pais com filhos em escolas públicas que, no geral, se diz muito satisfeita com a ementa fica-se pelos 34 por cento. Um valor muito abaixo do obtido nas escolas do setor social, 72%, e nas instituições de ensino privadas, onde 58% dos encarregados de educação consideram que a ementa escolar está no patamar “elevado”.

Os parâmetros onde o fosso entre as escolas públicas e as do setor social e privadas é maior são a “qualidade da comida” e o “tamanho da dose”. No primeiro caso, há 17% de pais muito insatisfeitos no ensino público, face a, novamente, valores mínimos nas escolas do setor social (2%) e privadas (4 por cento). No que diz respeito à quantidade de comida servida no prato, esta é chumbada por 13% de pais com filhos em escolas públicas. Os encarregados de educação das IPSS e das privadas praticamente não apontam qualquer crítica ao tamanho da dose (0% e 1%, respetivamente).

Quanto à satisfação “elevada” com a qualidade da comida, nas escolas públicas, apenas três em cada dez encarregados de educação estão muito satisfeitos com a qualidade dos alimentos oferecidos aos filhos nas cantinas. Nas escolas privadas, o número sobe para o dobro – seis em cada dez pais –, e nos estabelecimentos do setor social oito em cada dez pais dão classificação alta à qualidade da comida. O mesmo acontece com a quantidade de refeição servida no prato: nas escolas públicas, apenas 31% dos pais estão muito satisfeitos, valor que contrasta com os 67%, nas escolas privadas, e 81% nos estabelecimentos do setor social.

Não há diferenças na satisfação com a ementa escolar entre os vários níveis de ensino (1.º, 2.º e 3.º ciclos, e secundário).

Exigimos mais atenção do Ministério da Educação e dos grupos parlamentares

Os resultados negativos do nosso inquérito online em relação à satisfação dos pais de alunos em escolas públicas com as ementas das cantinas levam-nos a reavivar alguns dos temas para os quais exigimos mais atenção do Ministério da Educação e dos grupos parlamentares. 

As regras para a elaboração de ementas escolares estão bem definidas, incluindo o tipo e a quantidade de alimentos a incluir, as respetivas doses e os modos de confeção. Mas, para que haja garantias, é preciso definir e implementar um plano de fiscalização periódica, tanto ao nível da construção das ementas, como da sua aplicação em cada cantina e nos próprios pratos distribuídos aos alunos.

É, ainda, indispensável prever formação específica para os funcionários de todos os refeitórios escolares. É preciso assegurar que as orientações relativas à confeção e distribuição das refeições são compreendidas por todos e que todos têm a mesma informação.

A alimentação disponibilizada nas escolas e a própria educação alimentar deveriam ser sempre planeadas e acompanhada por profissionais com competência na matéria, como é o caso dos nutricionistas. Atualmente, não se sabe quantos destes profissionais estão alocados aos serviços. É preciso que o Ministério da Educação, em articulação com outros intervenientes, como as autarquias locais, definam e deem a conhecer as estratégias nesta área.

Do mesmo modo, e apesar de apoiarmos as novas regras que proibem a venda de bolos (com ou sem creme), salgados (sejam rissóis, empadas ou pão com chouriço), refeições rápidas como pizas e hambúrgueres, guloseimas (como chocolates, rebuçados, pastilhas elásticas com açúcar ou gomas), refrigerantes e gelados, entre outros, nos bufetes escolares, é necessário que haja uma fiscalização adequada por parte do Ministério da Educação, em articulação com outros intervenientes, como as autarquias e os próprios estabelecimentos de ensino.

Filhos não estão bem preparados para o novo ano letivo, dizem mais de metade dos pais 

Ainda de acordo com o questionário online que endereçámos a encarregados de educação de alunos do ensino público, setor social e privado, que, no último ano letivo, frequentaram a escola entre o 1º e o 12º ano, em geral, mais de metade dos pais consideram que os filhos não estão bem preparados, em termos académicos, para começar o novo escolar, na sequência do contexto pandémico da covid-19.

Esta perceção é significativamente maior no ensino público, onde 55% dos encarregados de educação estão apreensivos com o nível de preparação dos filhos. Nas escolas privadas, a percentagem baixa para 36% e, para quem tem educandos nas instituições do setor social, apenas 29% estão preocupados com o nível de competências dos alunos para enfrentarem um novo ciclo escolar.

A grande maioria dos encarregados de educação (72%) acha que a pandemia ainda vai ter “algum impacto” no normal funcionamento do ano letivo que agora iniciou.

Gestão da pandemia nas escolas agradou à maior parte dos pais

Olhando para trás, a maioria dos encarregados de educação diz-se satisfeita com o funcionamento da escola no último ano letivo. Mais de metade (56%) deu nota alta à implementação e controlo de medidas sanitárias, como o distanciamento social e a higienização das salas de aula e das áreas comuns.

No entanto, cerca de um quarto dos pais não estão satisfeitos com a informação que lhes foi prestada sobre a situação pandémica na escola.

Sobre o ensino à distância no 2.º período (de janeiro a abril de 2021), 15% afirmam não estarem contentes com a forma como funcionou este modelo de aulas.

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