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Os preços dos bens alimentares estão a aumentar?

O preço do óleo alimentar e do salmão já aumentou mais de 50% desde o início da guerra na Ucrânia. O cabaz de bens alimentares que monitorizamos semanalmente viu o seu preço subir 24 euros desde o final de fevereiro.

cesto de bens alimentares no supermercado

iStock

O preço de um cabaz de bens alimentares essenciais registou, entre 4 e 11 de maio, um aumento de 1,21 euros, passando a custar um total de 207,21 euros. Desde que iniciámos esta análise, a 23 de fevereiro, um dia antes da invasão da Ucrânia pela Rússia, o preço do mesmo cabaz já aumentou 12,84%, ou seja, 23,58 euros.

Dados de 23 de fevereiro a 11 de maio (Infografia: Pedro Nunes).

Desde fevereiro, temos monitorizado todas as quartas-feiras, com base nos preços recolhidos no dia anterior, os preços de um cabaz de 63 produtos alimentares essenciais que inclui bens como peru, frango, pescada, carapau, cebola, batata, cenoura, banana, maçã, laranja, arroz, esparguete, açúcar, fiambre, leite, queijo e manteiga. Começamos por calcular o preço médio por produto em todas as lojas online do nosso simulador em que se encontra disponível, e depois, somando o preço médio de todos os produtos, obtemos o custo do cabaz para um determinado dia.

Esta análise tem revelado aumentos quase todas as semanas, com alguns produtos a registarem subidas de preços de dois dígitos de uma semana para a outra. Entre 4 e 11 de maio, os dez produtos que registaram as maiores subidas de preço foram as ervilhas ultracongeladas (mais 15%), o atum posta em óleo vegetal (mais 12%), os flocos de cereais e os cereais integrais (ambos custam mais 9%), os iogurtes líquidos (mais 8%), o alho e o robalo (ambos com um aumento de 7%), o fiambre da perna (mais 6%), e o bacalhau e a dourada (com uma subida de 4 por cento). Se analisarmos exclusivamente as categorias de produto com maiores subidas de preços entre 23 de fevereiro e esta semana, o peixe e a carne são as que mais se destacam, com incrementos percentuais de 22,47% e 14,82%, respetivamente.

Variação semanal dos preços dos produtos do cabaz, em percentagens, entre 23 de fevereiro e 11 de maio. (Arraste o cursor na linha para ver a variação de preços dos produtos do cabaz de uma semana para a outra.)

Já entre 23 de fevereiro, véspera da explosão do conflito armado na Ucrânia, e 11 de maio, os produtos que registaram os maiores aumentos de preço foram o salmão (mais 55%), o óleo alimentar 100% vegetal (mais 52%), a pescada fresca (mais 47%), o frango (mais 28%), a farinha para bolos (mais 27%), o tomate (mais 24%), o bife de peru (mais 20%), a dourada e as costeletas de porco (mais 18%), e as laranjas (mais 17 por cento).

Porque aumentaram os preços?

O problema é histórico: Portugal está altamente dependente dos mercados externos para garantir o abastecimento dos cereais necessários ao consumo interno. Atualmente, estes representam apenas 3,5% da produção agrícola nacional — sobretudo milho (56%), trigo (19%) e arroz (16 por cento). E se no início da década de 90 a autossuficiência em cereais rondava os 50%, atualmente, o valor não ultrapassa os 19,4%, uma das percentagens mais baixas do mundo e que obriga o País a importar cerca de 80% dos cereais que consome.

A invasão da Rússia à Ucrânia, de onde provém grande parte dos cereais consumidos na União Europeia, e em Portugal, veio, por isso, pressionar ainda mais um setor há meses a braços com as consequências de uma pandemia e de uma seca com forte impacto na produção e na criação de stocks. A limitação da oferta de matérias-primas e o aumento dos custos de produção, nomeadamente da energia, necessária à produção agroalimentar, podem, por isso, estar a refletir-se num incremento dos preços nos mercados internacionais e, consequentemente, nos preços ao consumidor de produtos como a carne, os hortofrutícolas, os cereais de pequeno-almoço ou o óleo vegetal. No peixe, por sua vez, a subida dos preços poderá estar a refletir o aumento dos preços dos combustíveis, que tem um elevado impacto na indústria da pesca.

Aumento de preços faz disparar a taxa de inflação

Os consecutivos aumentos dos preços ao consumidor, nomeadamente em produtos como os combustíveis e a alimentação, estão a contribuir para um aumento da taxa de inflação. De acordo com as estimativas do Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de inflação acelerou para 7,2% em abril deste ano, 1,9 pontos percentuais em relação a março, mês em que a inflação já tinha atingindo os 5,3 por cento. Expressa em percentagem, a inflação traduz a subida média do nível de preços num determinado período.

Para fazer face aos aumentos de preços e evitar gastos supérfluos, é essencial adotar alguns hábitos ou mudar comportamentos. Saiba como poupar para sobreviver às subidas de preços de produtos essenciais.

Como sobreviver aos aumentos de preços

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