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Portugueses confiam pouco nas instituições

25 agosto 2016
Instituições: confiança dos portugueses em baixa

25 agosto 2016
Serviço Nacional de Saúde, sistema judicial, Banco de Portugal, entre outras: os portugueses revelam baixos níveis de conhecimento sobre estas organizações e confiam pouco na sua independência.

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Poderíamos resumir numa frase os resultados do nosso primeiro inquérito à confiança dos consumidores em entidades públicas com impacto nas suas vidas: pouco ou nada conhecem e pouco ou nada confiam.

Em causa estão instituições como o Serviço Nacional de Saúde (SNS), sistema judicial, Banco de Portugal, ensino público, igreja, exército, polícia, televisão pública, câmaras municipais, Assembleia da República, Autoridade da Concorrência, Parlamento Europeu, Fundo Monetário Internacional (FMI), Organização Mundial da Saúde (OMS), NATO, entre outras.

A grande maioria dos inquiridos desconfia, sobretudo, da autonomia em relação a grupos económicos, governos e forças políticas. Por grande maioria, entendam-se percentagens a rondar os 70% ou mais.

Nalguns casos, o consumidor tem armas para se defender. Por exemplo, se acha que os seus direitos foram colocados em causa num hospital ou numa escola, apresente a sua queixa na nossa plataforma Reclamar. Aí também pode consultar casos semelhantes que podem ajudar na resolução do conflito ou pedir a mediação dos nossos especialistas.

Falta de conhecimento é outra marca do estudo
Os participantes foram desafiados a classificar como “verdadeiro”, “falso” e “não sei” várias afirmações relativas às organizações, de forma espontânea.

“Não sei” foi a resposta frequente nas questões sobre o Parlamento Europeu, a OMS, a NATO, a Autoridade da Concorrência, e muito frequente nas perguntas sobre o FMI e o Banco Mundial. 

A grande maioria diz-se pouco conhecedora da estrutura, da missão e das atividades das instituições analisadas. Apenas 23% estão informados dos seus direitos enquanto utentes do SNS e perto de metade não saberia queixar-se de um erro médico.

Qual o papel do Banco de Portugal? Mais de metade dos inquiridos, 55%, não se consideram suficientemente a par. Também desconhecem a missão do Parlamento Europeu, da OMS, do FMI e do Banco Mundial. Sobre o principal objetivo deste último, uns expressivos 78% confessaram a sua ignorância.

O nosso inquérito
Enviámos um questionário a uma amostra da população entre os 30 e os 74 anos, proporcional aos residentes de Portugal Continental no que diz respeito ao género, idade e região. Na ponderação dos dados, manteve-se a proporcionalidade para estas variáveis e para o nível educacional. Recebemos 1 598 respostas válidas.

O estudo foi realizado em mais três países (Espanha, Itália e Bélgica) e os portugueses mostraram-se muito pouco conhecedores da estrutura e missão do Parlamento Europeu. Em comparação com os italianos, por exemplo, a percentagem de inquiridos portugueses que não acertou uma única resposta sobre esta instituição da União Europeia é quase o dobro (12 por cento).