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Pesámos o lixo para ajudar a separar mais e melhor

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Acompanhámos a produção e separação de lixo doméstico de 17 famílias durante quatro semanas. Os resultados mostram que a separação já é uma rotina, mas ainda há aspetos a melhorar.

26 fevereiro 2018
separacao lixo

Thinkstock

Em 2016, os portugueses produziram, em média, 4,64 milhões de toneladas de lixo. As metas europeias para a redução de produção de resíduos per capita ficaram longe de ser alcançadas e os objetivos para a reciclagem de produtos também. Por dia, essa média situa-se em 1,29 kg por cada português... Entre 2015 e 2016, talvez pela situação económica da população ter melhorado, este ilustre retângulo aumentou em 3% a produção de resíduos domésticos.

Fizemos um estudo junto de 17 famílias, dispersas por todo o País. Durante quatro semanas, as famílias tinham de pesar diariamente os resíduos que produziam. O lixo indiferenciado (restos de alimentos e pequenas quantidades de resíduos sem valor para reciclar) destacava-se claramente. Mas também foi pesado, à parte, o material reciclável: metal/plástico, papel/cartão e vidro. Para algumas famílias, o maior peso nesta categoria de resíduos correspondia ao vidro. Outras rapidamente enchiam o contentor dedicado ao plástico e ao metal.

A “culpa” será da enorme quantidade de produtos embalados em plástico, das latas que embalam alimentos em conserva e bebidas, e as inevitáveis garrafas e frascos de vidro. Também o papel/cartão é separado habitualmente por estas famílias. No entanto, as pilhas, as lâmpadas, as rolhas de cortiça, as cápsulas de café, o óleo alimentar usado ou os pequenos equipamentos elétricos e eletrónicos não são ainda vistos como resíduos com potencial de reciclagem ou com necessidade de terem um tratamento adequado por conterem substâncias perigosas.Quanto à separação de lixo orgânico para compostagem, muito poucos têm condições de a fazer. 

O estudo, integrado na nossa campanha "Lixo não é água", para separar, da fatura da água, a tarifa de resíduos sólidos, consistia em duas fases distintas. Durante um mês, os participantes deveriam intercalar a pesagem do lixo que faziam com um pequeno intervalo de duas semanas, destinado a verificar os comportamentos de consumo. A primeira semana foi, então, destinada à pesagem dos resíduos, quer os sacos com os indiferenciados, quer os que continham materiais destinados aos ecopontos. A pesagem devia ser feita numa balança eletrónica que fornecemos aos participantes e registada num ficheiro distribuído a todos.

Na segunda e na terceira semanas, fez-se uma pausa. Agora o desafio era outro, conseguir prestar mais atenção ao que se comprava no supermercado: os produtos vencedores seriam aqueles que estivessem embalados o menos possível. Por exemplo, um pack de quatro iogurtes deveria ser comprado sem a cobertura em papel. Aquele tomate vendido num tabuleiro de esferovite e envolto em plástico poderia ser facilmente substituído pela compra a granel, dentro de um único saco de plástico. Detergentes? Só os concentrados, vendidos numa embalagem mais pequena que as versões clássicas, e que garantem as mesmas lavagens, de uma forma mais amiga do ambiente.

Apesar de tudo, ainda estamos longe das metas europeias de redução e de separação do lixo com que nos comprometemos há anos. Só para dar alguns exemplos, o objetivo para a redução da produção de resíduos per capita, estabelecido com base no valor gerado em 2012, era de 7,6% em 2016. O resultado conseguido foi apenas de 1,04%... Em 2016, cerca de um quarto do lixo indiferenciado incluía uma parte de materiais que poderiam ser separados e encaminhados para a reciclagem, como o vidro, o plástico e o papel/cartão.

Reduzir vai ao encontro dos objetivos da economia circular, o novo mantra da Comissão Europeia, que antevê, no futuro, uma reutilização em larga escala – num mundo ideal, quase tudo seria reutilizado, reciclado ou recuperado para produzir outros produtos. O uso de matérias-primas virgens será reduzido ao mínimo e, quando um produto atingir o seu fim de vida, aproveitam-se os seus materiais para criar mais valor.

Para isso, a CE definiu metas: reciclar 65% dos resíduos urbanos e 75% dos resíduos de embalagens até 2030. Mas há mais. Até àquele ano, os países deverão reduzir a deposição em aterro a um máximo de 10% de todos os resíduos e proibi-la, no caso de resíduos submetidos a recolha seletiva. No nosso pequeno retângulo, a missão é alcançar uma redução mínima da produção de resíduos por habitante de 10% em peso, relativamente ao valor verificado em 2012. Temos até 31 de dezembro de 2020 para a cumprir. No entanto, os resultados mostraram que, pelo menos, as famílias têm noção do problema. Conheça quatro casos de agregados que participaram no nosso estudo.


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