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Passe social mais barato piora serviço

A redução do preço do passe levou mais pessoas a usarem os transportes públicos, mas afetou o conforto e provocou atrasos.

  • Dossiê técnico
  • Ana Almeida e Carlos Morgado
  • Texto
  • Isabel Vasconcelos
16 outubro 2019 Exclusivo
  • Dossiê técnico
  • Ana Almeida e Carlos Morgado
  • Texto
  • Isabel Vasconcelos
passes socais

iStock

O início de abril foi marcado pela chegada da poupança aos transportes públicos, com os passes sociais a beneficiarem de uma redução de preço. As vendas daqueles aumentaram, pelo que quisemos conhecer a opinião dos utilizadores.

A Área Metropolitana de Lisboa foi a que registou mais inquiridos que passaram a usar transportes públicos: quase metade. Em Braga, só um quinto foram influenciados pelo desconto. Mesmo assim, no conjunto das cinco zonas, 15% passaram a comprar passe devido à baixa de preço e 25% tencionam vir a fazê-lo.

passes sociais

Dado o afluxo já existente, como estão os transportes? Na área metropolitana de Lisboa, registámos mais queixas da degradação da qualidade, sendo o metro o transporte mais visado. O conforto/espaço para os passageiros foi o aspeto que mais piorou, seguido pela pontualidade. Aliás, trata-se das principais queixas na maioria dos transportes analisados e nas diferentes áreas.

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Estes aspetos acabam por influenciar a satisfação global com os transportes. Na capital e em Faro, registou-se a maior percentagem de inquiridos pouco satisfeitos com certos transportes – são sobretudo, os comboios, os autocarros e o metro de Lisboa.

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Estas conclusões resultam um questionário online enviado a uma amostra de utilizadores frequentes das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto e das cidades de Braga, Coimbra e Faro. Recebemos 1706 respostas válidas. Conheça a opinião dos consumidores sobre transportes públicos e partilhe a sua no nosso portal dedicado à mobilidade.

 

Boa medida, mas solitária

A descida do preço dos passes, por facilitar o acesso aos transportes públicos, é uma medida importante para desincentivar o uso do automóvel. A diminuição de viaturas particulares melhora o trânsito nas cidades e vias de acesso, contribui para a descarbonização, facilita o estacionamento e favorece a utilização de bicicletas e trotinetes. Acresce, ainda, uma poupança significativa para as famílias.

Então o que podia correr mal numa decisão política, aparentemente, virtuosa? A forma, por vezes, negligente da sua implementação. Foquemo-nos na área metropolitana de Lisboa. Os nossos inquiridos são lapidares: quase metade referiu que há meios de transporte cuja qualidade piorou.

Na verdade, uma percentagem importante de utilizadores de Lisboa estão desencantados com as consequências imediatas da medida, sobretudo no que se refere à pontualidade/atrasos e conforto/espaço para os passageiros.

Vários meios de comunicação social fizeram eco da medida da Fertagus de retirar bancos nas composições, para fazer face ao aumento da procura. Também se vai ouvindo em vários fóruns sobre casos de sobrelotação . A verdade é que a criatividade dos transportadores para acomodar a nova procura tem vindo a hipotecar a qualidade do serviço.

É fundamental que Governo, Áreas Metropolitanas e Comunidades Intermunicipais imponham níveis de qualidade imprescindíveis à prestação dos serviços de transportes públicos. É preciso reforçar a capacidade de resposta para que não devolvamos os consumidores às suas viaturas privadas.

 

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