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Parar para pensar: estaremos a entrar numa nova era de consumo?

No último debate do ciclo de conferências “Parar para Pensar” sobre o tema Marcas e Consumidores, refletiu-se sobre se a pandemia alterou a forma como consumimos.

  • Texto
  • Cécile Rodrigues e Filipa Nunes
16 julho 2020
  • Texto
  • Cécile Rodrigues e Filipa Nunes
Conferência Parar para pensar Marcas e Consumidores DECO PROTESTE

Todos os intervenientes no debate organizado pela DECO PROTESTE e pelo Expresso estão de acordo quanto ao facto de que os nossos padrões de consumo se alteraram durante o período de confinamento, com uma crescente procura do e-commerce. Não é uma novidade, esta era uma tendência que já existia anteriormente, sobretudo junto dos mais jovens, mas acelerou-se e alargou-se, durante a pandemia, também aos mais velhos, que até então privilegiavam as lojas físicas.

Consumidor mais criterioso e exigente

Com mais tempo para navegar nas lojas online e para procurar informações e comparar ofertas, o consumidor passou de uma maneira geral a ser mais criterioso e exigente em relação aos produtos e aos serviços. 

António Balhanas, country manager da DECO PROTESTE, considerou que esta nova realidade suscita uma série de preocupações. A proteção de dados pessoais no contexto das plataformas digitais, a segurança das compras online, a questão das trocas e devoluções de artigos que não correspondam ao anunciado e o facto de muitas vezes adquirirmos produtos vindos de zonas do Planeta onde a legislação não protege tão bem os consumidores quanto a nossa.

João Dionísio, professor da Porto Business School e Partner da Dendrite - Marketing Research, afirma que, por todas estas razões, mais do que nunca, “o consumidor espera das marcas que sejam fiáveis e verdadeiras, contribuindo para apaziguar o sentimento generalizado de medo e angústia”. Espera delas também que, para além de fornecer um produto, tenham um propósito claro e uma postura solidária. E é nesse sentido que, segundo os convidados, tem evoluído a estratégia de comunicação das empresas, que têm tentado mostrar que estão do lado dos portugueses neste momento difícil. Segundo João Dionísio, os produtos ganharam uma nova dimensão ética. António Balhanas concorda que o consumidor, hoje, está cada vez mais preocupado com a sustentabilidade dos produtos. 

Marcas mais solidárias e éticas

Durante a pandemia, os consumidores deram claramente preferência a marcas que mostraram ser solidárias com a população (prevendo horários específicos para pessoal médico, por exemplo) e apoiaram a produção nacional e local.

A este propósito, Filipa Guimarães, diretora do mercado da Europa do Sul da Emma, referiu um estudo que concluiu que 1/3 dos inquiridos deixou, durante a pandemia, de usar determinadas marcas por não concordarem com o seu posicionamento (por terem, por exemplo, despedido trabalhadores durante a pandemia).

Carlos Coelho, Presidente da Ivity Brand Corp, acredita que “hoje, julgamos as empresas pelas suas atitudes e comportamentos” e que valores como a solidariedade, a colaboração ou a interajuda são agora mais valorizados por consumidores mais exigentes, mas também pelas marcas.

Segundo Filipa Guimarães, “a crise acabou por ser uma oportunidade de as marcas se aproximarem mais dos consumidores”. 

Um novo modelo de consumo?

Quererá tudo isto dizer que estamos perante um novo paradigma de consumo, ou será que estamos a assistir a um fenómeno passageiro, motivado pelas circunstâncias?

Carlos Coelho acredita que entrámos numa nova era, que “passámos para um novo ciclo da nossa história, em que as nossas escolhas e os nossos atos passarão a orientar-se cada vez mais por valores como o do respeito pelo ambiente, pela saúde e pela sustentabilidade”. 

Já Sandra Alvarez, diretora da PHD Media Potugal, considera que muito do que aconteceu se deveu à situação excecional que vivemos e duvida que as práticas atuais se mantenham. Prevê que iremos provavelmente regressar ao modelo misto de consumo que tínhamos antes de março de 2020, tanto mais que 90% dos consumidores que compram online também recorrem às lojas físicas. O que se pode dizer, acrescenta ainda, é que marcas que, durante a pandemia, criaram alternativas digitais, deverão continuar a oferecê-las no futuro.

António Balhanas, por sua vez, recorda que os índices de poupança dos portugueses têm vindo a subir, o que mostra que os consumidores se têm retraído e têm feito escolhas mais racionais, agindo menos por impulso, sendo, no entanto, de prever que, no futuro, em 2022, se recupere os padrões de consumo do passado, embora mais centrados no bem-estar, no lazer e no turismo. 

João Dionísio, pelo seu lado, acredita que, logo que possível, os portugueses vão querer retomar as suas vidas e liberdades, embora com algumas limitações. E quando, no futuro, tomarem a decisão de abandonarem a segurança das suas casas para irem a um comércio, esperarão uma experiência marcante. “Se os momentos de prazer têm de ser cada vez mais raros, então que sejam o mais gratificantes possível”. 

O último debate do ciclo de conferências online “Parar para Pensar” sobre marcas e consumidores aconteceu no dia 15 de julho e pode ser revisto na página do Facebook do Expresso.

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