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O que fazer se encontrar uma carteira

29 dezembro 2016
carteiras nos perdidos e achados

29 dezembro 2016
Entregámos quatro carteiras na polícia para testar a plataforma online de perdidos e achados e só num caso foram cumpridas as formalidades devidas.
“Achámos” quatro carteiras, em pontos diferentes do País, e entregámo-las às autoridades, para testarmos novamente o sistema de perdidos e achados da polícia. Apenas num caso os agentes das forças policiais procederam de acordo com o que é suposto. Quando a PSP ou a GNR recebem objetos encontrados, devem introduzir a sua descrição num sistema partilhado de informações, ficando depositárias dos mesmos. Os bens são ordenados por categorias e descritos com todo o detalhe para facilitar a pesquisa. A plataforma está disponível nos postos da GNR, nas esquadras da PSP e também em pontos móveis, como carros-patrulha equipados com computadores portáteis, bem como na internet, acessível a qualquer cidadão.

Só os dados relativos a uma das quatro carteiras que “encontrámos” foram devidamente inseridos no sistema. Perante os objetos entregues, cada uma das restantes esquadras adotou uma diligência diferente. Num caso, o agente apenas recebeu a carteira, dispensando a pessoa que a “achou” de mais formalidades. Noutro, foram solicitadas várias informações desnecessárias ao cidadão que entregou a bolsa, como a filiação. E noutro, nenhum dado relativo à carteira foi inserido na plataforma, apenas foram apontados num papel o nome a morada de quem deparou com o objeto.

Segundo teste, segundo chumbo

Não foi a primeira vez que testámos, na prática, a plataforma de perdidos e achados da polícia. Em fevereiro de 2015, entregámos na esquadra do Rato, em Lisboa, um porta-moedas “achado”. Os dados relativos à carteira, que continha 8,74 euros, faturas de café e de supermercado, e um cartão de saúde com o nome do proprietário, não apareceram no sistema partilhado de informação quando fizemos uma pesquisa, um mês depois. Quase dois anos depois, voltámos a “achar” 4 carteiras na rua e a entregá-las às autoridades. Resultado dececionante.

Agentes policiais desconhecem a plataforma

A plataforma online de perdidos e achados existe desde 2007 e está sob a tutela do Ministério da Administração Interna. Em teoria, permite que qualquer cidadão consiga ali fazer uma busca, na tentativa de encontrar um bem perdido. É fundamental que este sistema funcione corretamente. Para isso, deve ser divulgado aos cidadãos e aos próprios agentes de autoridade, que desconhecem o procedimento.

O que fazer com bens achados?

Entregue às autoridades ou a outras entidades que tenham postos de receção de objetos perdidos.

Forneça os seus dados às autoridades e indique local, dia e hora em que encontrou o objeto.

Achado não é roubado, mas só passado um ano. Se ninguém reclamar os objetos neste período, pode ficar com eles.

Se encontrar dinheiro, entregue-o na polícia. O valor deverá depois ser depositado numa conta criada para o efeito.

Achou uma mochila abandonada, por exemplo? Não lhe toque e contacte as autoridades.