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O aparelho avariou antes do tempo? Denuncie

Vamos lutar contra a obsolescência prematura, a arte dos fabricantes fazerem durar pouco o que deveria durar muito.

  • Dossiê técnico
  • Ana Almeida e Sílvia Menezes
  • Texto
  • Ricardo Nabais e Nuno César
24 outubro 2019
  • Dossiê técnico
  • Ana Almeida e Sílvia Menezes
  • Texto
  • Ricardo Nabais e Nuno César
obsolescencia precoce

iStock

O frigorífico só “vive” três anos? A máquina de lavar é passado antes de ser presente? Reclame. Decidimos mobilizar-nos contra a tendência dos fabricantes em lançarem para o mercado produtos com data de prazo muito curta. É a chamada obsolescência programada, ou prematura, e pode denunciar essas situações.

Denuncie aparelhos com avarias antes do tempo

Na página, poderá, de forma simples, denunciar a brevidade da vida do seu aparelho. Comece por indicar a marca e o modelo e selecionar o problema. Por exemplo, se a avaria for de um aspirador, preencha o nome da marca. No passo seguinte, selecione o modelo (é-lhe dada uma lista de opções) e o tipo de avaria. Reportamos, depois, a situação aos parceiros do projeto e partilharemos os resultados. Pode denunciar qualquer situação de aparelhos de duas famílias, a tecnológica (smartphones, computadores, tablets, etc.) e a dos eletrodomésticos, desde televisores a máquinas de lavar e secar.

Esta ferramenta faz parte de um amplo projeto europeu, o PROMPT, segundo a sigla em inglês (que se poderá traduzir por algo como “programa de teste à obsolescência prematura dos produtos”) e que agrupa algumas associações de consumidores congéneres de outros países da Europa.

Lançado em maio, o PROMPT é um consórcio de investigadores, organizações de consumidores, e plataformas e empresas de reparação de toda a Europa, com sede em Berlim, na Alemanha. Esta parceria de quatro anos é financiada pelo programa europeu Horizonte 2020 e é mais um dos vários passos que a Comissão Europeia pretende dar em direção a uma economia circular.  

A ideia é combater estes ciclos de vida curtos de alguns aparelhos, com benefício para o consumidor e uma sociedade mais sustentável, que não esteja sujeita à acumulação de resíduos. Só para dar uma ligeira noção do problema, o crescimento de resíduos elétricos e eletrónicos no espaço europeu aumenta 3 a 5% por ano, devendo chegar a 12 milhões de toneladas em 2020. 

Qual é a expectativa do prazo de validade dos aparelhos?

Estudámos os hábitos dos consumidores nesta matéria. Para eles, o que é obsoleto? Qual é a expectativa que têm do prazo de validade de um aparelho, seja eletrodoméstico ou smartphone? Perante uma avaria, mandam reparar?

Estas foram, em traços muito gerais, as perguntas que lhes fizemos em inquérito, realizado entre dezembro de 2018 e janeiro de 2019, com 921 respostas válidas. Em jogo estavam as atitudes perante a longevidade de smartphones, tablets e computadores portáteis, do lado da informática. Incluímos ainda outros aparelhos, como o televisor e o aspirador. E ainda o arsenal da cozinha, como as máquinas de lavar e secar roupa, de lavar loiça e o frigorífico.

Os valores que apresentamos a seguir resultam de uma média: os proprietários de smartphones e tablets, produtos da mesma família digital, consideram repará-los, no máximo, até quatro anos e quatro anos e dez meses, respetivamente. Para os nossos inquiridos, se o computador portátil avariar até ao fim de sete anos e cinco meses, eles consideram mandar arranjá-lo.

Entre os aparelhos que mereceram respostas em número suficiente para o nosso inquérito, os televisores e os aspiradores, encontramos sensivelmente a mesma expectativa sobre o intervalo de tempo considerado viável para a reparação: nove anos e quatro meses no caso dos primeiros, nove anos e um mês quando se considera os segundos.
O que podem significar estes números? Trata-se de tempos médios que os consumidores consideram para enviar os aparelhos para arranjo. A partir daí, pensam que já não vale a pena.

A maioria dos inquiridos que teve um problema com o seu computador portátil acabou por repará-lo (67 por cento). Mas se aqui o fator preço pode ser dissuasor – apesar das inúmeras promoções, o preço médio destes aparelhos continua alto –, noutros casos a comparação entre um orçamento para arranjar e quanto custa um novo é tentadora. Será isso que explica, no outro extremo dos resultados, os apenas 37,8% dos participantes no estudo que afirmaram ter mandado reparar o aspirador?

Quando perguntámos as razões pelas quais não mandaram consertar um determinado aparelho, a larga maioria respondeu que os custos eram demasiado elevados. Nos casos dos frigoríficos, computadores, smartphones, aspiradores e máquinas de lavar loiça, aquela resposta surge empatada – ou praticamente empatada – com outra: “Os custos de reparação fazem com que não valha a pena” o esforço de mandar o aparelho para reparação.

 

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