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Jorge Morgado: a entrevista antes de passar o testemunho

28 junho 2016
Jorge Morgado

Há uma causa que abraça e respira há, pelo menos, 25 anos: a defesa do consumidor. Jorge Morgado, a semanas de deixar o lugar de secretário-geral da DECO, classifica os dias de hoje como de resistência a mudanças legislativas que podem abalar os direitos do consumidor.

Os gostos pessoais

Está claro que a reforma não condiz consigo.
De maneira nenhuma vou passar a usar pijama todo o dia. Além da defesa do consumidor, sempre tive trabalho voluntário em várias áreas. Enquanto tiver capacidade, vou continuar a trabalhar.

Mas, quando não está a pensar na defesa do consumidor, em que pensa?
Gostaria de ter mais tempo para mim, para a família e para os amigos. Gosto imenso de cozinhar e de convidar amigos. Em função do prato que quero fazer, convido as pessoas. Se me apetecer fazer cozido à portuguesa, convido uns 10 amigos que sei que gostam. Não cozinho todos os dias. Se tiver mais tempo, faço isto mais vezes. Gosto imenso de jardinagem e gostava de ter mais tempo para falar com as flores e com as plantas, para catar os piolhos das plantas [risos]. Gostava imenso de ter tempo para isso e não tenho. A vida também é composta por estas coisas. Gosto imenso de viajar. Tenho viajado bastante e já estive em todos os continentes. Se tiver condições económicas para o fazer e se tiver tempo, também o farei. Há muito que fazer e continuarei a fazer trabalho social.

Qual será o seu próximo destino?
Gostava de voltar ao Peru. É um país que me encantou. Aquela realidade dos incas com os descobridores envolveu o país num manto de mistério e de beleza. Fui lá nos anos 80. Gostava imenso de ir à Índia portuguesa, a Goa, Damão e Diu. Não conheço. Gosto de ir onde sinto que os portugueses são bem acolhidos, como na Malásia, fruto da relação comercial, não colonial, com os portugueses.

Se soubesse o que sabe hoje, com o que é que se teria preocupado menos?
Todos nós, às vezes, ao longo da nossa vida, preocupamo-nos com pormenores, a que demos imensa importância e que depois, na prática, não têm. Por exemplo, algumas querelas partidárias a que ligámos imenso e com que andámos envolvidos e que depois se revelaram pouco importantes. Percebemos que a querela que nos consumiu e deprimiu um pouco não tinha importância nenhuma. Não posso dizer que tudo o que fiz, em que me empenhei, se voltasse atrás faria igual. De maneira geral, há sempre coisas que vale a pena repensar. Uma coisa é certa: se voltasse a ter o convite há 25 anos para me dedicar à DECO não teria dúvidas nenhumas em aceitá-lo de novo, com os mesmos meios e dificuldades e com as mesmas indefinições. Vale a pena continuar a lutar pelas coisas em que acreditamos. Sinto que o trabalho da defesa do consumidor em Portugal teve um passado, tem um presente muito vivido e já estamos a pensar no futuro.