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Há preços mais caros nos outlets

23 janeiro 2017
investigação a outlets

23 janeiro 2017
As lojas que vendem eletrodomésticos com defeitos estéticos prometem descontos generosos. Mas nem sempre a poupança é assim tão significativa e, por vezes, até paga mais. 

As lojas que comercializam eletrodomésticos novos com pequenos defeitos estéticos (como uma mossa, um risco ou, simplesmente, sem embalagem) ou em fim de stock — os chamados outlets — anunciam descontos irresistíveis. Mas, de acordo com um estudo que conduzimos no final de outubro passado em seis destas lojas, abrangendo 142 produtos, os descontos prometidos, entre os 12% e os 65%, nem sempre correspondiam, na realidade, a poupanças tão generosas.

Em alguns casos, não significavam sequer que o cliente ficasse com mais alguns euros no bolso. Pelo contrário: encontrámos exemplos em que o consumidor pagava mais por um aparelho, optando por comprá-lo numa destas lojas e não num espaço comercial convencional, sem imperfeições.

Explicação: a maioria dos outlets afixava o preço de venda dos produtos e, em simultâneo, indicava o valor dos mesmos modelos sem defeito. Para calcular o desconto, o consumidor só tinha de subtrair um valor ao outro. Mas os eletrodomésticos sem defeito são comercializados a um custo que pode variar substancialmente.
É o que verificamos na pesquisa de preços que fazemos para os nossos tradicionais testes comparativos. Por exemplo, o frigorífico combinado que recebeu os títulos Melhor do Teste e Escolha Acertada tanto pode custar € 629 como € 900 nas lojas normais, dependendo do local onde for comprado.

Olhando aos preços de referência dos aparelhos sem defeito afixados em cinco outlets do nosso estudo (uma das lojas não o fazia), a poupança média global anunciada era de 32 por cento. Mas, se compararmos os valores praticados por todos os outlets com os preços mínimos a que encontrámos os mesmos produtos sem problemas nas lojas comuns, esse valor desce para uns bem menos atraentes cinco por cento.

Consumidores iludidos?

Não necessariamente. Tudo depende do valor de referência considerado para calcular o desconto. Dos 142 produtos que analisámos, 87 (61%) estavam, de facto, a ser vendidos nos outlets a um preço inferior ao valor mínimo a que era possível adquiri-los, sem imperfeições, no mercado. A questão é o grau de “bom negócio” que estas compras podem significar. A poupança média determinada com base nos preços afixados para estes 87 aparelhos era de 34 por cento. Mas, elegendo o preço mínimo de mercado como critério principal para aferir quanto era possível economizar, esse aforro caía para 13 por cento. Ou seja, há descontos na maior parte das situações; podem é não ser tão apetitosos como aparentam. Em média, por produto, esta poupança significava ficar com mais € 68 na carteira, Mas, no caso de grandes eletrodomésticos, o dinheiro poupado podia atingir centenas de euros. Calculámos, por exemplo, uma poupança de € 570 numa máquina de lavar roupa.

Não poupar nada em 55 aparelhos

De acordo com o nosso estudo, em 55 casos o consumidor não ganhava nada, ao optar por comprar um eletrodoméstico num destes outlets. Aliás, 48 aparelhos estavam 7% mais caros, em média, do que os mesmos produtos sem defeitos, tendo sempre como referencial o preço mais baixo encontrado para os mesmos. Entre estes, encontrámos 19 eletrodomésticos € 10 mais dispendiosos e uma televisão que custava mais 260 euros. No entanto, os outlets exibiam uns cativantes 29% de poupança média para este conjunto de 48 aparelhos.

Também encontrámos sete produtos, entre aspiradores, frigoríficos e máquinas de lavar roupa e loiça, que estavam a ser vendidos pelas lojas de desconto a um preço igual ao preço mínimo a que os descobrimos à venda sem defeito.

Aqui há poupança

 

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Worten Outlet Coimbra Retail Parque, Coimbra
 

 

Poupança procura-se

 

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Worten Outlet Coimbra Retail Parque, Coimbra
 

O que significa “preço recomendado”

Que preço de referência é esse que os outlets elegem? Há lojas que colocam nas etiquetas indicações como “antes” ou “preço recomendado”. O que significam, em termos concretos? Num mercado com tanta concorrência, e onde os preços mexem, os valores indicados não explicam de forma clara que preço é aquele sobre o qual recai o desconto.

 

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Não é claro nas lojas a que corresponde "antes" e "preço recomendado".
 

Os outlets visitados comparam os preços que praticam com um valor de referência dos produtos sem defeito, em média, 39% mais elevado do que o preço mínimo que recolhemos para os mesmos aparelhos. Resultado: os descontos que estas lojas anunciam parecem maiores (às vezes, muito maiores) do que podem ser na realidade.

Compare preços

Antes de comprar um eletrodoméstico numa loja outlet, é fundamental fazer uma ronda pelo mercado para perceber quanto é que o produto sem defeito poderá custar. Damos uma ajuda. Nos nossos comparadores de produtos, encontra a informação sobre os preços dos aparelhos que testamos e a indicação das lojas que os vendem. Vale a pena o esforço, diríamos, se considerarmos que, dos 142 produtos com defeito estético analisados, 55 estavam a ser comercializados pelos outlets sem qualquer mais-valia para o cliente.

Se o consumidor tomar apenas em consideração o preço de referência afixado por alguns outlets, poderá ser induzido em erro. O montante indicado até pode ser real. Mas, tendo em conta a variação de preços no mercado, é possível que se consiga encontrar produtos sem defeito a um preço abaixo desse valor.

Para este estudo, visitámos as lojas Bom Preço (Amadora), BSHP Outlet (Oeiras), Eternobom (Leiria), Quase Bom (Pombal), Siterja (Mafra) e Worten Outlet (Coimbra). 


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