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Consumo colaborativo: uma boa intenção com falta de informação

20 maio 2016
O debate “Consumo Colaborativo – Os novos modelos de negócios e de consumo disruptivos” decorreu a 24 de maio na Fundação Cidade de Lisboa.

Três especialistas aceitaram o desafio da DECO de debater o consumo colaborativo, um fenómeno da economia da partilha que tem ganho popularidade através da internet. O painel alertou para as questões de falta de regulação e responsabilização que subsistem.

Tendências para o futuro

“Depois da Corrida ao Ouro” – After the Gold Rush – foi o título da sessão de reflexão sobre consumo colaborativo que decorreu em Paris entre 18 e 21 de maio, no âmbito do Ouishare Festival 2016.

Ao longo de 200 painéis, foi discutido o presente e, sobretudo, o futuro da economia da partilha. A geração de valor e a gestão e proteção de dados pessoais estão entre os principais desafios de um modelo económico cada vez mais popular.

Face às rápidas alterações deste processo, coloca-se hoje a questão: quem capta o valor – o particular ou as plataformas? Entidades como o Airbnb, que tiveram início no consumo colaborativo, mantêm ainda a sua natureza ou têm já como principal objetivo o lucro?

Dados… pessoais?
O desenvolvimento da blockchain, um derivado da bitcoin (a moeda virtual), cujo objetivo é a descentralização de bases de dados ao nível mundial para facilitar a interação entre utilizadores e investidores, é outra dinâmica recente no consumo colaborativo. Multinacionais como a Microsoft ou a Philips estão já envolvidas neste desenvolvimento de negócio.

Contudo, este conceito implica a utilização de quantidades massivas de dados. E é necessário garantir a segurança, a proteção e a privacidade. Questões que a DECO quer continuar a acompanhar mas que, estranhamente, não mereceram reflexão em Paris.

A caminho da sociedade da partilha
Dos dias de discussão em Paris ficou claro que existem hoje três tendências claras no consumo colaborativo que irão marcar o futuro da vida nas cidades:
  • a multiplicação das Sharing Cities – Lisboa está apontada como a próxima sharing city europeia;
  • o desenvolvimento da chamada Civil-Tech;
  • um mercado de trabalho baseado no recurso a trabalhadores freelance. 

Para os participantes no Ouishare Festival é claro que a
colaboração entre vizinhos e a gestão em nome do bem comum – aplicado a bens que não pertencem a ninguém em particular, como a água, o ar ou o conhecimento – serão pilares fundamentais para as sharing cities

Como mostram os exemplos atuais de cidades como Bristol – cuja moeda própria tem o intuito de favorecer a economia local – os municípios têm um papel fundamental na criação de medidas que criem cidades social e ambientalmente sustentáveis.

Em discussão esteve também a civil-tech, a tecnologia criada para facilitar a vida ao cidadão, com especial enfoque nas tecnologias que o colocam em contacto, favorecendo-o e ao seu papel na construção de uma sociedade mais humanizada e menos burocrática. Em destaque esteve o exemplo do blockchain, que promete ligar redes descentralizadas de cidadãos interessados em temas ou projetos comuns.

Sendo claro que a era do emprego para a vida terminou e que o futuro do mercado de trabalho está, de acordo com vários especialistas, nas mãos dos freelancers, há que adaptar a legislação de proteção ao trabalhador a esta nova realidade.

No Ouishare Fest esteve em discussão a necessidade de criar medidas que garantam dignidade aos trabalhadores freelance, como a criação de um salário mínimo, proteção social e garantia dos direitos normalmente reservados aos trabalhadores por conta de outrem. Garantidos estes direitos, a discussão poderá centrar-se não na precariedade que hoje afeta os freelancers e sim nas vantagens deste tipo de trabalho, nomeadamente uma maior autonomia e liberdade na condução da vida profissional.