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Consumidores pedem solidariedade e coronabonds aos líderes europeus

A covid-19 requer uma solução à escala europeia. A emissão de coronabonds ajudaria a criar fundos para garantir a estabilidade do Mercado Único a longo prazo, para proteger as empresas, os sistemas de saúde e o poder de compra das famílias.

03 abril 2020
Coronavírus na bandeira da UE

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A crise causada pelo coronavírus exige a solidariedade de todos os Estados-membros. Já não restam dúvidas: trata-se da maior crise socioeconómica que a Europa enfrenta desde a Segunda Guerra Mundial. Situações excecionais implicam a implementação de medidas também elas de exceção. Por esse motivo, a Euroconsumers, grupo internacional do qual a DECO PROTESTE faz parte, em conjunto com outras organizações de consumidores (a Altroconsumo em Itália, a OCU em Espanha, a Test Achats/Test Ankoop na Bélgica e ainda a Proteste no Brasil), decidiu enviar uma carta (veja a versão em inglês no final do artigo) para os líderes da União Europeia, pedindo a emissão de títulos de dívida conjunta específicos para esta crise, os chamados coronabonds, que consistem em obrigações emitidas em nome da União Europeia e partilhadas em conjunto pelos Estados-membros. A emissão de dívida é a forma de os Estados se financiarem. Na prática, significa que vão pedir empréstimos para todos e que a responsabilidade de pagamento recai sobre todos os Estados-membros, e não só sobre um. Mas é preciso unanimidade.

Segundo um relatório que publicámos recentemente, esta pandemia é já responsável por danos económicos avultados em toda a Europa. A maioria dos governos europeus impôs severas medidas de quarentena nos seus países. Os cidadãos são obrigados a ficar confinados em casa. Nesta situação sem precedentes, as empresas estão a fechar, os cidadãos a perder os seus empregos, as ruas vazias e ninguém sabe dizer por quanto tempo. De acordo com os nossos cálculos, o custo geral da covid-19 ronda, atualmente, 1,4 mil milhões de euros em Portugal, tal como na Bélgica, 12,3 mil milhões de euros em Itália e 6,3 mil milhões em Espanha. E estamos apenas no início desta crise. A situação tem vindo a agravar-se de dia para dia, com vários peritos a alertar para o facto de que o pior está ainda para vir.

Nenhum Estado-membro é responsável pela crise causada por esta pandemia. Trata-se de uma doença que tanto afeta ricos como pobres, que atinge tanto países do Norte como do Sul. A covid-19 galga fronteiras, é um problema pan-europeu, que requer uma solução também ela à escala europeia. Acreditamos que a solução poderia passar pela implementação de coronabonds: estes títulos de dívida conjunta da União Europeia ajudariam a criar fundos para garantir a estabilidade do Mercado Único a longo prazo. Seriam uma forma de se proteger as empresas, os sistemas de saúde e o poder de compra das famílias.

Para a Euroconsumers, é também claro que, uma vez ultrapassada esta crise, não será mais possível voltarmos à situação anterior. Teremos de adotar um novo caminho, um caminho mais verde, construir um futuro mais sustentável. A Euroconsumers está também atualmente a trabalhar no sentido de construir uma economia e uma sociedade mais sustentáveis. Tal é a nossa missão. Será um longo e árduo caminho, para o qual a Euroconsumers e as suas organizações estão prontas para dar o seu contributo. Pedimos aos líderes da UE para que não abandonem os consumidores e os europeus em geral neste percurso. É urgente encontrar soluções para evitar que a emergência do coronavírus leve a uma segunda crise da dívida soberana que poderá colocar em risco não só o euro, mas a própria União Europeia.

 

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