Notícias

Consumidores de todo o mundo no Consumers International Summit

Helena Leurent, diretora-geral da Consumers International

A britânica Helena Leurent é a nova diretora-geral da Consumers International desde abril. A sucessora de Amanda Long iniciou a atividade profissional no setor privado, a representar marcas. Mas foram os 14 anos que permaneceu no Fórum Económico Mundial que a moldaram para o cargo que agora assumiu na organização que agrega mais de 200 associações de consumidores de todo o mundo. Entrevistámo-la no Estoril, onde decorreu o Consumers International Summit, entre 29 de abril e 2 de maio. 

 
A nova diretora-geral da Consumers International, Helena Leurent, trabalhou 14 anos no Fórum Económico Mundial.
 

O que a trouxe para o centro da proteção do consumidor, após ter estado do outro lado, a representar marcas?

Comecei, de facto, a minha carreira a trabalhar para marcas. Adorava a capacidade de pensar no que os consumidores precisam. Já no Fórum Económico Mundial pensamos no que o futuro nos reserva. E reunimos um grande número de pessoas diferentes, para extrair conhecimento e pensar na construção de um futuro melhor. Adquiri uma perspetiva muito diferente. Nos últimos 14 anos, reuni líderes sindicais com organizações da sociedade civil. Quando comecei a trabalhar no Fórum, convidei a Consumers International para fazer parte da rede. A paixão pelos consumidores e a consciência de que é preciso dar-lhes uma voz global levaram-me a pensar que ser diretora-geral era a oportunidade perfeita. Estou muito feliz por integrar a Consumers International.

Qual o maior desafio da Consumers International?

Diria que são tempos de grandes mudanças. Temos as alterações climáticas e a necessidade de alcançar os objetivos de sustentabilidade. Temos a tecnologia, mas um mundo mais fraturado e pessoas divididas e desconfiadas. De que modo podemos usar a tecnologia para construir um futuro melhor e corrigir alguns caminhos nos quais perdemos confiança? Como pôr o consumidor a definir a sua proteção? Há que agir. E delinear o futuro em conjunto. 97% da população mundial tem acesso a uma rede móvel, mas zero por cento tem regras e regulamentos certos. Alguns países estão a avançar rapidamente para a economia digital, mas é o oeste selvagem. Existem outros onde ainda se está a trabalhar o acesso. Preocupo-me com a próxima geração, algo comum às pessoas deste movimento. Preocupamo-nos com o que se está a construir e com o legado. Há países que terão população mais envelhecida. Mas há uma geração que marcha nas ruas e que receia o futuro.

Como vê o futuro da defesa do consumidor?

É preciso pensar de que modo a tecnologia vai funcionar e também refletir em conjunto com empresas, governos, sociedade civil e consumidores. Porque a tecnologia se desenvolve e muda tão rapidamente, precisamos de ser mais ágeis. Provavelmente, vamos ter de pensar mais em princípios básicos e ser mais céleres acerca da sua evolução. Por fim, precisamos de maior transparência.