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Consumidores como nós: entrevista a Lourenço Medeiros

O jornalista Lourenço Medeiros viveu com relativa tranquilidade a pandemia e adianta que passou a recorrer muito mais ao comércio local.

  • Texto
  • Isabel Vasconcelos
21 julho 2021
  • Texto
  • Isabel Vasconcelos
Jornalista Lourenço Medeiros

Victor Machado

Lourenço Medeiros, editor de Novas Tecnologias na SIC, responsável pelo programa Futuro Hoje e um dos fundadores da SIC Online, conversou connosco sobre o seu lado de consumidor e os desafios que tem sentido durante a pandemia.  

O consumidor tem sempre razão?

De uma forma genérica, tem muito mais razão do que a que lhe é geralmente atribuída. Vocês têm lutado por isso, e é preciso que o consumidor tenha mais vezes razão e a mesma lhe seja reconhecida. Mas nem sempre a tem.

Qual foi o seu pior pesadelo de consumo?

Os automóveis. São um péssimo investimento! Implicam sempre uma quantidade enorme de despesas, com as quais não estamos a contar, além das eventuais prestações, caso não tenham sido comprados a pronto. Um carro vem com um serviço que custa muito dinheiro todos os anos.

Já ameaçou alguém de que iria fazer queixa à DECO PROTESTE?

Concretamente à DECO PROTESTE acho que não, mas já me queixei no livro de reclamações.

Que estudo nos falta fazer?

Na minha área, e mais concretamente relacionado com a internet, noto que há uma grande discrepância no verdadeiro acesso à internet, e não me parece que os dados da Anacom revelem toda a realidade. Acho que seria importante termos uma maior noção do que se passa em todo o País. Nas grandes cidades há acessos fantásticos, mas não creio que seja igual por esse país fora, onde, se calhar, a internet até é mais necessária.

Como a pandemia mudou os seus hábitos de consumo?

Como grande parte dos portugueses, gastava algum tempo a ir a uma grande superfície, para fazer as compras para várias semanas. Com a pandemia, finalmente, fiz algo a que me propunha há muito tempo, mas que ainda não tinha feito: ir muito mais ao comércio local. Sobretudo à mercearia, vou, no mínimo, uma vez por semana comprar produtos frescos. Acho que ganhei imenso com esta decisão, embora alguns produtos sejam um bocadinho mais caros. Depois compenso com as grandes encomendas que peço para entregar em casa. Perco muito menos tempo, o que é mais cómodo para mim.

Não sei se haver várias empresas de transportes a entregar produtos em casa das pessoas é bom para o ambiente, mas, por outro lado, também há menos pessoas a circular para ir comprar e acho que uma coisa compensa a outra. Em termos de conforto e de paz de espírito, estou muito melhor.

Qual a maior dificuldade que sentiu?

Felizmente, fui muito pouco afetado e acho que a maior dificuldade foram as relações pessoais. É muito desagradável não poder abraçar os amigos e estar mais com eles.

Em termos pessoais, tenho a sorte de viver num local onde quase não dei pela pandemia. E resolvi os meus problemas de consumo de forma relativamente fácil. Tenho a sorte de não estar fechado num apartamento, pelo que, estar em casa, não era um problema. Era um pouco injusto dizer que senti grandes dificuldades.

O que não voltará a fazer?

Pode parecer pretensioso, mas acho que fiz, mais ou menos, tudo bem. Arranjei a minha vida de forma a ter o mínimo de incómodos possível. Tive a sorte de não entrar em teletrabalho, porque não me daria muito bem. Mas, dentro da minha necessidade de deslocações, tive os máximos cuidados e, claro, uma dose de sorte. Não mudaria grande coisa em relação ao que fiz.

Teve alguma experiência de consumo (boa ou má) durante o confinamento?

Tive imensas experiências boas: as entregas estão a funcionar muito bem. Como experiência má, lembro-me da falta de produtos devido aos açambarcamentos que se verificaram no início, que complicaram muito a vida a toda a gente. Embora nem se possa dizer que o problema fosse das empresas, pois ninguém estava preparado para tanta procura. Acho que responderam muito bem e, hoje, a maior parte dos serviços funciona com eficácia.

Só me lembro de ter uma queixa chata com a Amazon, que me enviou duas vezes a mesma frigideira, com o mesmo problema: por vir mal acondicionada, chegava com uma pega partida. Acabei por comprá-la no El Corte Inglés que acondicionou bem a mesmíssima frigideira.

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