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Consumidores como nós: entrevista a Inês Lopes Gonçalves

Muito atenta às questões do desperdício e ao exagero no consumo, Inês Lopes Gonçalves, apresentadora do "5 Para a Meia-Noite" na RTP1, quer que as empresas declarem guerra ao plástico.

  • Texto
  • Filipa Nunes
17 junho 2021
  • Texto
  • Filipa Nunes
Inês Lopes Gonçalves

Victor Machado

Apresentadora de televisão e radialista, neste momento, conduz a solo o "5 Para a Meia-Noite", na RTP1, depois de alguns anos a fazer parte da equipa de Filomena Cautela no mesmo programa. Começou o seu percurso profissional como jornalista na Rádio Renascença e passou pela Sport TV, pelo Canal Q, pelas revistas Time Out e Sábado e pelo semanário Expresso. Inês Lopes Gonçalves é radialista na Antena 3 e apresentadora de televisão na RTP. Apresenta os talk-shows "5 Para a Meia-Noite", na RTP 1, e o "Traz p’rá Frente", da RTP Memória, com Júlio Isidro, Nuno Markl, Fernando Alvim e Álvaro Costa. Falámos com Inês, entre gravações de programas.

A pandemia mudou os seus hábitos de consumo?

Não mudou muito. Talvez tenha acentuado um padrão de consumo que já vinha acontecendo na minha vida, que tem que ver com, precisamente, não consumir tantas coisas. Houve muita gente para quem as compras online acabaram por ser uma espécie de um hobby, mas, no meu caso, isso não aconteceu. Com o fator externo a obrigar-me a isso, comecei a comprar muito menos coisas do que comprava, às vezes por impulso, ou porque as coisas estão mesmo ali, porque passamos em frente a uma loja e ela está aberta… Também não tive esse ímpeto de ir procurar. Depois, por as lojas terem reaberto, também não aconteceu o oposto, que era assim quase uma avalanche de “ah, agora vou comprar porque não comprei"! Fiquei meses sem pôr os pés num centro comercial e agora também não sinto muita falta disso.

Qual a maior dificuldade que sentiu?

Acho que foi comum a muita gente, relacionado com este aspeto das compras: um bocadinho a ideia da incerteza e aquela tendência que nós tivemos para exagerar um bocado nas compras. Mas não tive grandes dificuldades, porque vivo num bairro onde o comércio local é muito forte, e (já o fazia antes) compro muito no comércio local. Durante o confinamento, continuei a comprar localmente dentro do que era permitido, dos horários, etc., e isso até me ajudava de certa maneira a espairecer nos tempos em que estávamos fechados em casa.

Que aspetos positivos trouxe o confinamento?

Tudo o que nos leve a consumir menos é positivo. Claro que há aqui muitas nuances e obviamente que, depois de uma altura de alguma contenção, o consumo também é bom, para estimular a economia. Mas eu percebi que posso consumir ainda menos. Ou seja, eu já vinha a fazer um esforço de, antes de comprar uma coisa, tentar perceber: é mesmo necessário? Será que não posso viver com aquilo que tenho e ainda cumpre esta função em casa? Acho que também compro com mais consciência, tento privilegiar o que é nacional, comprar melhor para durar mais para comprar menos… Nem sempre é fácil! Tenho dois filhos pequenos e eles crescem tão depressa que não consigo evitar comprar em cadeias que sabemos que não trabalham nas melhores condições. Essa gestão é difícil, e eu própria tenho muitas dúvidas.

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Inês Lopes Gonçalves gostava que as empresas de serviços essenciais melhorassem a comunicação com os cidadãos.
 

Que conselho daria às empresas?

Está indiretamente relacionado com a pandemia, no sentido em que esta pandemia começa precisamente como uma consequência do ritmo e do custo que tem a nossa vida. Acho que há demasiado plástico. E agora que as pessoas fazem tantas compras online, há tanta oferta e tudo é embalado, é tudo em plástico! Também notei, porque consumi mais, que algumas empresas que entregam comida em casa fizeram um esforço no acondicionamento da comida, para procurar embalagens que sejam mais amigas do ambiente, ou em papel, por exemplo.

Outro conselho que daria, e não há outra opção, tem que ver com a literacia com que se fala com as pessoas, sobretudo em empresas de bens que as pessoas necessitam absolutamente, como as telecomunicações. Era bom haver um esforço em falar numa língua que as pessoas entendam, para perceberem exatamente o que é que estão a fazer, a pagar, quais são os seus direitos, os seus deveres. É algo a melhorar, mesmo ao nível institucional: falo de uma simples carta, das finanças, ou uma multa. Muitas vezes, tenho a sensação de que nós não sabemos muito bem o que está escrito, e era importante.

Experiência surpreendente durante a pandemia?

Fiquei surpreendida pela positiva, já no segundo confinamento. Precisava de trocar uma peça do meu aspirador, e tinha muitas dúvidas sobre se ele estaria na garantia. Liguei para a marca e foi a coisa mais simples do mundo! Perguntaram-me o nome, qual era a peça, o modelo e, sem fazer mais perguntas, confirmaram que estava na garantia e em pouco dias recebi a peça em casa. Isto devia ser até normal, mas estamos tão habituados a que as coisas sejam tão dificultadas, da burocracia, dos papéis, do “agora vou ver, agora não dá”, depois “agora vou passar ao meu colega”, que fiquei muito surpreendida pela positiva com este serviço funcionar tão bem. 

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