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Consumidores como nós: entrevista a Aurélio Gomes

Desde que se conhece que se preocupa com o ambiente e tenta sempre reparar equipamentos, antes de comprar novos. Aurélio Gomes revela o que mudou no seu perfil de consumidor, com a pandemia.

  • Texto
  • Filipa Nunes
18 outubro 2021
  • Texto
  • Filipa Nunes
Aurélio Gomes

Eric Rubio/4 See

Aurélio Gomes apresenta o programa "Eixo do Mal", na SIC Notícias, e apresenta-se como "um tipo do Porto, nascido e criado no Porto, e adotado por Lisboa há quase 24 anos". Formou-se em Psicologia, mas, pelo meio, apaixonou-se pela rádio, na Rádio Universitária do Porto. Fez rádio durante 23 anos até chegar ao Canal Q e depois à SIC Notícias.

O consumidor tem sempre razão?

Isso é que era bom! Não, o consumidor tem razão quando tem razão. Eu já vi muitos, presenciei mesmo, a tentar fazer falcatruas com a pessoa que estava a vender um serviço ou um produto. A relação entre consumidor e quem vende um produto ou serviço não é igual, há um desequilíbrio de poder. Mas isso não dá sempre razão ao consumidor.

Qual foi o seu pior pesadelo de consumo?

Tive um, há muitos anos, no início das compras pela internet. Foi a única vez em que comprei pela internet. Mandei vir uns CD dos Estados Unidos, não chegaram, reclamei (e já tinha pago) e  disseram que voltaram a enviar. Os CD foram parar à alfândega, e desalfandegar aquilo era caríssimo. Uma compra de cerca de 30 euros ficava por 60 ou 70 euros. Desisti.

Já ameaçou alguém de que iria fazer queixa à DECO PROTESTE?

Não, pois não senti necessidade disso. Mas já ameacei que, se o comportamento da pessoa que estava a interagir comigo numa loja continuasse naquele tom, ia pedir o livro de reclamações. Entretanto, o gerente percebeu, veio tomar conta da situação, e a coisa acalmou.

Que estudo nos falta fazer?

Imagino que falte muita coisa, mas aproveito para dizer que nos últimos anos tenho reparado numa coisa que me preocupa muito: a qualidade das traduções, em séries, em filmes e especialmente em livros. Sou um grande leitor, compro muitos livros, e tenho reparado que grandes obras, feitas por grandes autores, não merecem em Portugal bons tradutores. O tradutor é quase um segundo autor. Às vezes, compro um livro e começo a ver terríveis erros, não só de português, de concordâncias, e traduções literais de expressões idiomáticas. Se soubesse isso à partida, tinha mas é comprado no original em inglês ou francês, que ainda arranho, e provavelmente evitava o embaraço e ao mesmo tempo este sentimento de ser enganado.

 

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Com más experiências no passado, as compras online não cativam Aurélio Gomes.

 

Como é que a pandemia mudou os seus hábitos de consumo?

Não sou muito agarrado ao dinheiro, mas só compro coisas quando preciso delas. Há gente que compra muita coisa, ou por compensação psicológica, ou por impulso, mas eu não sou muito essa pessoa. A única coisa que mudou na pandemia é que ainda comprei menos. Não comprei roupa nenhuma. Para quê? Mas sei de amigos e amigas que andavam furiosamente na net a comprar tudo e mais alguma coisa. Eu perguntava: mas porquê? E a resposta era: “Ah, porque a gente em casa também não deve perder essa coisa da autoestima.” Bom, cada um é como cada qual. Durante a pandemia, praticamente só comprei comestíveis.

Teve alguma experiência de consumo (boa ou má) durante o confinamento?

Tive um problemazinho, mas curiosamente resolveu-se bem: partiu-se o lavatório da casa de banho, mas encontrei quem resolvesse, seguindo todos os cuidados, com máscara e desinfeção. Ficou resolvido no dia seguinte. Também tive um problema numa pálpebra. Na altura, estávamos no pico da pandemia, com clínicas fechadas, e eu tinha receio de ir a um hospital. Felizmente, uma boa alma, um médico responsável de uma clínica, abriu a clínica só para mim, sem saber quem eu era, por via de um amigo, e resolveu o assunto. Tive sorte.

O que não voltará a fazer?

Talvez tenha ainda menos vontade de consumir coisas. Um exemplo: a minha televisão tem oito anos. É um plasma, mas tem oito anos. A minha máquina de lavar roupa tem 20 anos. Tento sempre arranjar as coisas, quando se avariam, a não ser que fique mais caro do que comprar novo. É um mau sinal dos tempos em que vivemos: hoje em dia, muitas coisas são mais caras de arranjar do que comprar novo. Tento inverter, até porque há uma certa consciência ecológica nisso. Prefiro arranjar do que comprar novo. E, enquanto a coisa for durando, melhor ainda.

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