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Consumidores como nós: entrevista a Ana Galvão

Uns sapatinhos incríveis com missangas que eram afinal um par de chinelos cinzentos, baços e 3 números acima. Quem nunca errou numa compra online? A radialista Ana Galvão tornou-se fã de compras à distância, após a pandemia.

  • Texto
  • Filipa Nunes
14 maio 2021
  • Texto
  • Filipa Nunes
Ana Galvão video

A rádio acompanha-a desde os 18 anos, quatro anos depois de Ana Galvão se mudar de Madrid, Espanha, para Portugal. Ainda hoje, sublinha, mantém “alguns traços de personalidade e nuances no sotaque”. Começou numa rádio local, a Rádio Comercial da Linha, passou pela Rádio Marginal, Antena 3 e, desde 2017, integra a equipa da Renascença, no programa “As 3 da Manhã”. 

A pandemia mudou os seus hábitos de consumo?

Mudou de três formas. Primeiro, passei a comprar muito menos coisas, porque preciso de muito menos e passei a sair menos, como todos nós, sobretudo, quando as lojas estavam fechadas. Acho que compro agora muito menos do que comprava em 2019.

A outra mudança tem que ver com comprar em lojas locais. Como não tinha outro remédio, comecei a procurar lojas locais e passei a comprar ao pé da minha casa, numa mercearia de bairro. Passei a fazer muito mais compras locais, a procurar legumes e fruta local.

A terceira mudança foi descobrir todo o universo de compras online que eu desconhecia. Antes da pandemia, nunca tinha feito uma compra pela Internet. Por medo, porque era uma chatice ter de ter um cartão de crédito para depois colocar os dados e porque tinha tudo à mão. Acho que essa foi a maior mudança na minha vida, foi ter descoberto as compras à distância.

Qual a maior dificuldade que sentiu?

Quando comecei a comprar à distância, a primeira dificuldade foi confiar que não ia ser enganada. A primeira coisa que fiz foi comprar em sítios que já conhecia fisicamente, lojas de roupa às quais vou habitualmente e que toda a gente conhece. De alguma maneira, isso deu-me confiança. 

A segunda dificuldade foi encontrar produtos. Online, tirando as grandes empresas de consumo, por exemplo, têxtil, calçado ou roupa, tenho muita dificuldade em encontrar coisas diferentes. Perco imensas horas à procura de artigos que me digam “podes encontrar isto em tal sítio”. Já passou um ano desde que faço compras online e ainda é difícil encontrar os sítios e saber onde posso comprar com confiança.

O que não voltará a fazer?

Não vou voltar a comprar coisas e artigos abaixo do preço normal de mercado. É um erro crasso, ninguém dá nada a ninguém. Já fui enganada. E não vou comprar mais artigos sem ter a certeza da origem, do país de origem, se é uma empresa que existe mesmo. Agora, já procuro críticas de outros consumidores. Recentemente, encontrei uma coisa genial: há lancheiras elétricas que aquecem. Pesquisei e fui bombardeada logo no e-mail, em todo o lado, por empresas que vendem esse tipo de artigos. Mas fui procurar essas empresas e as críticas de consumidores. A maior parte tem péssimas críticas, ou seja, pus logo esta ideia de lado! 

Que aspetos positivos trouxe o confinamento?

Percebemos que vivemos com menos, sem tanta ansiedade e impulso de poder comprar tudo a toda a hora. Acho que a pandemia ensinou-nos isso. O outro aspeto positivo de comprar à distância em casa é poder comprar e encontrar artigos de todo o mundo. Por exemplo, aprendi a fazer bijuteria e perdia muitas horas a fazer colares e brincos, a encontrar bijuteria e missangas de várias partes do mundo, porque são mais baratas do que em Portugal. Percebi que há sítios do mundo onde se fazem coisas diferentes que podemos trazer para Portugal e aprender outras formas de fazer. É bom poder comprar livros com tempo para escolher e encontrar o melhor preço.

Que conselho daria às empresas?

Apostar no trato personalizado. Gosto muito do contacto físico – acho que isso também é muito nosso - com as pessoas nas lojas, quando nos aconselham “experimente isto ou aquilo” ou “isto pode ficar bem”. O trato na net perde-se completamente. Mas acredito que há forma de misturar estes dois mundos: à distância e personalizado. É uma coisa a melhorar. Também há sites que podem melhorar na facilidade de utilização. Às vezes perco muito tempo a perceber como recebo a fatura, se vou receber no e-mail, como faço para trocar… 

Experiência surpreendente durante a pandemia?

Tenho duas experiências para contar, é uma boa e outra má. A boa é que passei a receber coisas em casa sempre pela mesma empresa. Já sou amiga do tipo que vem cá – é sempre o mesmo –não é um amigo, mas ganhei um conhecido. Ele liga-me e eu digo “atire pelo portão”!  Já sabe a que horas chego… é a parte personalizada disto. A má experiência foi na compra online, a uma empresa que desconhecia, de duas blusas e uns sapatinhos incríveis com umas missangas. Demorou séculos a chegar e, quando finalmente chegou, nada era verdadeiro. O material das blusas era terrível e os sapatinhos incríveis com missangas eram um par de chinelos cinzentos, baços e 3 números acima do meu. Portanto, na minha primeira encomenda, fui vilmente enganada, mas não me tirou a vontade de continuar a comprar. Mas foi uma experiência que me marcou. 

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