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Consumidores como nós: entrevista a Ana Catarina Nogueira

Em tempo de pandemia, a número 13 do ranking mundial feminino de padel revela como mudou o seu consumo e como os negócios mais locais a surpreenderam.

  • Texto
  • Filipa Nunes
22 abril 2021
  • Texto
  • Filipa Nunes
Ana Catarina Nogueira video

José Pedro Tomaz

Antes do padel, modalidade pela qual já soma dez títulos de campeã nacional, Ana Catarina Nogueira jogou ténis profissionalmente durante 15 anos e foi campeã nacional três vezes. O padel só surgiu em 2009, quando ainda ninguém conhecia a modalidade, "por brincadeira e lazer". Quando deu conta, já estava outra vez a dedicar a vida a um desporto. Hoje, é a referência nacional número um e uma das principais estrelas da elite mundial.

A “Portu”, como é conhecida nos courts internacionais, só não treina ao domingo, e isto se não estiver em competições, que não conhecem dias de folga. É uma média de 35 torneios por ano, entre estágios, provas do circuito mundial World Padel Tour, provas em Portugal do circuito da Federação Portuguesa de Padel, eventos internacionais em equipas de Espanha e de Itália, e representação da Seleção em campeonatos da Europa e do Mundo.

Aos 42 anos, a padelista torce por uma aposta mais forte na formação desde os mais jovens e nos apoios à competição e ao padel feminino, sempre com maiores dificuldades. “A Federação tem tido um papel muito bom no padel escolar, já há padel nas escolas. É por aí que a modalidade tem de ir. Não basta que os adultos apareçam e joguem; o futuro vai estar nas crianças e nos jovens”, defende Ana Catarina.

A pandemia mudou os seus hábitos de consumo?

Comia bastantes mais vezes fora, fazia muitas refeições fora. Entre treinos, havia dias em que não tinha tanto tempo para almoçar, e isso mudou radicalmente. Com o confinamento, passei a fazer as refeições em casa. Tenho de pensar mais nisso e organizar-me, de modo a almoçar e a jantar em casa. Também as idas ao supermercado são muito mais reduzidas. Passei a comprar mais online, a usar mais a Uber Eats, o que alterou um pouco os meus hábitos de consumo.

Qual a maior dificuldade que sentiu?

Durante o primeiro confinamento, tive muita dificuldade em treinar, em desempenhar a minha atividade profissional, que é o desporto. Como nem sequer podia sair para treinar, comecei a usar o ginásio de casa de uma amiga, mas não podia treinar padel. O ano passado foi bastante difícil nesse aspeto, pois não sabíamos quando é que iam ser os torneios e se haveria competições. Depois, quando retomámos, também senti muita dificuldade em jogar sem público. É muito estranho para um atleta jogar sem público. Ouve-se o eco das pancadas… Ao nível pessoal, não poder conviver com as pessoas, com a família, etc., fez-me dar valor a certas coisas que achamos que vão estar sempre lá… De facto, deve dar-se muita importância a esses momentos do poder estar, do poder dar apoio às pessoas mais próximas, aos familiares, porque agora vemos que não é sempre possível.

 

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Antes do padel, Ana Catarina Nogueira foi campeã nacional de ténis em três anos. 

 

Que aspetos positivos trouxe o confinamento?

No meu caso, como sou uma pessoa caseira, tive mais essa oportunidade de estar em casa, porque não precisei de viajar tanto. Não houve tantos torneios, provas ou estágios fora. Aproveitei bastante para relaxar e ler mais, por exemplo.

Experiência surpreendente durante a pandemia?

Experimentei algumas lojas mais locais, mercearias, de cabazes locais, e fiquei agradavelmente surpreendida com os produtos que apresentaram. Também tive uma ou outra surpresa de um restaurante da Uber Eats, que oferecia um mimo ou deixava uma mensagem na encomenda. São coisas que parecem simples, mas é um gesto que cai sempre bem.

Que conselho daria às empresas? 

Muitas empresas perderam, porque não tinham a venda online, que, neste momento, é muito importante. Acho que, por exemplo, os clubes e as empresas de padel, dos quais sou mais próxima, têm de pensar em novos produtos a apresentar e de aproveitar estas fases para fazer melhorias das instalações e nos campos e para fazer manutenção.

 

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"Clubes e empresas de padel devem inovar nos serviços e melhorar instalações", defende a atleta.

 

Padel: como começar

Ana Catarina Nogueira defende que o equipamento não deve condicionar as primeiras experiências no padel e que é importante frequentar algumas aulas.

Que dicas gostaria de dar a quem deseja iniciar-se no padel?

Ter aulas desde o início com um professor ajuda bastante a entender o jogo, o posicionamento, a técnica e as táticas. Às vezes, as pessoas começam sozinhas, mas surgem aqueles defeitos difíceis de corrigir. Fora das aulas, também é muito importante jogar e marcar jogos. Não importa muito a raquete tal, ou a sapatilha, ou a roupa. É possível jogar com material de nível aceitável, e o importante mesmo é jogarem, terem aulas, aprenderem e divertirem-se.

Como explica o crescimento da modalidade nos últimos anos em Portugal?

Acho que esta “febre do padel” se explica pelas características do desporto. Para um nível iniciado e intermédio, o padel é um desporto fácil de aprender, e, como é fácil, quem pratica tem logo muito sucesso e quer voltar, fazer aulas e participar em torneios. É muito divertido assistir a esta evolução em Portugal. Curiosamente, depois do primeiro confinamento, notei um crescimento impressionante! O padel passou de desconhecido a desporto com muitos praticantes. É um desporto em que, sobretudo, pode-se conviver, dentro e fora do campo, e conhecem-se novas pessoas. Podemos jogar com a mãe, o filho, o pai ou o avô... passa-se bem o tempo e a fazer uma atividade física. Muitas vezes, pessoas que nunca fizeram nenhum desporto, nem praticaram desportos de raquete, adoram vir jogar padel, conseguem fazer exercício físico e manter-se saudáveis. 

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