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Consumidores como nós: entrevista a Pedro Dionísio

Considerado o “pai” do marketing em Portugal, Pedro Dionísio destaca a adaptação às aulas à distância e o modo positivo como algumas empresas reagiram à pandemia e inspiraram outras.

  • Texto
  • Isabel Vasconcelos
08 janeiro 2021
  • Texto
  • Isabel Vasconcelos
Pedro Dionísio

4See/Raquel Wise

Pedro Dionísio é professor catedrático do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE) na área de Marketing e membro do Conselho Científico do Marketing FutureCast Lab: o primeiro laboratório europeu a estudar novas tendências de Marketing, criado em 2008. É ainda coautor de 14 livros, entre os quais Mercator (vendeu mais de 130 mil exemplares ao longo de 27 anos), consultor e conferencista.

A pandemia mudou os seus hábitos de consumo?

Uma primeira mudança prendeu-se com as aulas, que passaram a ser dadas tanto fisicamente como à distância: no ICSTE esta transformação foi feita em apenas 48 horas. Uma segunda mudança foi no Marketing FutureCast Lab, um projeto que temos no ISCTE, através do qual procurámos mostrar exemplos e tendências para inspirar as empresas a reagir, nomeadamente através de uma série de programas concebidos para a RTP1 chamados “3 minutos a inspirar Portugal”.

Por fim, sob o ponto de vista de consumo, as principais alterações tiveram a ver com um maior recurso a sites, bem como um aumento do consumo de conservas de peixe de boa qualidade, hábito que ainda hoje mantenho parcialmente.

Qual a maior dificuldade que sentiu?

Durante o período de confinamento senti falta de contacto físico nas aulas do ISCTE com os meus alunos e de maior socialização e assistência a espetáculos, nomeadamente desportivos. Também me custou haver menos deslocações, logo menos atividade física, bem como a adaptação a estar em frente ao ecrã.

Que aspetos positivos trouxe o confinamento?

Perante as dificuldades, termos sido capazes de nos reinventarmos. Sob o aspeto pedagógico foi o aprender a trabalhar à distância com plataformas como o Zoom, com aulas, reuniões e conferências. Para acompanhar grupos de trabalho de alunos, em salas separadas, o Zoom permite-me até ser mais produtivo, já que cada grupo passou a estar à distância de um clique. Ao nível das empresas, tenho visto algumas a encontrar caminhos interessantes, novas oportunidades, novos produtos ou novos serviços.

Destaco ainda a realização de Conferências do Marketing FutureCast Lab do ISCTE, sobre as alterações dos comportamentos de consumo e as respostas das empresas, com mais de mil pessoas de todo o País online, o que seria impensável em termos físicos.

O que não voltará a fazer?

Não me recordo de nenhuma ação, mas antes de uma inação, pelo que não voltarei a engordar sete quilos. Contudo, o facto de ter ficado em casa e não poder ir a restaurantes, levou-me a comer mais conservas e a descobrir novos paladares.

Que conselho daria às empresas?

Dois conselhos. O primeiro é olharem para os obstáculos e procurarem soluções em conjunto com as equipas. Muitas vezes há uma inteligência coletiva da qual é preciso tirar partido e é importante mobilizar as pessoas para encontrar essas soluções e implementá-las. O segundo é olharem para o “copo meio cheio” e aproveitar os obstáculos para se instruírem e ficarem num patamar superior. Não será possível para todas as empresas, mas estou certo de que o é para muitas. As empresas são constituídas por pessoas e, portanto, é preciso que gestores e trabalhadores pensem desta forma. Afinal, é nas alturas difíceis que se conhecem os vencedores!

Teve alguma experiência surpreendente durante o período de confinamento?

Tive várias boas experiências. Lembro-me de um problema que tive com o carro e pude contar com a Norauto que, com o seu serviço móvel, resolveu-o. Mas também destaco os programas “3 minutos a inspirar Portugal”, concebidos através do Marketing FutureCast Lab, nos quais tivemos a oportunidade de destacar 20 exemplos de organizações de diferentes setores de atividade, do Minho ao Algarve, que mostram um Portugal a reagir. Esta é uma ideia que muito nos toca porque acreditamos que o tecido empresarial português não pode baixar os braços face a uma situação tão imprevisível. É incontornável que novos desafios esperam as empresas, independentemente da sua dimensão. Estes programas tiveram uma boa audiência acumulada (11,75 milhões de espetadores), passaram entre 30 de junho e 3 de setembro e podem ainda ser vistos na RTPPlay.

Foi um gosto e, ao mesmo tempo, um orgulho ver como estas empresas não cruzaram os braços e procuram encontrar soluções que, total ou parcialmente, os ajudaram a superar um período difícil. Em alguns casos, o volume de negócios até cresceu com diversificação de produtos ou de serviços.

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