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Consumidores como nós: entrevista a Mário Laginha

Aos 59 anos, Mário Laginha, músico e compositor, está atento às questões do ambiente nos hábitos: compra português e baniu o plástico quase por completo.

18 abril 2019
Mário Laginha a tocar piano

4See/Jorge Simão

 

O que estava a fazer há 40 anos?

Tinha 18 anos e estava absolutamente obcecado em estudar piano. Tinha regressado furiosamente ao piano depois de uma pausa.

Quais foram as mudanças sociais mais relevantes neste período?

O mais importante é o facto de vivermos em democracia há 45 anos. Todas as transformações sociais foram possíveis por causa disso. Umas correram melhor do que outras, mas, sem dúvida, o País é melhor. A DECO é um nome que se foi implantando na memória por defender o consumidor. E as pessoas têm mais consciência de que quem consome também tem direitos.

Que papel teve a PROTESTE neste processo?

A PROTESTE é o veículo que chega às pessoas e as alerta. Nas edições que já vi, sou despertado para problemas sobre os quais nunca tinha pensado, como a questão das sementes e a necessidade de as proteger de gigantes como a Monsanto.

A que presta atenção enquanto consumidor?

Desde há dez anos, tenho-me preocupado em comprar o que é feito em Portugal. Além disso, já quase não uso plástico e acho que essa é uma luta que vou vencer, porque já não falta muito.

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“As pessoas têm mais consciência de que quem consome também tem direitos”.

Quais foram as melhores e as piores compras que já fez?

Este piano [na foto] foi uma grande compra. Estava em Macau e percebi que era possível, com transporte, comprar um piano melhor do que eu alguma vez julgara poder comprar. Depois de mais de 20 anos juntos, continuamos com uma boa relação. Já de cada vez que compramos algo que nos defrauda as expectativas, é uma má compra. 

É um consumidor impulsivo?

Tenho um lado impulsivo, mas não sou descontrolado. Quando viajo, gosto de trazer alguns presentes para a família, já que isso mostra que pensámos nas pessoas enquanto estivemos ausentes. Outras vezes, olho para as montras e tenho o impulso de comprar. Se lhe resisto ou não, depende.

O consumidor tem sempre razão?

O ponto de partida deve ser esse. E, mesmo que não a tenha, põe em causa questões pertinentes.

 

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