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Consumidores como nós: entrevista a Leonor Freitas

Depois de uma carreira na saúde, a morte precoce do pai levou-a a abraçar o negócio da família. Em 25 anos, a Casa Ermelinda Freitas cresceu exponencialmente. Consumidora consciente, considera fundamental o nosso trabalho na educação da população portuguesa.

22 fevereiro 2019
entrevista a leonor freitas

4See/José Fernandes

O consumidor tem sempre razão?

Na Casa Ermelinda Freitas, seguimos esse princípio. Tentamos sempre ouvi-lo, esclarecê-lo e levá-lo a perceber qual é a nossa ótica, mas sobretudo queremos que fique satisfeito. O consumidor tem de sentir-se satisfeito para continuar a consumir.

Que direitos do consumidor devem estar mais defendidos?

Os consumidores devem estar esclarecidos sobre a composição dos produtos, e alertados para a sua possível nocividade, mesmo nos medicamentos. Como empresária, defendo que é necessário muito cuidado com as chamadas “letras pequeninas” de contratos, rótulos, etc.

Tem algum hábito de consumo que considere útil para os portugueses?

Talvez o de definir bem o que quero. Quando vou às compras numa grande superfície, levo sempre uma lista escrita com aquilo de que necessito.

É uma consumidora impulsiva?

Não muito. Gosto de ver e pensar, para não me deixar influenciar. 

O que é mais importante quando vai às compras?

A relação qualidade-preço, mas também os ingredientes e a data de validade. E poder comparar com outros produtos, para comprar o melhor ao melhor preço.

Quais foram as suas melhores e piores compras?

Acho que tenho feito muito boas compras, porque tenho a preocupação de estar informada. Mas uma das más compras que fiz foi uma viagem: fui atrás da publicidade e o hotel nem sequer era à beira-mar, ao contrário do que sugeria o folheto...

Passou por algum episódio caricato ao contratar algum produto ou serviço?

Uma vez, tentei arrendar uma casa que aparecia num anúncio, mas cheguei à conclusão de que não existia. Estava sempre arrendada e servia apenas para a empresa atrair clientes e mostrar outras casas.

Papel da PROTESTE na educação

O que estava a fazer há 40 anos?

Estava a terminar o curso de Serviço Social, a fazer o estágio em Setúbal.

Quais foram as mudanças sociais mais relevantes neste período?

Sou uma rural, e nessa altura sentia uma acentuada diferença entre o mundo rural e o urbano, entre o da mulher e do homem. Hoje há uma menor diferenciação de estratos.

De que eventos relacionados com a defesa do consumidor se recorda neste período?

Lembro-me de que antes o consumidor era muito menos esclarecido e, muitas vezes, comprava uma coisa a pensar que era outra.

Que papel teve a PROTESTE na defesa do consumidor?

Teve um papel fundamental na educação da população. É uma revista com credibilidade, isenta, que traz uma informação clara e permite ao consumidor fazer comparações.


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