Notícias

Consumidores como nós: entrevista a Eduardo Ferro Rodrigues

Para as compras grandes, não dispensa os conselhos da PROTESTE, de que é leitor assíduo há 40 anos. Defende que ser um consumidor exigente é bom para todos. 

03 janeiro 2019
eduardo ferro rodrigues

Fernando Piçarra/4See

O consumidor tem sempre razão?

Nem sempre, mas um consumidor esclarecido é sempre mais preparado. O consumidor nem sempre tem os meios de defesa dos seus interesses, especialmente se do outro lado estiver um grande grupo económico. Tal como acontece nas relações laborais, compete ao Estado regular o setor, por forma a assegurar que esses direitos sejam reconhecidos. Garantir que as escolhas dos consumidores se fazem de forma informada é da maior importância. 

Alguma vez usou o livro de reclamações? 

Já usei esse importante direito.

O que é mais importante quando vai às compras? 

Nas compras mais dispendiosas, como a de um carro, de um eletrodoméstico ou de um bilhete de avião, por vezes, procuro o parecer da PROTESTE. Também tento saber a opinião dos consumidores.

Há alguma área em que seja um consumidor particularmente exigente? 

Na área dos bifes, faço por ser um consumidor particularmente exigente [risos]. Mas não tenho dúvidas de que sermos consumidores exigentes é bom para todos.

O consumidor tem poder de negociação? 

Em Portugal, esse poder tem vindo a ser reconhecido. Mas tem de ser mais bem divulgado e disseminado. Não pode ser exercido apenas por aqueles que são mais instruídos ou que têm mais acesso à informação.

Que teste falta fazer?

Não sei. Têm conseguido fazer testes que não são evidentes. Aguardo um teste a robôs domésticos, de que tanto se fala. Já não é futurologia, não é certamente para o meu bolso, mas deve ser interessante.

Qual foi a sua pior compra de sempre? 

Várias. Nem sempre temos a PROTESTE à mão. Mas prefiro não responder, para que os leitores não desatem às gargalhadas [risos].

E a melhor?

Provavelmente, a minha casa.

Alguma vez comprou um produto através das televendas?

Nunca.

O que é mais difícil: fazer as compras do mês ou comprar um eletrodoméstico? 

As primeiras são rotineiras. A compra de um eletrodoméstico implica outro investimento: comparação de preços, de características. Diria que são bons momentos em que devemos consultar a PROTESTE.

Que direitos dos consumidores deveriam estar mais protegidos?

Há sempre melhorias a fazer, mas insisto: no meu entender, a principal defesa para o consumidor é saber quais são os direitos que já existem e a forma como exercê-los.  

Leitor da PROTESTE há 40 anos 

Eduardo Ferro Rodrigues preside à Assembleia da República desde 2015, aquando da entrada em funções do Executivo atual. Os direitos do consumidor são um tema ao qual esteve sempre atento, e destaca a recente batalha pelas mudanças nas cláusulas de fidelização das operadoras de telecomunicações como uma das bandeiras mais importantes dos últimos anos.

O que estava a fazer há 40 anos?

Dava aulas de Economia no ISCTE [Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa] e estava bastante ativo nas causas do aprofundamento da democracia e da cidadania social, algo que tento preservar até hoje.

Quais foram as mudanças mais relevantes neste período?

Não há comparação possível entre o país que éramos e o país que somos. Se olharmos para a evolução dos principais indicadores da saúde pública, da educação, da segurança social, não temos qualquer dúvida dessas mudanças. Podemos dizer que os direitos políticos, sociais, económicos e culturais, consagrados pela nossa Constituição, no essencial, tiveram plena concretização. O desafio é prosseguir e aperfeiçoar a concretização desses direitos.

De que eventos relacionados com a defesa do consumidor se recorda neste período?

A batalha pelas mudanças nas cláusulas de fidelização das operadoras de telecomunicações. Uma batalha justa, finalmente reconhecida pelo Parlamento.

Alguma vez leu a revista PROTESTE?

Faço-o há 40 anos e sempre com interesse.

De que forma é que a PROTESTE ajudou a moldar a sociedade de hoje?

Tem sido um importante instrumento de divulgação dos direitos do consumidor e de escrutínio ao serviço dos cidadãos. 

 

Este artigo pode ser reproduzido para fins não-comerciais se for indicada a fonte e contiver uma ligação para esta página. Ver Termos e Condições.