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Consumidores como nós: entrevista a Conceição Lino

Conceição Lino é uma das caras mais conhecidas da SIC. Defende que a segurança alimentar é uma das áreas que merecem mais intervenção.

04 junho 2019
Conceição Lino jornalista e apresentadora de televisão SIC

4See/Fernando Piçarra

O consumidor tem sempre razão?

O consumidor pode não ter razão, mas quem lida com ele tem de compreender a insatisfação e esclarecer. Quando as pessoas se sentem enganadas, a confiança é muito difícil de recuperar. Lidar de forma honesta e transparente é a melhor maneira.

O que é mais importante nas compras?

Vou sempre a correr. Mas olho para os preços e tento conseguir a melhor relação qualidade-preço.

Algum hábito útil para todos os portugueses?

Talvez o consumir o máximo de produtos frescos ou congelados de qualidade. Faz-me confusão quando a pessoa à frente na fila do supermercado tem muitos produtos embalados. Os consumidores continuam adormecidos em relação a uma série de coisas, nomeadamente os pais que não têm consciência do mal que fazem aos filhos quando lhes dão iogurtes que parecem ótimos, mas cheios de açúcar… Até nos restaurantes há menus infantis com uma componente muito mais nociva do que a alimentação para os adultos.

O que é indispensável em casa?

Fruta e legumes. Um prato com legumes faz-se rapidamente. Não podem faltar, bem como sopa, pão e salada.

Compra em mercados ou no comércio local?

Compro nas superfícies mais perto de casa. Mas tenho um mercado próximo e gosto de ir lá, até pelo atendimento personalizado.

Como reage a um mau serviço?

Geralmente, chamo a atenção. Gosto de dar feedback porque, assim, as coisas podem melhorar. E já tenho tido ótimas reações.

Alguma vez usou o livro de reclamações?

Sim. Estava num restaurante, com amigas, e um grupo de pessoas estava a ter um comportamento inaceitável. Chamei a atenção aos responsáveis e, como não fizeram nada e relativizaram, antes de sair pedi o livro de reclamações.

Que direitos devem estar mais defendidos?

Todas as questões que tenham que ver com a saúde. Por exemplo, os produtos que não têm toda a informação que deveriam. A falta de tempo e a panóplia de produtos com que somos bombardeados faz com que sejamos envolvidos nessa rede e não paremos para pensar. Nessa área, há um trabalho imenso para fazer, e as nossas entidades públicas deveriam intervir mais.

O que estava a fazer há 40 anos?

Fazendo as contas, a esta hora, num dia de semana, estaria na escola.

Das mudanças sociais, o que destaca?

A consciencialização dos direitos.

Que papel teve a PROTESTE?

A PROTESTE tem feito um trabalho assinalável, ao chamar a atenção para os direitos dos cidadãos e para os seus deveres. Pôs a relação diária com o consumo no centro da nossa vida e trouxe investigações que, de outras forma, não teriam sido feitas. Quando falo da consciencialização de direitos como um dos ganhos das últimas décadas, há um contributo da PROTESTE.

Destaca algum acontecimento que envolva o consumidor?

São muitos... Mas posso referir os parques infantis e a situação de degradação em que estavam da primeira vez que a revista chamou a atenção. Teve um impacto muito grande e houve mudanças.

 

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