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Conferência Visões do Futuro arranca em Castelo Branco

As propostas de turismo sustentável e o custo real dos carros elétricos dominaram a conferência Visões do Futuro, em Castelo Branco.

  • Dossiê técnico
  • Alexandre Marvão
  • Texto
  • Nuno César
24 maio 2019
  • Dossiê técnico
  • Alexandre Marvão
  • Texto
  • Nuno César
automóvel volvo carro visões do futuro

4See/António Pires

projeto MOVELETUR (Turismo sustentável e mobilidade elétrica em espaços naturais) e o turismo como fator de sustentabilidade foram os grandes destaques da primeira conferência Visões do Futuro, a 10 de maio, na Biblioteca Municipal de Castelo Branco. Dado que o turismo é a maior indústria global e a vertente sustentável já faz parte da agenda política, George Ramos, coordenador do projeto, ambiciona aproveitar ao máximo a janela de oportunidade do forte fluxo turístico que todos os dias chega ao país e aqueles que procuram espaços naturais. “Vários parceiros, portugueses e espanhóis, criaram uma rede que liga todos os espaços naturais”, revelou. O objetivo é garantir as comodidades que encontram nos grandes centros e criar riqueza, gerando emprego. “Eu não nasci digital, como a nova geração. Eu aprendi a ser digital”, admitiu George Ramos, que valorizou a independência geográfica do turista hoje com um telemóvel na mão. 

O turismo rural, numa sociedade cada vez mais urbana, é crucial e apresenta grandes saídas. Aliada a este projeto de turismo verde está uma aplicação que possibilita descarregar os itinerários para utilizadores da bicicleta ou do automóvel. Também facilita “a interpretação à medida que exploramos os elementos mais interessantes de uma área”, demonstrou George Ramos. Além de criar um novo produto turístico, visa aumentar os postos de trabalho e a utilização de carros elétricos.

Mobilidade, turismo e vida saudável em debate com ligação ao interior do país 
Mobilidade, turismo e vida saudável em debate com ligação ao interior do país.
António Balhanas, diretor-geral da DECO PROTESTE, explicou que este encontro em Castelo Branco enriquece a defesa do consumidor e realçou a presença de jovens “como um enorme sinal de vitalidade”. “Está na hora de abrir a instituição DECO PROTESTE à intervenção da sociedade civil”, avançou António Balhanas. A vereadora Cláudia Soares representou a autarquia e sustentou que a escolha de Castelo Branco “demonstra o trabalho da Câmara Municipal”. A vereadora alertou para a necessidade de cooperação para desenvolver o concelho nas áreas da mobilidade, sustentabilidade e vida saudável. Para Cláudia Soares, estes temas não podem ser um mero pensamento. Têm de fazer parte do dia-a-dia de cada um e da autarquia. Destacou ainda a aposta na inovação e no desenvolvimento de novos produtos.
Cláudia Soares, vereadora da câmara municipal de Castelo Branco, destacou o investimento nas ciclovias e em espaços verdes. 
Cláudia Soares, vereadora da câmara municipal de Castelo Branco, destacou o investimento nas ciclovias e em espaços verdes.

Beira Baixa representa “5% do melhor destino turístico do mundo”

O painel de convidados abordou o turismo como fator de sustentabilidade, a contribuição da mobilidade para uma vida saudável e o interior como oportunidade económica. Bruno Santos, das relações institucionais da DECO PROTESTE, Sara Brito Filipe, diretora da Escola Superior de Gestão de Idanha-a-Nova, e Daniela Rocha, técnica de Geologia do Arouca Geopark jogaram todos os trunfos com casa cheia.

Daniela Rocha não precisou de muito tempo para conquistar a audiência com a lista de conquistas nacionais ao nível mundial, reforçando o impacto e a relevância do contributo das equipas no terreno para a valorização da oferta do País. Recentemente, em março, Idanha-a-Nova e o Geopark Naturtejo foram os vencedores do Prémio de Sustentabilidade na ITB Berlim, a maior feira de turismo do Mundo.

Daniela Rocha, técnica de geologia do Arouca Geopark, destacou os recentes prémios de turismo atribuídos a Portugal. 
Daniela Rocha, técnica de geologia do Arouca Geopark, destacou os recentes prémios de turismo atribuídos a Portugal.
O melhor do turismo nacional seduziu o público de Castelo Branco. 
O melhor do turismo nacional seduziu o público de Castelo Branco.

Portugal está na moda e continua a colecionar prémios. Na reta final de 2018, os World Travel Awards, conhecidos como os óscares do turismo, escolheram o nosso país como o melhor destino turístico do mundo, pelo segundo ano consecutivo. Portugal ficou à frente de concorrentes de peso como Brasil, Maldivas, Nova Zelândia e Vietname. A Madeira foi considerada o melhor destino insular do mundo e os Passadiços do Paiva, distinguidos como melhor atração turística de aventura.

O painel foi unânime: se Portugal foi eleito o melhor destino turístico do mundo, Castelo Branco tem de aproveitar esse potencial e ir a jogo. Os novos nichos de consumo exigem uma DECO PROTESTE em formação constante para defender e proteger os consumidores em qualquer tipo de turismo, como garantiu Bruno Santos, estejamos num resort de luxo ou num monte rural. Bruno Santos tocou vários alarmes e não deixou nada por dizer para o Governo: “não podemos tratar quem está fora de Lisboa e do Porto como regiões abstratas, estamos a falar da vida das pessoas e das famílias que escolheram ficar. Impõe-se uma visão global do País”.

Por sua vez, Sara Brito Filipe, diretora da Escola Superior de Gestão de Idanha-a-Nova, atacou outra frente: “falta sensibilidade dos empresários para valorizar os recursos humanos com base no turismo. Sendo uma região interior, urge aumentar a aposta no investimento do turismo. A formação só tem uma saída: acompanhar o ritmo do crescimento do turismo”. 

Automóvel elétrico já compensa

Esta viagem ao interior foi uma oportunidade para Alexandre Marvão, especialista da DECO PROTESTE, apresentar o estudo que agitou o país em novembro último sobre o custo da propriedade e utilização do automóvel. Gasolina, gasóleo, elétrico ou híbrido? O carro elétrico já compensa e convence em toda a linha. Tem um preço mais elevado, mas os gastos inferiores com energia, manutenção e impostos levam a que o investimento compense.

Segundo Alexandre Marvão, o debate foi abafado pela diabolização do gasóleo, mas o que interessa é olhar para os factos e travar os preconceitos. “A grande vantagem do carro elétrico é a deslocalização do centro das emissões poluentes e a consequente descarbonização das cidades. Para ajudar, a rede pública de carregamento cresceu bastante e deve funcionar como complemento a um posto em casa ou no condomínio”, sustentou Alexandre Marvão. Os utilizadores também precisam de repensar a viagem e estudar o roteiro ao detalhe. Foi o que a nossa equipa de reportagem fez para garantir a viagem de Lisboa a Castelo Branco e o regresso ao volante de um carro 100% elétrico sem qualquer carregamento, ou seja, 444 km de pura autonomia elétrica, dentro da velocidade que manda a lei. A maior utilização e a produção em série fazem-nos sonhar até 2025 com automóveis elétricos por um preço ao nível dos carros convencionais mais vendidos.

Bruno Santos, das Relações Institucionais da DECO PROTESTE, realçou o contributo da conferência em Castelo Branco para projetar as Visões do Futuro em Lisboa, em outubro. 
Bruno Santos, relações institucionais da DECO PROTESTE, realçou o contributo da conferência em Castelo Branco para projetar as Visões do Futuro em Lisboa, em outubro.

Castelo Branco foi o primeiro piloto regional das Visões do Futuro e como brinca Cláudia Soares, vereadora, “o primeiro amor nunca se esquece”. Bruno Santos, das Relações Institucionais, explicou que “a DECO PROTESTE foi ao encontro do interior do país, onde se desenvolvem grandes ideias e projetos inovadores”. No roteiro das Visões do Futuro, os próximos locais serão anunciados em breve. Obrigado a todos os visionários.

 

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