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“A cibersegurança é um tema de cidadania”

Os cibercrimes não só cresceram em Portugal (e no mundo) como estão mais requintados. De que decorre esta ameaça? Temos “cultura de cibersegurança"? Reflexão sobre a necessidade de a segurança no digital ter de ir mais além das questões meramente tecnológicas no novo episódio do podcast POD Pensar.

25 fevereiro 2022
Podcast POD Pensar cibersegurança

“Há um défice de consciência por parte dos cidadãos, dos gestores e dos decisores relativamente à importância e à centralidade da cibersegurança”, critica Lino Santos, coordenador do Centro Nacional de Cibersegurança. Reportando-se ao recente ataque à operadora de telecomunicações Vodafone, que teve um “um efeito de cascata” em serviços críticos, como o funcionamento do INEM, apontou o caminho da solução: “Depois de ganharmos consciência [da importância da cibersegurança], há que investir numa série de mecanismos que aumentem a resiliência e diminuam a probabilidade de estes eventos acontecerem.” Partindo sempre do princípio, ressalvou o responsável, de que um ataque informático pode acontecer a qualquer um. “Ou seja, não é pelo facto de se ter tecnologia state of the art que não há falhas”.

Certo é que “há que reforçar a importância da visão holística da cibersegurança. Não é só defesa nacional, nem só segurança interna, uma questão de mercado ou de direitos humanos. É tudo isto.”

Vanda de Jesus, diretora executiva da Portugal Digital, estrutura de missão do Governo para acelerar a transformação digital do país, implementando as medidas previstas no Plano de Ação para a Transição Digital, concorda. “Não há forma de desacelerar a transformação digital. O que temos de trabalhar é a cultura da cibersegurança. A cibersegurança não é um tema de tecnologia. É uma tema de cidadania.”

“Um risco diferente”

Os ciberataques exploram muito as vulnerabilidades tecnológicas, processuais, mas também, e sobretudo, as vulnerabilidades associadas aos comportamentos humanos, aponta Dalila Araújo, vice-presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT). Refira-se que 40% dos incidentes tratados pelo Centro Nacional de Cibersegurança exploram o fator humano. Os comportamentos humanos – as “portas” que deixamos abertas no mundo cibernético – são a zona mais vulnerável aos cibereventos, como prefere designar a responsável.

Os três debateram, com Aurélio Gomes, a dimensão da ameaça dos sucessivos ataques informáticos que atingiram o nervo de grandes instituições deste início de 2022. Os cibercrimes não só cresceram em Portugal (e no mundo) como estão mais requintados. De que decorre este perigo? Dos nossos comportamentos dependerem cada vez mais do digital? Ter um telemóvel no bolso significa que somos um alvo em movimento?

“Estamos a lidar com um risco diferente. Com eventos que são sabemos bem como ocorrem, qual o impacto e para os quais não estamos preparados”, frisa Dalila Araújo.

Como lidar com esses eventos, como preveni-los, como mitigar o seu impacto são as grandes questões. A tecnologia anda rápido, diz Dalila Araújo. Mais rápido que as políticas públicas ou mesmo o direito.

Perante o crescendo ameaças, é preciso dar um passo atrás na transição digital? Vanda de Jesus acredita apaixonadamente no poder transformacional do digital. Por isso, na sua opinião, não pode haver volta atrás. O que é preciso é melhorar e alargar o perímetro de segurança. “O nosso “perímetro de segurança deixou de ser a casa, o escritório, e passou a ser a identidade digital”. E dá o seu próprio exemplo: “Sou hoje muito mais cuidadosa com a minha identidade digital: com as passwords, as formas de autenticação, etc.”

O ciberataque é um crime com uma natureza volátil, sublinha Dalila Araújo, o que dificulta a sua compreensão e até a ação para o combater. Mas não é “um cisne negro, era previsível; ou seja, a transição digital trouxe isto detrás. Não podemos dizer que não estávamos à espera. A evolução tecnológica tem um potencial enorme, mas é preciso que a proteção das estruturas, dos direitos, liberdades e garantias e do Estado de direito caminhe ao lado”, alerta a responsável.

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