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Barómetro DECO PROTESTE: portugueses vivem para pagar contas

O segundo Barómetro DECO PROTESTE revela que dois terços das famílias portuguesas continuam a viver com dificuldades. Os prejuízos económicos provocados pelo novo coronavírus fazem prever o agravamento deste cenário, nos próximos meses.

  • Dossiê técnico
  • Carlos Morgado
  • Texto
  • Sílvia Nogal Dias e Filipa Rendo
02 abril 2020
  • Dossiê técnico
  • Carlos Morgado
  • Texto
  • Sílvia Nogal Dias e Filipa Rendo
mão de homem a puxar bolso das calças vazio

iStock

Pelo segundo ano consecutivo, a DECO PROTESTE quis saber como vivem as famílias portuguesas. Dois terços afirmaram que, ao longo de 2019, tiveram dificuldades em pagar as contas e 7% admitiram que isso foi missão quase impossível. Já a percentagem dos que revelaram viver sem dificuldades ficou-se pelos 27 por cento.

Com o novo coronavírus, tudo indica que o cenário pouco risonho tenderá a agravar-se. Num inquérito que fizemos entre 18 e 20 de março, 45% das famílias reconheceram já ter tido prejuízos financeiros devido a esta crise.

Barómetro mostra país a duas velocidades

Antes da pandemia, já o Barómetro mostrava diferenças significativas de um ano para o outro, ao nível regional, algo que, certamente, se acentuará no próximo estudo.

Em determinadas regiões, os níveis de pobreza, que, em 2018, eram inferiores à média nacional, sofreram um aumento significativo em 2019: no Centro, mais do que duplicaram, e, no Algarve, chegaram mesmo a triplicar.

No resto do país, a tendência foi inversa, apesar de não tão acentuada. No Norte, no Alentejo e, de forma muito ligeira, em Lisboa e Vale do Tejo, assistiu-se à diminuição dos casos de graves dificuldades financeiras.

As ilhas tiveram a sua estreia no Barómetro, mas não ficaram bem na fotografia. Tanto na Madeira como nos Açores, a percentagem de famílias em situação crítica é mais do dobro da média nacional. Já os níveis de conforto, nos Açores, são muito superiores aos nacionais (44%, em vez dos 27%), o que revela grandes disparidades económicas nesta região.

Grafico 

Despesas correntes esgotam orçamentos familiares

Este retrato da realidade nacional foi feito com base na facilidade que as famílias têm em pagar as despesas do dia-a-dia. Para quase metade, suportar os gastos com a saúde e a habitação é um cavalo de batalha. Na alimentação, um terço do lares debatem-se com dificuldades.

Com os orçamentos familiares esgotados no pagamento das despesas correntes, a poupança é praticamente impossível para 80% das famílias. Mesmo entre aquelas que vivem com conforto, quase metade afirma ter dificuldade em pôr algum dinheiro de parte.

Coronavírus está a agravar dificuldades financeiras

O cenário do próximo Barómetro será, provavelmente, mais negro. Entre perdas de rendimentos do trabalho, de investimentos e de valores adiantados em viagens e espetáculos que não vão realizar-se, os portugueses já perderam, em média, 763 euros com o coronavírus.

O inquérito que fizemos a uma amostra representativa de 1002 consumidores mostra que, só ao nível profissional, as famílias nacionais deixaram de ganhar, em média, 581 euros. Mas uma em cada 10 perdeu mais de 1000 euros.

Extrapolando estes valores para o universo das famílias portuguesas, cada uma terá perdido, em média, 349 euros, valor que, multiplicado pelo total de agregados a nível nacional, resulta em 1,4 mil milhões de euros.

Perante este cenário, estaremos atentos ao impacto desta crise, que poderá originar ou agravar situações de pobreza nos lares nacionais.

Suspensão das prestações da casa alivia orçamentos, mas deixa dúvidas

Para minimizar estes prejuízos, o Governo aprovou algumas medidas de apoio às famílias afetadas pela crise da covid-19. De modo a aliviar os encargos familiares, foi criada uma moratória para o crédito à habitação própria e permanente, que suspende as prestações mensais (capital a juros), por um período de seis meses.

A medida deixa de fora outros créditos hipotecários e o crédito ao consumo (pessoal e automóvel, por exemplo), contratado por um elevado número de famílias, que ficam, assim, desprotegidas. No entanto, alguns bancos estão a estendê-la também a estes tipos de crédito.

O documento aprovado deixa ainda dúvidas sobre se a moratória não vai representar um acréscimo de custos para o consumidor, já que prevê que os bancos contabilizem os juros decorridos durante o período de suspensão do crédito e os acumulem ao capital em dívida. Dessa forma, a medida vai traduzir-se num ganho extra para as instituições bancárias, possibilidade que o Governo deve clarificar.

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