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Barómetro DECO PROTESTE: um país desigual e em dificuldade

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Uma em quatro famílias perdeu grande parte do rendimento em 2020 e vive tempos difíceis. Num ano surpreendido pela pandemia, e a funcionar a meio gás, as desigualdades sociais tornaram-se mais visíveis. Mesmo nas famílias mais estáveis, a previsão para 2021 é cautelosa.

  • Dossiê técnico
  • Carlos Morgado
  • Texto
  • Deonilde Lourenço
25 março 2021 Exclusivo
  • Dossiê técnico
  • Carlos Morgado
  • Texto
  • Deonilde Lourenço
Homem com ar angustiado, em grande plano, e mulher com criança ao colo, em segundo plano. Ambiente doméstico.

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A maioria das famílias portuguesas enfrentam um dia-a-dia espinhoso para vencerem os gastos com alimentação, saúde, habitação, mobilidade, educação e lazer. Esta é a grande conclusão do Barómetro DECO PROTESTE para 2020, que contou com 4690 inquiridos: 63% enfrentam dificuldades financeiras para pagar algumas daquelas despesas, 31% gozam de conforto financeiro (conseguem facilmente pagar todas as despesas) e 6% encontram-se numa situação crítica, ou seja, têm dificuldade em pagar as seis categorias de despesas consideradas no estudo.

Como fizemos o estudo

Medimos a capacidade das famílias portuguesas para fazerem face aos gastos diários através de um questionário, enviado em novembro último, para uma amostra da população adulta portuguesa. Ponderámos os resultados de acordo com a distribuição demográfica portuguesa, segundo sexo, idade, região e habilitações literárias. O estudo contempla um índice, que varia entre 0 e 100: quanto mais elevado for o número, maior é a facilidade dos agregados familiares em pagarem as despesas. Com base no grau de dificuldade, criámos três grupos de famílias: as que se encontram em “situação crítica”, as que apresentam “dificuldades financeiras” e as que estão em zona de “conforto”.

Cortes no rendimento provoca sufoco financeiro na maioria das famílias

As desigualdades sociais estão patentes nos números. Se há famílias a viverem um certo desafogo financeiro, outras há que lutam para sobreviver, vítimas de um ano no qual muitos salários foram reduzidos. Ou seja, a situação é particularmente crítica para um quarto das famílias que viu o seu rendimento decrescer em pelo menos 25 por cento. Estes agregados integram o patamar dos 63% (dificuldades financeiras) e dos 6% (situação crítica). A perda de emprego, a inatividade profissional e a redução salarial são as principais causas da quebra de rendimento originada pela crise pandémica.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, cerca de um milhão de pessoas esteve em casa, em teletrabalho, no segundo trimestre de 2020. Logo, há despesas que deixam de existir, como as relacionadas com transportes (passe social ou combustível) e alimentação (como idas a restaurantes). Estes fatores explicam uma ligeira subida do índice (quanto mais elevado, maior a facilidade em pagar as despesas) face a 2019. Mas as aparências iludem. Muitos serviços funcionaram a meio gás, como o comércio, a restauração e as salas de espetáculos. Outras atividades foram canceladas, como viagens em férias e respetivas estadias.  Todavia, 2020 é excecional. As expectativas para 2021, declaradas no nosso estudo, acentuam o pessimismo e as dúvidas do último ano.

Nos lares mais afetados pela crise desencadeada pela covid-19, o índice desce significativamente: quanto mais baixo, maior a dificuldade em pagar as despesas.

O índice varia entre 0 e 100: quanto mais elevado for o número, maior é a facilidade dos agregados familiares em pagarem as despesas.

O que custa mais a pagar?

Uma das novas realidades que 2020 trouxe, além do trabalho à distância, em grande escala, foi o ensino não-presencial, através da telescola ou de plataformas online. A necessidade de equipamento para as aulas a partir de casa é a explicação lógica para o acréscimo de dificuldade em honrar as despesas de educação, em 2020, em todas as regiões, à exceção de Lisboa e Vale do Tejo, de acordo com os dados do nosso Barómetro. Enumerando, porém, as parcelas a que mais dificilmente as famílias conseguem fazer face, os gastos com o automóvel (combustível, manutenção e seguros) ocupam o topo da lista. Seguem-se as despesas com dentista, férias grandes (viagens e estadias), manutenção da casa (obras, pinturas, etc.) e óculos e aparelhos auditivos.

 

 

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