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Barómetro DECO PROTESTE: 300 mil famílias portuguesas vivem na pobreza

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Mais de três quartos das famílias portuguesas veem-se aflitas para pagar as contas e, para 80%, poupar está fora de questão. Pior: 7%, ou seja, 300 mil famílias enfrentam a pobreza real. Casa, saúde e alimentação asfixiam o orçamento. É o que revela o primeiro Barómetro DECO PROTESTE.

  • Dossiê técnico
  • Carlos Morgado
  • Texto
  • Sílvia Nogal Dias e Filipa Rendo
16 maio 2019 Exclusivo
  • Dossiê técnico
  • Carlos Morgado
  • Texto
  • Sílvia Nogal Dias e Filipa Rendo
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João Ribeiro

Um dia de cada vez: é assim a vida de 77% das famílias portuguesas, para quem as dificuldades económicas fazem parte do quotidiano. O número impressiona. Mas o cenário é mais pessimista: 7%, ou seja, cerca de 300 mil famílias, vivem em situação de pobreza. A conclusão é do primeiro Barómetro DECO PROTESTE, que avaliou o nível de vida com base na facilidade que estas têm ou não em fazer face a seis grandes conjuntos de despesas: habitação, saúde, alimentação, educação, mobilidade e tempos livres.

Do total de 1998 respostas, tratadas estatisticamente para fazer um retrato da realidade nacional, apenas 23% dos inquiridos admitem viver com conforto. Este exercício estendeu-se a outros países europeus, onde a percentagem de agregados com dificuldades também é elevada (61%, na Bélgica e 75%, em Itália e Espanha). Portugal fica pior na fotografia.

Muitas contas à vida

Na qualidade de vida, para a generalidade dos portugueses, a habitação, a saúde e a alimentação são as áreas que ocupam os lugares cimeiros. Mas fazer face a estas despesas é motivo de insónias para uma grande percentagem de famílias (46%, 45% e 32%, respetivamente).

Desdobrámos estas rubricas em vários itens, o que permitiu identificar as despesas que mais fazem tremer a estabilidade dos portugueses: na habitação, a manutenção é um encargo que 55% têm dificuldade em pagar e, para quase 50%, as contas da luz, da água e do gás também são fonte de preocupação.

Na saúde, os constrangimentos atingem 45% das famílias. As idas ao dentista são sacrificadas: 59% das famílias têm bastantes dificuldades em suportar os encargos com a saúde oral. Despesas com óculos e aparelhos auditivos não ficam atrás: fazer face a esta despesa é exercício de contorcionismo para a maioria (59 por cento).

Os números são menos expressivos na alimentação, mas preocupantes: a maioria afirma não ter dificuldades em pôr comida na mesa, mas quase um terço das famílias têm de fazer restrições.

Na mobilidade, 47% dos inquiridos enfrentam dificuldades e isso deve-se aos encargos com o automóvel, uma limitação para uma elevada percentagem (68 por cento). Já no que diz respeito às despesas com transportes públicos, as dificuldades afetam um quarto dos agregados. Para 32% das famílias, está longe de ser fácil arcar com as despesas de educação, sobretudo do ensino superior. A maioria das famílias não tem grande margem para gastos além das despesas correntes. Para 47%, lazer e cultura são luxos difíceis de financiar. Para dois terços, fazer férias fora de casa é uma miragem. E até as escapadinhas de fim de semana ficam fora do radar de 60% das famílias. 

Poupar é também tarefa praticamente impossível para 80% das famílias.

Zoom às famílias

Fechámos o ângulo sobre um conjunto de agregados com diferentes composições e verificámos que, na generalidade, a situação não destoa da média nacional. Mas há casos em que os números são avassaladores: entre as famílias monoparentais, 32% vivem na pobreza e, para cerca de 60%, é difícil pagar até a conta do supermercado.

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A casa é o principal fardo para a maioria destas famílias: 60% dos casais jovens sem filhos admitem ter dificuldades em fazer face a este encargo, enquanto para as famílias de quatro elementos essa percentagem é de 48% e para as pessoas que vivem sozinhas, 40 por cento. Para 73% das famílias monoparentais, a educação é a despesa que mais pesa, enquanto 41% dos casais de reformados afirmam ter dificuldade em pagar os encargos com a saúde.

Índice na primeira pessoa

A partir do retrato feito pelas famílias sobre a sua capacidade para fazerem face a este conjunto de despesas, criámos um índice que reflete o grau de sustentabilidade financeira. Esta foi aferida ao nível nacional e regional, de acordo com três níveis: pobreza, dificuldades económicas e conforto.

 

Sustentabilidade financeira dos portugueses

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