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Barómetro DECO PROTESTE: 300 mil famílias portuguesas vivem na pobreza

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Mais de três quartos das famílias portuguesas veem-se aflitas para pagar as contas. Pior: 7%, ou seja, 300 mil famílias enfrentam a pobreza real. Casa, saúde e alimentação asfixiam o orçamento. É o que revela o primeiro Barómetro DECO PROTESTE.

  • Dossiê técnico
  • Carlos Morgado
  • Texto
  • Sílvia Nogal Dias e Filipa Rendo
14 março 2019 Exclusivo
  • Dossiê técnico
  • Carlos Morgado
  • Texto
  • Sílvia Nogal Dias e Filipa Rendo
barometro

João Ribeiro

Um dia de cada vez: é assim a vida de 77% das famílias portuguesas, para quem as dificuldades económicas fazem parte do quotidiano. O número impressiona. Mas o cenário é mais pessimista: 7%, ou seja, cerca de 300 mil famílias, vivem em situação de pobreza. A conclusão é do primeiro Barómetro DECO PROTESTE, que avaliou o nível de vida com base na facilidade que estas têm ou não em fazer face a seis grandes conjuntos de despesas: habitação, saúde, alimentação, educação, mobilidade e tempos livres.

Do total de 1998 respostas, tratadas estatisticamente para fazer um retrato da realidade nacional, apenas 23% dos inquiridos admitem viver com conforto. Este exercício estendeu-se a outros países europeus, onde a percentagem de agregados com dificuldades também é elevada (61%, na Bélgica e 75%, em Itália e Espanha). Portugal fica pior na fotografia.

Muitas contas à vida

Na qualidade de vida, para a generalidade dos portugueses, a habitação, a saúde e a alimentação são as áreas que ocupam os lugares cimeiros. Mas fazer face a estas despesas é motivo de insónias para uma grande percentagem de famílias (46%, 45% e 32%, respetivamente).

Desdobrámos estas rubricas em vários itens, o que permitiu identificar as despesas que mais fazem tremer a estabilidade dos portugueses: na habitação, a manutenção é um encargo que 55% têm dificuldade em pagar e, para quase 50%, as contas da luz, da água e do gás também são fonte de preocupação.

Na saúde, os constrangimentos atingem 45% das famílias. As idas ao dentista são sacrificadas: 59% das famílias têm bastantes dificuldades em suportar os encargos com a saúde oral. Despesas com óculos e aparelhos auditivos não ficam atrás: fazer face a esta despesa é exercício de contorcionismo para a maioria (59 por cento).

Os números são menos expressivos na alimentação, mas preocupantes: a maioria afirma não ter dificuldades em pôr comida na mesa, mas quase um terço das famílias têm de fazer restrições.

Na mobilidade, 47% dos inquiridos enfrentam dificuldades e isso deve-se aos encargos com o automóvel, uma limitação para uma elevada percentagem (68 por cento). Já no que diz respeito às despesas com transportes públicos, as dificuldades afetam um quarto dos agregados. Para 32% das famílias, está longe de ser fácil arcar com as despesas de educação, sobretudo do ensino superior. A maioria das famílias não tem grande margem para gastos além das despesas correntes. Para 47%, lazer e cultura são luxos difíceis de financiar. Para dois terços, fazer férias fora de casa é uma miragem. E até as escapadinhas de fim de semana ficam fora do radar de 60% das famílias.

Índice na primeira pessoa

A partir do retrato feito pelas famílias sobre a sua capacidade para fazerem face a este conjunto de despesas, criámos um índice que reflete o grau de sustentabilidade financeira. Esta foi aferida ao nível nacional e regional, de acordo com três níveis: pobreza, dificuldades económicas e conforto.

Sustentabilidade financeira dos portugueses

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O Barómetro DECO PROTESTE permitiu também identificar segmentos da população mais vulneráveis. Os agregados com algum dos membros em situação de desemprego enfrentam dificuldades acima da média (11 por cento). Mas nas famílias monoparentais os níveis de pobreza atingem valores brutais: 32% por cento.

 

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