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Consumidores como nós: entrevista a Ricardo Araújo Pereira

É o primeiro de uma série de entrevistados bem conhecidos do público que nos apresenta a sua faceta de consumidor. Nome incontornável do humor em Portugal, Ricardo Araújo Pereira desabafa sobre conflitos com seguradoras.

02 novembro 2017
02 novembro 2017
entrevista a Ricardo Araújo Pereira

4 See/Paulo Alexandre Coelho

Admite que não explora o seu lado mais “queixoso” e que é um privilegiado por não ter muitos motivos para reclamar. Mas se há tema que o inflama são as seguradoras. Veja no vídeo a entrevista completa.

Qual prefere: o livro de reclamações ou o livro de elogios?

O de elogios, claro. Suponho que toda a gente prefira esse. Nunca tive motivo para usar o de reclamações. Acho que sou sempre muito bem tratado. Ou achava, até ter ido jantar com o Fernando Mendes. O Fernando Mendes é mais bem tratado do que o Presidente da República. E merece.

Alguma vez ameaçou alguém que iria fazer queixa à DECO? Qual foi o resultado?

Nunca. Mas imagino que assuste.

Qual o seu pior pesadelo de consumo?

Comprar uma coisa que não funciona. Já me tem acontecido. O produto é novinho em folha e encontra-se em condições. Tirando o facto de não funcionar. Irrita um bocadinho.

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Ricardo Araújo Pereira revela problemas em lidar com seguradoras.

Já recorreu a algum serviço nosso? Se não, em que situações poderia recorrer?

Nunca recorri. Quando tenho razões para recorrer, os trafulhas acabam por se valer da minha preguiça. Reclamar dá trabalho. Quando percebo que comprei gato por lebre, em lugar de recorrer à DECO, costumo deitar-me no chão em posição fetal durante uma boa meia hora. Não resolve a injustiça, mas alivia qualquer coisa.

Qual é o estudo que nos falta fazer?

Já fizeram algum sobre seguradoras? Talvez se possa organizar um campeonato das desculpas mais insidiosas para não pagar apólices.

O consumidor tem sempre razão?

Nem sempre. Já testemunhei ocasiões em que o consumidor, apesar da intensidade do protesto, não tinha razão nenhuma. Uma vez fizemos uma rábula vagamente inspirada numa dessas situações, sobre um cidadão que reclamava por causa de uma salada que trazia apenas um nico de tomate. "Nico de tomate" foi uma expressão que o próprio consumidor em causa nos ofereceu.

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A história da queixa sobre um ‘nico de tomate’ é verídica e inspirou uma rábula de Gato Fedorento.
 Todos o conhecem como “Gato Fedorento”, grupo humorístico que fundou com Miguel Góis, Zé Diogo Quintela e Tiago Dores, em 2003. Ricardo Araújo Pereira começou a sua carreira como jornalista no Jornal de Letras e é guionista desde 1998. Divide-se entre crónicas em publicações, participações em programas de rádio e coordenação e escrita de literatura de humor.

Arrancamos assim a série de entrevistas com figuras nacionais conhecidas do grande público. O objetivo é revelar mais sobre as suas facetas enquanto consumidores.


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