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Manual de poupança: 5 dicas para pagar menos em 2020

Renegociar taxas com o banco, pedir uma nova avaliação da casa ou aplicar o dinheiro em planos de poupança são algumas das possibilidades para poupar em 2020.

29 outubro 2019
manual poupanca

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Casa, saúde e alimentação asfixiam o orçamento das famílias, o que leva a que apenas 20% dos portugueses tenham margem para poupar, segundo o primeiro Barómetro DECO PROTESTE. Ainda assim, há algumas formas de pagar menos em 2020.

Renegoceie a taxa de juro do cartão de crédito

Contratou o seu cartão de crédito há 10 anos ou mais? É possível que esteja a pagar uma taxa de juro na casa dos 30%, muito acima da taxa máxima legal admitida pelo Banco de Portugal para os cartões mais recentes (15,7% no quarto trimestre de 2019). Em 2009 foi aprovado um decreto-lei que determina as taxas anuais efetivas globais (TAEG) máximas que podem ser cobradas para cada tipo de crédito ao consumo, incluindo cartões de crédito. As taxas que ultrapassam esses limites são consideradas usurárias, de acordo com a lei. Esta limitação é válida apenas para os contratos celebrados a seguir à entrada em vigor do decreto-lei, ou seja, a partir de janeiro de 2010. Os contratos anteriores estão sujeitos às taxas aplicadas na altura da respetiva celebração.

Ver simulador de cartões de crédito

A desigualdade entre utilizadores antigos e recentes é clara. Dois consumidores com o mesmo cartão podem ter taxas de juro distintas. Enquanto um, com contrato após 2010, vê o seu juro revisto pela instituição em função dos limites máximos definidos trimestralmente pelo Banco de Portugal, o outro, detentor de um cartão mais antigo, mantém a taxa. Exemplo prático: se comprar um televisor por € 1500 com um cartão de crédito cuja TAEG é de 32,8% – a TAEG máxima média que vigorava antes da nova legislação –, a pagar em 12 meses, e o seu vizinho comprar o mesmo aparelho com um cartão com uma TAEG de 10,8% (a mais baixa do mercado neste momento), quando o produto estiver pago, terá desembolsado mais 158 euros.

As instituições de crédito não são obrigadas a rever as condições destes contratos, mas, se estiver nesta situação, nada o impede de tentar. Contacte o banco, de preferência, por escrito. Peça a revisão da TAN (Taxa Anual Nominal) atual do cartão de crédito, evocando a disparidade de valores cobrados a clientes com cartões anteriores a 2010. Se o banco aceitar a renegociação do contrato e lhe propuser um novo cartão de crédito, verifique se a TAEG é inferior a 12%, pois estará entre os mais baratos do mercado. Caso contrário, há opções mais vantajosas.

Caso o banco não seja sensível aos argumentos e negar a renegociação, verifique se está preso a esse produto. Por exemplo, o cartão de crédito pode ser uma contrapartida para uma taxa de juro mais baixa no crédito à habitação e desistir dele pode ter consequências na prestação da casa. Se for esse o caso, consulte o nosso comparador de cartões de crédito e tente trocar pelo cartão mais barato comercializado pelo seu banco.

Peça uma nova avaliação à casa para poupar no IMI

Muitas casas continuam a pagar imposto municipal sobre imóveis (IMI) a mais. E muitas outras estão a pagar o valor justo. A única forma de apurar se a sua casa está no primeiro ou no segundo lote é calcular o valor correto de IMI e confrontá-lo com o montante cobrado pelas Finanças. Mais de 26 mil pessoas seguiram, nos últimos nove meses, a nossa recomendação, e simularam o valor correto de IMI a pagar pelas suas casas. Em cada dez simulações, sete podem poupar já em 2020. Em média, as poupanças rondam os 78 euros. Basta ter a caderneta predial do imóvel para, em poucos minutos, simular o imposto justo a pagar.

A 1 de janeiro, o valor de construção de todas as casas subiu oficialmente de 603 para € 615 por metro quadrado. No entanto, as Finanças não atualizaram esta parcela (que influencia o cálculo de IMI) em todos os imóveis. Apenas o fazem quando o imóvel é transacionado ou quando o proprietário solicita uma nova avaliação. Daí que nem sempre compense fazê-lo. Ao pedir a nova avaliação da casa, as Finanças irão atualizar todos os coeficientes. Uns poderão descer, como os referentes à antiguidade do imóvel (coeficiente de vetustez) ou à sua localização. Outros poderão subir, como o valor de construção. Entre subidas e descidas, pode haver margem para poupar.

Se é o seu caso, avance com o pedido de avaliação às Finanças. Convém fazê-lo pessoalmente, no balcão da área de localização do imóvel. Em princípio, ficará dispensado de apresentar documentos de que os serviços já dispõem, como as plantas do imóvel, e apenas terá de assinar o modelo 1 do IMI, que o funcionário ajudará a preencher. Só tomando esta medida antes de 31 de dezembro garante que terá efeitos práticos já no próximo ano. Lembre-se, no entanto, de que os funcionários do Fisco fizeram greve nos últimos dias de 2018, pelo que não será boa ideia deixar este assunto para tratar em vésperas do réveillon. Se apresentar o pedido através da internet – o que desaconselhamos –, não só terá de anexar um imenso rol de documentos, nem sempre fáceis de reunir, como terá de enfrentar sozinho a complexidade do preenchimento online do modelo 1 do IMI.

Invista já num PPR

Falar em poupar para a reforma quando uma franja significativa da população não tem sequer folga no orçamento familiar para as despesas fixas pode parecer irrealista. No segundo trimestre deste ano, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), os portugueses economizaram apenas € 5,90 por cada € 100 de rendimento disponível, o valor mais baixo das últimas décadas. 

Mas quando um relatório da Comissão Europeia estima que, em 2050, o valor das pensões na função pública representará menos de metade (44,2%) do último salário dos trabalhadores - nove pontos percentuais abaixo de 2020 - a discussão sobre poupança impõe-se. E a necessidade de encontrar boas soluções também.

Simule quanto pode ganhar com um PPR

Voltemos, então, à poupança das famílias segundo o INE: € 5,90 por cada € 100 de rendimento. Considere um terço desse valor, ou seja, cerca de dois euros. E se lhe dissermos que juntando dois euros por dia consegue amealhar mais de 110 mil euros até à idade da reforma? O cenário não é impossível nem tão-pouco irrealista. Pressupõe que começa a pôr este dinheiro de lado aos 30 anos e o aplica no fundo recomendado pela equipa da PROTESTE INVESTE, o qual rendeu 6,7% ao ano nos últimos cinco. Além de amealhar para o futuro, começa já a poupar, uma vez que os valores aplicados anualmente em PPR são dedutíveis até 20% no IRS e, no momento do reembolso, beneficiam de taxas de imposto mais reduzidas.

Se já passou dos 30 e vê a idade da reforma aproximar-se a passos largos, será difícil conseguir um pé-de-meia tão interessante, mas nem tudo está perdido. No nosso simulador encontra a receita certa para as suas poupanças. É provável que tenha de optar por um produto com menos risco, sob forma de seguro. A boa notícia é que os mais rentáveis pagam acima da esmagadora maioria dos depósitos.

Já tem um PPR? Melhor ainda. O primeiro passo está dado. Apesar disso, não pense que a reforma dourada é garantida. Todos os PPR têm uma entidade gestora. E, como em tudo, há entidades mais e menos eficientes a gerir os ativos dos seus produtos. Dos 669 PPR que existem em Portugal, apenas 17% têm um rendimento considerado aceitável ou bom (acima de 3,8 por cento). Em contrapartida, cerca de um quarto apresenta ganhos nulos ou inferiores a 1 por cento. Ou seja, a probabilidade de ter apostado no cavalo certo não é grande. Já o risco de estar a desperdiçar centenas de euros por ano é enorme. Mais uma vez, inverter a tendência é possível. Simule se compensa mudar de parceiro nas poupanças. O processo é simples, a sua reforma agradece e o seu IRS também.

Crédito da casa: como renegociar o spread

Os últimos anos têm-se caracterizado por uma descida generalizada dos spreads no crédito à habitação. Com a maior disponibilidade das instituições bancárias para oferecer crédito, os spreads têm vindo a baixar de forma acentuada, afastando-se dos valores que chegaram a ultrapassar os 5% no auge da crise económica. Nos dias que correm, é possível obter propostas com spreads que pouco superam o valor de 1 por cento. É certo que ainda não chegámos aos valores de poucas décimas característicos do período pré-crise, mas estamos a passar por um período de acesso ao crédito a um custo bastante barato.

Por isso, se tem crédito à habitação, repare no seu extrato e veja qual o spread que o banco lhe está a cobrar. Se o valor for superior a 1,5%, chegou a hora de renegociar. Comece por pesquisar o mercado e reunir pelo menos 3 ou 4 propostas que apresentem valores mais baixos ao que está a pagar.

Ver simulador de crédito à habitação

Não se esqueça de comparar pela TAEG, optando pelas mais baixas. Depois, confronte o seu banco com as propostas e peça para renegociar o seu contrato.

Tenha atenção se a instituição de crédito lhe exige a subscrição de produtos ou condições adicionais para lhe baixar o spread. Se o seu banco não quiser baixar o custo do crédito por si contratado, apesar de lhe ter mostrado que consegue propostas melhores, talvez tenha chegado a hora de assinar o “divórcio” e transferir o crédito para outra instituição. Não se esqueça que tal implicará alguns custos tais como comissões de amortização antecipada, custos iniciais de estudo do processo de crédito e notariais, relativos à realização da nova escritura. Contudo, não deixe de perguntar ao banco para o qual pretende transferir o financiamento se está disposto a suportar estes custos, pois pode até ter uma surpresa agradável.

Poupe sem abdicar do conforto da casa

A fatura da energia, por exemplo, é uma das que pode conseguir baixar ao comparar produtos. Sabe quais os melhores equipamentos para aquecer a sua casa? O nosso assistente virtual pode ajudar na escolha. Se a solução for um ar condicionado ou uma salamandra a pellets, ajudamos a escolher e a poupar. Os resultados completos desses dois comparadores estão abertos a todos os consumidores. Se explorar, vai descobrir que, por exemplo, a poupança global com o ar condicionado é de 234 euros.

Para saber onde poupar, nada melhor do que comparar preços. Em produtos como televisores, máquinas de lavar loiça e roupa, telemóveis e aspiradores - basta atravessar a rua e entrar numa loja concorrente para poupar até centenas de euros. Nos nossos comparadores, encontra os produtos e os respetivos preços mínimos e máximos de todos os modelos testados. E ainda consegue verificar os preços nas lojas físicas e online para fazer a escolha acertada.

 

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