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Gerir bem o orçamento familiar

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Perceber para onde vai o dinheiro é o primeiro passo para gerir melhor as finanças, avaliar com mais rigor do que precisa e conseguilo gastando menos. Objetivo: rentabilizar poupanças e obter maior desafogo financeiro.

  • Texto
  • Paula Silva
13 março 2019
  • Texto
  • Paula Silva
caderno dinheiro

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Anotar sistematicamente as despesas permite ganhar consciência de quanto gasta e em quê, chamando de imediato a atenção para eventuais custos desnecessários. Ou seja, registá-las pode, desde logo, ajudar a reduzi-las. Crie categorias, como habitação, eletricidade, gás, vestuário, automóvel, educação, etc., e anote os montantes correspondentes. Esta visão de conjunto será muito útil para identificar as despesas mais importantes e onde é possível poupar.

Em seguida, elabore um plano geral de todos os rendimentos e despesas durante um determinado período. Este permite identificar como o agregado familiar gasta aquilo que ganha. Cada família faz as suas escolhas, determina as suas prioridades em matéria de despesas e, como tal, emprega os seus recursos de maneira específica.

A maioria das receitas e uma boa parte das despesas tem periodicidade mensal. Contudo, basear todas as contas num mês específico não reflete a realidade da melhor forma: os rendimentos e as despesas não são sempre iguais. Enquanto, por exemplo, a prestação do crédito à habitação é paga mensalmente, a fatura da eletricidade pode ser enviada de dois em dois meses. Certos prémios de seguro são pagos anualmente, tal como algumas taxas e impostos. Tenha em atenção que até a prestação do crédito à habitação pode variar, no momento de revisão da taxa, caso não seja fixa. Por isso, contabilize todas as receitas e despesas ao longo de um ano e calcule médias mensais.

Anotar as receitas

Para a maioria das pessoas, o salário constitui a fonte de rendimentos mais importante. Anote os montantes líquidos, pois o que importa é o dinheiro que pode gastar. O salário líquido é o montante que o empregador deposita mensalmente na sua conta, feitos os descontos para a Segurança Social e a retenção na fonte do IRS. Conte ainda com subsídio de férias e o de Natal, se a eles tiver direito, bem como com eventuais prémios, rendas, juros ou dividendos.

Anotar as despesas

Uma grande parte dos rendimentos mensais é absorvida de imediato pelo pagamento da renda ou da prestação do crédito à habitação, das faturas da eletricidade e do gás e por mensalidades diversas. São os encargos fixos, que pouco ou nada variam de um mês para outro. Quanto aos custos variáveis, dependem muito dos hábitos ao longo de um determinado período. Por exemplo, a frequência com que vai ao restaurante ou o uso mais ou menos intensivo que dá ao automóvel. É mais difícil fazer o apanhado de todas estas despesas, mas há que tentar seguir-lhes o rasto e quantificá-las.

Para ter uma referência de controlo, calcule as despesas comparando o rendimento total com o dinheiro que lhe resta – ou falta – no fim do mês. Desta forma, saberá logo o valor total das despesas nesse mês. Mas não se esqueça de que, para controlar as despesas, sobretudo as variáveis, de forma mais rigorosa, o melhor é fazer um registo diário de quanto gasta e em quê. Inclua tudo, do jornal e dos cafés que toma ao longo do dia até aos artigos mais caros. Registar as despesas é um método bastante eficaz para mudar os hábitos de consumo, mas exige uma disciplina considerável.

Depois de fazer este registo ao longo de alguns meses, analise os totais e pergunte a si próprio se está satisfeito com o destino que tem dado ao dinheiro.

De olho nos consumos

Mesmo as pessoas mais poupadas podem desperdiçar centenas de euros por ano sem se darem conta. Por exemplo, no que respeita ao dispêndio energético, se utilizar apenas lâmpadas de baixo consumo, apagar as luzes quando não são necessárias, baixar alguns graus a temperatura do aquecimento e moderar o uso do ar condicionado, estará a poupar dinheiro sem grande esforço e a contribuir para reduzir a emissão de contaminantes.

Há muitas outras áreas onde pode reduzir as despesas. Instalar dispositivos de poupança de água no chuveiro e no autoclismo, diminuir a utilização do carro e manter a pressão adequada nos pneus, para evitar o desperdício de combustível, gerir de forma mais atenta as compras do supermercado e guardá-las em boas condições de conservação. Contas feitas, é muito dinheiro que pode facilmente poupar.

Reservas para o inesperado

Cortar em despesas importantes, como as relativas à manutenção da casa e dos aparelhos domésticos, é uma falsa poupança. De facto, no imediato fica com mais dinheiro disponível, mas, a longo prazo, poderá ter de substituir equipamentos ou fazer obras devido a danos que poderiam ter sido evitados. E é importante ter reservas para uma nova máquina de lavar ou para uma reparação indispensável.

Se tiver de pedir um empréstimo para fazer face a estes imprevistos, sai mais caro. Terá de pagar juros sobre o montante emprestado. Além disso, ficará com o encargo adicional da dívida. As reservas para fazer face a imprevistos onerosos devem ser consideradas despesas inevitáveis, em relação às quais há pouca margem.

O esforço de poupança terá mais hipóteses de sucesso se todos os membros da família o perceberem e aceitarem. Uma despesa que parece supérflua a uma pessoa pode ser muito importante para outra. Poupar é também uma questão de concertação e de escolhas conjuntas.

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Conselhos para os mais gastadores

Fixe um limite máximo para os gastos ao longo da semana. Levante esse montante na segunda-feira, de manhã, e faça-o durar até domingo.

Se tiver um cartão de crédito, procure efetuar o pagamento dos extratos na totalidade, durante o período em que não está sujeito a juros (20 a 50 dias após cada compra). Se ainda não o tem, mas anda a tratar disso, procure um cartão sem anuidade.

Deposite numa conta à parte o dinheiro destinado a concretizar determinados objetivos (férias, por exemplo). Desta forma, reduz o risco de o gastar em compras por impulso

Uma poupança modesta, mas regular, pode render bastante a longo prazo. Considere os pequenos extras diários de que poderá prescindir. Se, por exemplo, fumar um maço de tabaco por dia (4 euros) e deixar de o fazer, ao fim de um ano, terá poupado quase 1500 euros. Dez anos depois de deixar de fumar já serão 15 mil euros! E, se entretanto for pondo o dinheiro a render, poderá ainda somar os juros acumulados a esse total. Mais um incentivo para deixar de fumar.


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