Dicas

Como sobreviver aos aumentos de preços

A guerra na Ucrânia levou a uma escalada de preços na energia e nos alimentos um pouco por todo o mundo. Saiba onde e como pode poupar para sobreviver às subidas de preços. 

mulher olha para o linear de um supermercado e analisa os preços

iStock

A incerteza anda de mãos dadas com a volatilidade dos preços e o receio de que o conflito entre a Ucrânia e a Rússia possa escalar para uma guerra em toda a Europa criou o ambiente perfeito para uma nova crise económica global. A tensão faz-se sentir na carteira dos consumidores. Combustíveis, eletricidade, gás e alimentação são bens essenciais cujos preços têm aumentado nos últimos meses. Saiba o que está a acontecer e como preparar o orçamento familiar para mais uma crise.

Preços da energia em rota ascendente

Ainda a recuperar da instabilidade provocada pela pandemia de covid-19, os mercados energéticos enfrentam agora uma nova crise provocada pela guerra na Ucrânia. Combustíveis, eletricidade e gás têm sofrido grandes subidas de preços. Há, no entanto, algumas medidas que o podem ajudar a reduzir os gastos com a fatura dos combustíveis, da eletricidade e do gás.

Poupar nos combustíveis

O Governo adotou algumas medidas para tentar mitigar o impacto dos aumentos dos preços dos combustíveis no orçamento das famílias portuguesas. No entanto, as previsões indicam que a volatilidade de preços não deverá abrandar. Os consumidores podem, por isso, mudar alguns comportamentos que contribuem para o aumento da despesa com combustíveis.

  • Adote uma condução mais eficiente. Além de contribuir para diminuir as emissões de gases com efeito de estufa, uma condução otimizada ajuda-o a poupar combustível. Travar muitas vezes e bruscamente, acelerar ou conduzir com mudanças mais baixas podem fazê-lo gastar mais.
  • Desligue o motor nas paragens sempre que preveja ficar parado por períodos superiores a um minuto. Deixar o carro em ponto morto com o motor a trabalhar consome meio litro de combustível por hora.
  • Preste atenção à pressão dos pneus. Se for excessiva, a aderência ao piso diminui. Se for demasiado baixa, o consumo aumenta na razão de 1% por cada 0,1 bars abaixo da pressão recomendada.
  • Limite o uso do ar condicionado porque este também faz aumentar o consumo de combustível.
  • Reduza o peso desnecessário. Retire da mala do carro os objetos de que não precisa, mas que aumentam o peso do veículo. Por cada 100 quilos de peso a mais, gastará mais 5% de combustível.
  • Use o carro apenas para deslocações indispensáveis, optando pelos transportes públicos para deslocações mais frequentes. Pode, ainda, optar por partilhar o carro com amigos ou colegas de trabalho. Algumas aplicações permitem inclusive encontrar pessoas que pretendem viajar para o mesmo destino e partilhar despesas. Lembre-se também que nas grandes cidades há cada vez mais opções de mobilidade, nomeadamente carros, scooters, bicicletas e trotinetas partilhadas.
  • Descubra e monitorize o consumo real de combustível do seu carro para obter maiores níveis de poupança.
  • Usufrua dos descontos oferecidos pelas superfícies comerciais e parcerias como o nosso cartão DECO+.

Reduzir a conta da eletricidade

Ainda antes da invasão da Ucrânia pela Rússia, a eletricidade já dava alguns indícios de que este ano poderia ter um grande impacto no bolso dos consumidores. Os preços subiram, mas há forma de reduzir os consumos.

  • Olhando para a sua fatura consegue identificar se o seu consumo em vazio representa metade do valor total ou próximo? Em caso afirmativo a tarifa bi-horária pode compensar.
  • Se já aderiu ao mercado liberalizado, saiba que, neste momento, a tarifa regulada é a opção mais barata para a maioria dos consumidores. Descubra no nosso simulador qual o fornecedor de eletricidade com a tarifa mais adequada ao seu perfil de consumo.
  • Não deixe os equipamentos elétricos em standby. Embora pareçam desligados, estão a consumir energia. Ao desligá-los na tomada, poderá poupar cerca de 10% na fatura energética. Se desligar, por exemplo, as boxes da TV, em vez de as deixar em standby, poderá poupar cerca de 14 euros por ano.
  • Se precisa de comprar um novo eletrodoméstico, opte por um que seja eficiente. A etiqueta energética ajuda a identificar a melhor opção.
  • Sempre que sair de uma divisão, apague as luzes.
  • A temperatura adequada ronda os 20ºC no inverno e os 25ºC no verão. A redução de apenas um grau no aquecimento, no inverno, pode valer-lhe uma poupança de energia até 8 por cento. No verão, evite a entrada de calor em casa, fechando as janelas e as persianas. Racionalize o uso do ar condicionado, evitando colocá-lo a uma temperatura inferior a 24ºC.
  • Evite abrir o frigorífico e a arca congeladora se não for mesmo necessário. Confirme também se estes equipamentos têm a temperatura ajustada. Podem estar a consumir demasiada energia sem que se aperceba.
  • Se precisa de usar o forno, desligue-o antes de o cozinhado estar pronto. Pode aproveitar o calor residual para o terminar. 

Diminuir o consumo de gás

Se depende de gás engarrafado, certamente já se apercebeu da subida dos preços nos últimos meses. Além do aumento do custo do gás de petróleo liquefeito, o receio de que a Rússia possa cortar o abastecimento de produtos energéticos à União Europeia está a fazer disparar os preços.

  • Procure o fornecedor perto de si com o preço mais baixo. A nossa plataforma Poupe na Botija é gratuita e ajuda-o a fazer essa pesquisa.
  • Esta é talvez a medida mais óbvia, mas também a mais eficaz: reduza os consumos. Baixe a temperatura ou o caudal do esquentador para evitar gastar mais gás do que necessário.
  • Ao cozinhar, desligue o lume antes de o cozinhado estar pronto. Conseguirá terminar o processo com o calor residual.
  • Se está a considerar trocar algum equipamento em casa, opte por versões mais eficientes. As placas de indução e as bombas de calor são uma boa alternativa aos aparelhos a gás.

Encurtar a fatura da água

O território português está em seca. O Executivo já restringiu o uso de algumas barragens para o regadio e para a produção de eletricidade, mas do lado do consumidor também há muitas formas de poupar água.

  • Usar a água com conta, peso e medida é, antes de tudo, uma forma de garantir a sustentabilidade do planeta. Para proteger as gerações futuras, é importante que procure consumir de forma mais sustentável.
  • Instale redutores de caudal nas torneiras. Além de poupar água, também poupa no gás se for água quente. Aquecer um menor volume de água implica uma redução quase igual na energia necessária para a aquecer.
  • Considere a instalação de cabeças de duche/chuveiro com redução de caudal, um investimento reduzido para uma poupança com significado na água e na energia consumidas.
  • Opte por autoclismos com dupla descarga.
  • Se lava a loiça à mão, não deixe a água a correr. Deve optar por encher o lava-loiças e ir colocando lá dentro a loiça já lavada com detergente para depois a enxaguar.
  • Tem máquina de lavar loiça? Faça lavagens apenas com carga completa e prefira os programas eco que, em comparação com os programas principais destas máquinas, permitem poupanças de cerca de 25% em eletricidade e de 20% em água.
  • Recolha a primeira água do duche até chegar a água quente. Esta água pode ser utilizada para uma descarga de autoclismo, para encher um balde para lavar o chão ou até para regar as plantas.
  • Deve, ainda, fechar a torneira enquanto lava os dentes e optar por duches rápidos em vez de banhos de imersão.

O guia “Poupe energia em casa” dá mais informações e dicas para reduzir a conta da eletricidade sem perder o conforto.

Se já é nosso subscritor, faça login para descarregar. 

Ainda não tem conta no site? Registe-se para ter acesso ao guia "Poupe energia em casa".

Registar

Alimentação mais cara

Não é apenas nos preços da energia que a guerra entre a Ucrânia e a Rússia está a criar pressão. No setor agroalimentar, há quem fale de um “aumento brutal” de preços até ao final do ano, mas a tendência não é de agora. No final de 2021, os preços dos bens alimentares já registavam algumas subidas. O impacto da covid-19 na cadeia de abastecimento, o aumento do custo das matérias-primas e a subida dos preços da energia, associada à seca que o País atravessa, têm contribuído para o incremento do custo dos alimentos.

Contudo, o conflito que se vive no leste da Europa veio criar ainda mais instabilidade. Até ao início da guerra no leste da Europa, o Brasil e a Ucrânia eram as principais origens de importação de cereais para a Europa. A guerra limitou, assim, a oferta de cereais provenientes da Ucrânia, um dos principais parceiros comerciais da União Europeia (26%), forçando a procura de cereais em mercados alternativos. A limitação da oferta tem-se refletido num incremento dos preços nos mercados internacionais.

No que a cereais diz respeito, Portugal é, historicamente, um país muito dependente dos mercados externos, importando cerca de 80% dos cereais consumidos internamente. A Ucrânia tem sido, até à data, um dos nossos maiores fornecedores de cereais para alimentação animal. Em 2019, exportou para Portugal cerca de 244 milhões de euros em bens, entre os quais bens agroalimentares, maioritariamente milho, colza e óleo de girassol.

A viver uma guerra, a Ucrânia deixou de ser uma opção para abastecer Portugal. Esta incerteza, associada à escalada de preços dos combustíveis, e da energia, em geral, tem tido reflexos na distribuição de bens alimentares, na produção agrícola e, consequentemente, na despesa das famílias portuguesas com alimentação. Desde 23 de fevereiro, véspera da explosão do conflito armado na Ucrânia, temos monitorizado todas as quartas-feiras, com base nos preços recolhidos no dia anterior, os preços de um cabaz de 63 produtos alimentares essenciais. Entre essa data e o passado dia 20 de julho, o mesmo cabaz de produtos alimentares já aumentou 11,94% (21,91 euros), com alguns produtos a registarem, inclusive, subidas de dois dígitos de uma semana para a outra.

Reduzir a conta do supermercado

Garantir que há alimentos para todos e que a conta do supermercado não é astronómica também está nas mãos dos consumidores. Siga os nossos truques para diminuir os gastos com alimentação e para poupar nas idas ao supermercado.

Saber qual o supermercado mais barato

Reveja as despesas mensais fixas

Para poupanças ainda maiores, reveja algumas das suas despesas mensais fixas.

Opte por um tarifário de telecomunicações à sua medida

No que diz respeito a telecomunicações, é muito importante escolher um bom tarifário. Se não atualiza o seu há alguns anos, talvez seja a altura de o fazer. Escolher um tarifário de telecomunicações à medida das suas necessidades pode fazer a diferença no orçamento familiar. Para quem dispensa os serviços de televisão tradicionais, há, por exemplo, soluções só para internet fixa. No entanto, estas soluções custam quase tanto como um pacote básico de televisão, internet e telefone fixo.

Além disso, desconfie de promoções que lhe pareçam demasiado generosas. Compare ofertas e combine tarifários de diferentes operadores se lhe parecer mais vantajoso. O esforço pode, em muitos casos, compensar. Para uma procura mais rápida, use o nosso comparador de pacotes e tarifários de televisão, internet fixa/móvel, telefone fixo e telemóvel e saiba quanto pode poupar.

Utilize aplicações no smartphone como o Whatsapp, o Telegram ou outras para gerir as suas comunicações de forma gratuita sempre que tiver acesso a uma rede wi-fi ou dados móveis cujo custo já está incluído na mensalidade do telemóvel. Ative o controlo de dados móveis no smartphone para evitar ultrapassar o limite de dados incluído e prevenir a aplicação de custos adicionais indesejados.

Avalie os custos com seguros e créditos

Em junho, a taxa de inflação na zona Euro chegou aos 8,6 por cento. Em Portugal já atingiu os 9 por cento. Esta subida levou o Banco Central Europeu (BCE) a anunciar, a 21 de julho, uma subida de 0,5% para a taxa de juro de refinanciamento, o que significa que os créditos vão ficar mais caros. Use o nosso simulador para calcular o valor das prestações dos seus empréstimos em função dos aumentos da Euribor.

Analise os gastos mensais com o crédito à habitação. A transferência de um crédito à habitação do banco atual para outro banco é outra das decisões que lhe pode valer alguns euros. Outra solução é a renegociação do crédito à habitação. Não é por ter celebrado o contrato mediante determinadas condições que estas têm de ficar imutáveis ao longo de toda a vigência do contrato. O nosso simulador compara as condições atuais do seu empréstimo com as melhores ofertas do mercado e revela quanto pode poupar até ao fim do contrato.

O custo do seguro automóvel, por sua vez, depende do veículo e do histórico de sinistralidade, mas comparar todas as ofertas do mercado pode permitir-lhe obter uma poupança significativa. O nosso simulador ajuda a fazer as contas. 

Use o cartão de crédito apenas para imprevistos. Em regra, a sua utilização está sujeita a pesadas taxas de juro que o podem colocar em incumprimento. Se contratou o seu cartão de crédito há mais de dez anos é possível que esteja a pagar uma taxa de juro na casa dos 30%, muito acima da taxa máxima legal admitida pelo Banco de Portugal para os cartões mais recentes. Em 2009 foi aprovado um decreto-lei que determina as taxas anuais efetivas globais (TAEG) máximas que podem ser cobradas para cada tipo de crédito ao consumo, incluindo cartões de crédito. As taxas que ultrapassam esses limites são consideradas excessivas, de acordo com a lei. Mas esta limitação é válida apenas para os contratos celebrados a seguir à entrada em vigor do decreto-lei, ou seja, a partir de janeiro de 2010. As instituições de crédito não são obrigadas a rever as condições dos contratos anteriores a esta data, mas, se estiver nesta situação, nada o impede de tentar. Use também o nosso simulador para saber qual o melhor cartão de crédito para o seu caso.

Seja disciplinado com as suas finanças

Valide todas as suas faturas. Tudo o que fique pendente no e-fatura não é considerado para efeitos de dedução e pode perder até 250 euros. Se validar as faturas ao longo de todo o ano é menos provável que alguma fique esquecida.

Pode, também, pedir uma nova avaliação da sua casa. Muitos proprietários pagam imposto municipal sobre imóveis (IMI) a mais. Para saber se é o seu caso, recorra ao nosso simulador. Se ao simular o resultado não der poupança, não apresente o pedido. Só é possível pedir novas avaliações de imóveis de três em três anos. Logo, se já o fez em 2020 ou 2021, só poderá voltar a submeter novo pedido quando já tiverem passado três anos sobre a última avaliação pedida.

Outra das opções, se tiver algum dinheiro de parte, é o investimento num PPR. Além da poupança para a sua reforma, conseguirá obter benefícios fiscais. Com 2000 euros, por exemplo, pode obter um retorno de 400 euros no IRS.

Por fim, para ficar um verdadeiro especialista na gestão das suas contas e não perder o rasto ao seu dinheiro, registe de forma organizada todas as despesas e receitas. O Caderno Proteste – Dinheiro dá uma ajuda.

Conhecer o Caderno Proteste - Dinheiro

Junte-se à maior organização de consumidores portuguesa

A independência da DECO PROTESTE é garantida pela sustentabilidade económica da sua atividade. Manter esta estrutura profissional a funcionar para levar até si um serviço de qualidade exige uma vasta equipa especializada.

Registe-se para conhecer todas as vantagens, sem compromisso. Subscreva a qualquer momento.

Junte-se a nós

 

O conteúdo deste artigo pode ser reproduzido para fins não-comerciais com o consentimento expresso da DECO PROTESTE, com indicação da fonte e ligação para esta página. Ver Termos e Condições.