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Tamanho da roupa: veste o 38 mas só o 40 serve?

As nossas medidas

O estudo antropométrico desenvolvido por Ana Florinda Ramôa, do CITEVE – Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário de Portugal, mediu 400 pontos corporais de quase 2 mil homens e mulheres, entre os 18 e os 86 anos.

Quais as principais conclusões do estudo?

A mulher portuguesa tem, em média, 1,59 m, pesa 64 quilos, exibindo 97 cm de peito, 86 de cintura e 103 de anca. O homem mede 1,71 m de altura, pesa 77 quilos e mede, respetivamente, 106, 92 e 101 centímetros. Ora, são estas medidas que os designers de roupa deveriam ter em conta para o público português. Fizemos o estudo com Espanha e chegámos à conclusão de que somos muito semelhantes aos espanhóis. Mas sabemos que as nossas medidas não são exatamente iguais às dos alemães. As diferenças são acentuadas face ao restante espaço europeu. Outra das conclusões a que chegamos foi que, com a idade, os aumentos não são iguais. Por isso, para tamanhos mais pequenos, para pessoas mais magras, podemos ter uma proporção entre cintura e anca, mas, para tamanhos superiores, essa proporção já não é a mesma. O número de tamanhos também difere de marca para marca. 

Há empresas interessadas neste estudo?
Sim. Também há empresas interessadas nas medições, não só de maiores de 18 anos, mas também de crianças, o que ainda é mais difícil. Já analisámos os dados recolhidos e sabemos que o nosso corpo, com a idade, se altera. Não aumentamos na mesma proporção em todos os sítios: na cintura, aumentamos de forma diferente da anca ou do peito, por exemplo. Mas não sabemos exatamente em que proporção, qual o aumento que devemos considerar para a tabela de medidas e falta às empresas essa informação. O objetivo do estudo é ajudar as empresas a otimizar as suas tabelas. Por um lado, as pessoas ficam mais satisfeitas porque conseguem encontrar roupa à medida e, por outro, as empresas otimizam as vendas. Se estas produzem um tamanho muito pequeno ou muito grande, o consumidor chega à loja e não consegue encontrar o que pretende. A empresa vai produzir peças que vão ficar em stock. E pode haver também as que precisam de maiores quantidades e não estão a produzir, por desconhecerem a percentagem da população que cabe dentro dessa medida.

O que pensa da norma em vigor para este setor?
Como os estudos antropométricos foram realizados em mais países, chegou-se à conclusão de que a norma não contempla medidas de alguns. Há a norma, mas não existindo estudo antropométrico no país, continuamos com o mesmo problema: não sabemos que medidas considerar. A norma tem muitos intervalos. Se as empresas não souberem as medidas do público-alvo para o qual querem vender as peças, continuam sem saber qual a grelha de tamanhos e quais as tabelas de medidas.