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Programa Europeu de Turismo: não há fins-de-semana grátis

26 janeiro 2012 Arquivado

26 janeiro 2012 Arquivado

Se recebeu um email com oferta de hotel para duas pessoas, num local à sua escolha, desconfie. Para beneficiar, tem de pagar quase 22 euros à cabeça e todas as refeições no estabelecimento escolhido. A mesma estadia pode custar 35% menos num site de reservas online.

O Programa Europeu de Progresso de Turismo Individual (PEPTI) circula em várias caixas de correio eletrónico e promete o que qualquer cidadão comum desejaria ter: “três dias garantidos de alojamento já pagos para duas pessoas, a usufruir em qualquer hotel que participe no programa”. Segundo a comunicação, para usufruir da oferta, basta fazer o login no portal do programa, confirmar a participação e obter o certificado de acesso. Aparentemente, muito simples e fácil.

Contudo, a equipa da DECO PROTESTE investigou a oferta e concluiu que não passa de um embuste. Fizemos o login, como sugerido, e respondemos a um questionário simples, que terminava com o primeiro sinal de alerta: para recebermos o certificado, teríamos de pagar 21,87 euros. Segundo o programa, seria a única quantia cobrada.

Continuámos a pesquisa e investigámos o catálogo de hotéis disponíveis. Em todos – quer os situados em Portugal, quer os de Espanha, Itália, França e Croácia, por exemplo –, junto à informação sobre as noites gratuitas, surgiam os valores da “taxa de alimentação obrigatória”. Da leitura dos termos e das condições do PEPTI, percebe-se que o alojamento é gratuito, mas o consumidor é obrigado a tomar as refeições no hotel, ao preço imposto pelo estabelecimento. A taxa varia consoante a época do ano.

Selecionámos alguns hotéis em Portugal e Espanha e comparámos os preços deste programa com os de uma reserva feita pela Internet, na Booking.com. Escolhemos o mesmo hotel, para duas pessoas, na mesma data. Conclusão: as reservas através do PEPTI ficam mais caras, com diferenças que podem chegar aos 35 por cento.

Se for aliciado com ofertas semelhantes, ignore-as. Caso decida avançar, é forçado a tomar as refeições no hotel, ao preço imposto pelo estabelecimento, e pagará mais de alimentação do que de estadia. A DECO já deu conta desta situação à Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, para que tome as necessárias providências.


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