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Menores de idade acedem ilegalmente a jogos a dinheiro

16 março 2016
A relação dos jovens com os jogos e os jogos a dinheiro foi analisada no ECATD-CAD/2015

16 março 2016

Embora os jogos a dinheiro como as raspadinhas e o Euromilhões estejam interditos a menores de idade, este tipo de jogo conta com adesão entre os mais novos. Em média, 11,5% dos jovens de 13 anos compra lotarias em estabelecimentos físicos.

A prática é também mantida por 13,8% dos adolescentes de 15 anos e quase 20% dos jovens com 17 anos. Os dados constam entre os resultados preliminares de um estudo que teve por base um inquérito a cerca de 18 mil alunos de escolas públicas portuguesas.

De entre os vários jogos a dinheiro, as lotarias são as que exibem os números mais expressivos, sobretudo as adquiridas fora da Internet, sendo populares entre rapazes e raparigas. Em média, 24,7% da população do estudo na casa dos 18 anos afirma jogar na lotaria – 28% são rapazes e 23% raparigas.

No geral, e à semelhança do jogo na internet (gaming), os jogos a dinheiro (gambling) são mais procurados pelos rapazes: 15% dos inquiridos de 18 anos do sexo masculino e 6% na faixa dos 13 anos afirmaram ter recorrido ao gambling nos 12 meses anteriores ao inquérito, contra 3% de raparigas aos 15 anos e 2% aos 14, 17 e 18 anos. 

A procura dos jogos a dinheiro cresce, em termos gerais, com o avançar da idade. Estes jogos incluem slot machines, cartas ou dados, apostas desportivas e lotarias. 

O gaming atinge maior prevalência aos 14 anos, com 75% dos rapazes a admitir ter jogado nos 7 dias anteriores à realização do inquérito, contra 23% das raparigas com a mesma idade. 

As questões do jogo e comportamentos aditivos relacionados têm reforçado a sua presença na agenda do Ministério da Saúde desde o ano passado e incluem medidas como a formação de médicos de família e a criação de uma consulta especializada.

O ECATD-CAD/2015 ou “Estudo sobre consumos de álcool, tabaco, drogas e outros comportamentos aditivos e dependências, (2015)” resultou de inquéritos a alunos do ensino público entre os 13 e os 18 anos, de 530 escolas em Portugal Continental e 1000 turmas do 7.º ao 12.º ano. Realizado a cada quatro anos, a versão de 2015 deste estudo passa a incluir questões relativas ao uso de Internet e ao Jogo. O ECATD-CAD/2015 foi promovido pelo SICAD/MS (Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências/Ministério da Saúde) em articulação com o Ministério da Educação. O estudo integral será publicado em setembro.